Câmara Municipal do Barreiro assinala120 Anos do Nascimento do Mestre Manuel dos Santos Cabanas
"Embora autodidata, foi também um homem de cultura, que conviveu com grandes nomes do nosso meio intelectual, em especial os mais ligados à resistência à Ditadura", acrescenta.

Por Jornal Rostos
120 Anos do Nascimento do
Mestre Manuel dos Santos Cabanas
Manuel dos Santos Cabanas nasceu em Vila Nova de Cacela, a 11 de fevereiro de 1902. 120 anos após o seu nascimento continua a haver lugar para lembrar esta figura que demonstrou valor político e cívico ao longo da sua vida.
Manuel dos Santos Cabanas veio aos 20 anos para o Barreiro com o intuito de frequentar um curso de praticantes para fator na Caminhos de Ferro do Estado. Por cá ficou, como ferroviário, a desempenhar funções nos escritórios dos Serviços Regionais “Sul e Sueste”, e desde logo se interessou por atividades sociais e políticas, envolvendo-se em movimentos progressistas e no Sindicato dos Ferroviários do Sul e Sueste, que representava uma das forças vanguardistas do operariado nacional e tendo participado na revolução de 7 de fevereiro de 1927, sofreu sua primeira prisão. Foi desde então uma voz republicana e democrática no combate à Ditadura que calou o País entre 1926 e 1974 e por isso mesmo dedicou aos homens que se notabilizaram nesse mesmo campo político uma parte substancial da sua obra de xilogravador, arte a que se dedicou desde 1938, tendo produzido uma obra notável.
A figura de cidadão exemplar e interventivo cruza-se e complementa-se em Manuel Cabanas com a do artista, começando a expor os seus trabalhos a partir de 1938, dedicando-se a gravar retratos de grandes figuras da cultura portuguesa e mundial, entre outros temas. Colaborou regularmente com o Jornal do Barreiro, onde publicou muitas xilogravuras suas, de figuras do Barreiro antigo e moderno.
Embora autodidata, foi também um homem de cultura, que conviveu com grandes nomes do nosso meio intelectual, em especial os mais ligados à resistência à Ditadura. Pertenceu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), desde 1945, nele tendo desenvolvido extensa atividade. Nas eleições de 1958, foi apoiante da candidatura do Dr. Arlindo Vicente à Presidência da República e foi Manuel Cabanas quem negociou a desistência de Arlindo Vicente, a favor do General Humberto Delgado, permitindo uma candidatura única de oposição democrática.
Republicano histórico, ao longo da sua atividade política foi preso três vezes e foi, igualmente, afastado do Ensino após alguns anos a lecionar na Escola Secundária Alfredo da Silva. Foi um dos fundadores do Partido Socialista e figura bastante interventiva logo após o 25 de Abril. Retirou-se no fim da vida para a sua terra natal, a cujo município doou parte do seu espólio artístico, havendo feito o mesmo com o Barreiro, a terra onde durante um longo período escolheu viver.
Foi agraciado com a Medalha Barreiro Reconhecido em 1983, recebeu a Medalha de Honra do Distrito de Setúbal em 1991 e, em 1996, a Câmara Municipal do Barreiro atribui-lhe o Galardão Máximo da Cidade – a Medalha de Honra Cidadão Honorário. Em 1985, o Presidente Ramalho Eanes entregou-lhe a Comenda da Ordem da Liberdade, e em 1991 o Presidente Mário Soares conferiu-lhe a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.
Ao longo dos seus 93 anos, Manuel Cabanas realizou cerca de 400 xilogravuras, tendo participado também em exposições individuais e coletivas.
Faleceu no Hospital de Faro, em 25 de maio de 1995.
Fonte - CMB










