«Barreiro Reconhecido» na área da Resistência Anti-FascistaArtur dos Santos Tavares, um permanente lutador pela liberdade
Artur dos Santos Tavares nasceu no Barreiro em 31-07-1929, filho de José Tavares e Maria de Jesus e é pelo lado da mãe que está ligado a Riachos.
A ligação da família a Riachos era suficientemente pertinente para ter levado o declarante do óbito de José Tavares a referir que ele “era viúvo de Maria de Jesus, natural de Riachos, concelho de Torres Novas…”.

Por Jornal Rostos
O jornal «O Riachense» na sua edição de amanhã, dia 22 de Abril, dedica várias páginas a recordar personalidades da luta contra a ditadura derrubada no dia 25 de Abril.
Entre os antifascistas, estão referenciadas três personalidades com ligações ao Barreiro, com a devida vénia, vamos divulgar as três biografias do barreirenses com ligação a Riachos, terra do poeta cantor Pedro Barroso.
Artur dos Santos Tavares, um permanente lutador pela liberdade
Artur dos Santos Tavares nasceu no Barreiro em 31-07-1929, filho de José Tavares e Maria de Jesus e é pelo lado da mãe que está ligado a Riachos.
Maria de Jesus nasceu no Borreco (Parceiros de Igreja) mas veio para Riachos bastante nova, como de resto vieram todos os seus cinco irmãos, que por cá se radicaram. Constituíam a família “Manha”, da qual o mais novo, Artur dos Santos, seria pai de José António Mendes dos Santos, mais conhecido por Zé Manha, de quem Artur Tavares era, portanto, primo direito.
A Maria de Jesus, que entretanto tivera um filho de Josué Antunes Barroso, abastado agricultor riachense, foi para o Barreiro na década de vinte para trabalhar na CUF, onde já trabalhavam outros familiares. Foi lá que conheceu o José Tavares, com quem viria a casar e desse casamento nasceu o Artur dos Santos Tavares.
Durante muitos anos, o casal José Tavares e Maria de Jesus foi visita assídua a Riachos, sendo acolhido sempre na casa de Artur dos Santos.
A ligação da família a Riachos era suficientemente pertinente para ter levado o declarante do óbito de José Tavares a referir que ele “era viúvo de Maria de Jesus, natural de Riachos, concelho de Torres Novas…”.
O Artur dos Santos Tavares começou a trabalhar na CUF bem cedo, por volta dos 12/13 anos, diz-nos a filha, Paula Tavares Ventura, e casou com Virgínia Ferreira em 1957, tendo como padrinho de casamento Manuel Cabanas, reconhecido anti-fascista e mestre na arte de xilogravura. A relação próxima com Manuel Cabanas ajudou a forjar uma forte consciência cívica e de resistência ao fascismo, que se manifestou no seu percurso de luta para um Portugal melhor e mais justo para todos.
Assalto ao quartel de Beja
A intervenção política levou à primeira prisão de Artur Tavares a 5 de Outubro de 1960, no Barreiro, logo enviado para o Aljube, sendo posto em liberdade cinco dias depois. A participação de Artur dos Santos Tavares no falhado assalto ao quartel de Beja no último dia de 1961, num golpe onde participaram também os oriundos de Riachos Manuel e Maximino Serra, levou-o de novo à prisão, primeiro no Aljube e depois em Caxias. Nessa altura foi também despedido da CUF, só vindo a ser reintegrado em 1974.
Na prisão, foi sujeito a torturas impiedosas que lhe deixaram sequelas para toda a vida. Refere-nos o seu primo Zé Manha que se recorda do Artur ter ficado com problemas auditivos que nunca conseguiu resolver totalmente. Foi libertado da cadeia em 1965 e, sem trabalho, passou por dificuldades económicas, mas encontrou na família e amigos a força e coragem para continuar.
Lê-se no despacho provisório de acusação que caso o golpe tivesse resultado, Manuel Serra lhe teria atribuído, a ele e outros colegas, a tarefa de fazer explodir a ponte de Alcácer, para evitar que as forças leais a Salazar pudessem avançar para Beja.
“Barreiro Reconhecido”
Antes do referido golpe de Beja, já Artur Tavares tinha uma forte participação política e em 1949, com Hélder Fráguas e Vitor Hugo dos Santos, funda um “Partido Juvenil Português”, conforme se pode ler na pequena biografia publicada aquando da atribuição pela Câmara Municipal do Barreiro, em 2002, do galardão “Barreiro Reconhecido”, na área da Resistência Anti-Fascista. Nessa biografia também se pode ler que a seguir ao Golpe de Beja se seguiu a prisão no Aljube e em Caxias, mas Artur dos Santos Tavares continuaria fiel aos princípios que sempre geriram a sua conduta.










