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Pelo falecimento do Professor Doutor Carlos RibeiroCâmara Municipal do Seixal decreta dia de luto municipal

A Câmara Municipal do Seixal lamenta o falecimento do Professor Doutor Carlos Ribeiro, um dos mais reputados médicos e humanistas portugueses, que nasceu no concelho do Seixal em 1926. O presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos decretou dia de luto municipal pela partida de uma referência do Concelho e da medicina portuguesa.

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Pelo falecimento do Professor Doutor Carlos Ribeiro Câmara Municipal do Seixal decreta dia de luto municipal

Por Jornal Rostos

"Quem é do Seixal tem terra e tem sentido de pertença a uma comunidade". Foram estas as palavras utilizadas pelo Professor Doutor Carlos Ribeiro quando em 2019 lhe foi atribuída a Medalha de Honra, a mais alta distinção municipal, durante a Sessão Solene comemortiva do 183.º Aniversário do Concelho do Seixal.

Carlos Ribeiro foi o primeiro licenciado da família. Estudou no Liceu Passos Manuel, em Lisboa, e entusiasmou-se com os propósitos da medicina. Formou-se em 1951. No início da carreira, trabalhou gratuitamente num hospital para se aperfeiçoar e fazer um ensino pós-graduado, e fez clínica geral no Seixal, o que lhe proporcionou um contacto próximo com os pacientes, algo que sempre defendeu ao longo da sua vida profissional. Mais tarde, o clínico, investigador e professor Arsénio Cordeiro convidou-o para assistente. Foi a admiração e o respeito que sentia pelo professor que o levou a enveredar pela especialidade de cardiologia. Tornou-se médico especialista em cardiologia e professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Foi diretor da Unidade de Tratamento Intensivo para Coronários (UTIC) no Hospital de Santa Maria, criado e liderado por Arsénio Cordeiro. Uma unidade-modelo, a primeira de cuidados intensivos no país, e que foi percursora de alguns diagnósticos de determinadas patologias.

Exerceu os cargos de presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (1979-1981), de vice-presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia (1988-1990) e de bastonário da Ordem dos Médicos (1996-1999).
Foi também membro da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida (1996-1999) e do Conselho Económico e Social da União Europeia (1998-2006), tendo estado oito anos a defender as profissões liberais portuguesas.

Publicou mais de três centenas de trabalhos científicos e foi membro de várias sociedades científicas nacionais e internacionais. Fundou a Revista Portuguesa de Cardiologia, que dirigiu durante 12 anos.

Recebeu a Medalha de Mérito da Sociedade Europeia de Cardiologia e foi condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 2015 lançou o livro Ser Médico – Cartas aos Jovens Médicos, composto por cartas que dirigiu a estudantes de medicina e a jovens médicos com ideias, conselhos, desabafos e experiências de uma vida inteira dedicada à medicina e em defesa do Serviço Nacional de Saúde. Carlos Ribeiro sempre defendeu que é preciso colocar os doentes no centro das preocupações dos médicos.

No Seixal, foi contra a agregação de freguesias e defendeu a construção do hospital no Seixal. Foi no concelho do Seixal que viveu e se dedicou à sua família e onde ainda era professor na Unisseixal – Universidade Sénior do Seixal. Já tinha sido atribuído o seu nome a uma artéria do Concelho, a uma escola do 2º e 3º ciclo do Ensino Básico, para além da Câmara Municipal do Seixal ter aprovado o seu nome para o novo Hospital do Seixal.

A Câmara Municipal do Seixal expressa à família e amigos as suas sentidas condolências.

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