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Cidade com Rostos

Morreu o Alfaiate BorgesUm homem que foi uma referência na actividade económica do Barreiro
«Sou um Camarro de gema».

A sua família divulgou hoje que morreu Carlos Borges, um dos grandes alfaiates do Barreiro, um homem que foi uma referência na actividade económica da vila-cidade do Barreiro.

2 min de leitura
Morreu o Alfaiate Borges Um homem que foi uma referência na actividade económica do Barreiro «Sou um Camarro de gema».

Por Jornal Rostos

Um dia numa conversa com Carlos Borges ele dizia-me com orgulho - Sou um Camarro”.
“Sabe o que é um Camarro?” – perguntou e respondeu : “O Camarro é o filho do Barreiro. O Camarro é de origem piscatória, foram os algarvios que vieram para aqui e descobriram o melhor mundo piscatório da barra do Rio Tejo. Foi com eles que nasceu o Barreiro. Os Camarros.”.
Senti o calor e orgulho que colocava nas suas palavras e e que saltitavam no brilho dos seus olhos. O amor pelo seu Barreiro.

Conheci o Senhor Borges, há décadas no seu estabelecimento comercial localizado na Rua Miguel Bombarda, naquela zona perto do Bairro Miranda, um polo comercial vivo que desapareceu com a construção da passagem desnivelada.
“Sou o Borges, alfaiate, é assim que todas a gente me conhece”, disse-me, naquela breve conversa, ali, na Avenida Alfredo da Silva, no ano de 2018m contava então 92 anos.
“Eu tinha o melhor pronto a vestir do Barreiro e do distrito de Setúbal”, acrescentava.
“Fui alfaiate e enquanto trabalhei, ganhava mal. Tornei-me comerciante, deixei de trabalhar e comecei a ganhar dinheiro”, afirmava com um sorriso, marcado de ternura e simplicidade.
“Sabe, os fatos portugueses são os melhores fatos do mundo”, acrescenta orgulhoso, da sua arte e actividade que marcou a sua vida.

O amigo Carlos Borges era um entusiasta do convivio e da partilha da amizade, um frequentador assíduo dos encontro da colectividade «Os Leças».
Dizia-me que tinha dentro de si a energia que herdara dos seus pais que, um dia, vieram de Pias, no Alentejo, para o Barreiro, onde construíram uma nova vida.
O Barreiro perdeu hoje, um desses nomes que foram marca e referência de uma actividade económica pujante, um comércio de qualidade na região, que acrescentava ao Barreiro industrial e ferroviário, um Barreiro comercial que fazia da vila operária o «grande centro comercial da época».

Obrigado amigo Borges.
Até sempre!

António Sousa Pereira

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