Hoje são assinalados 99 anos de nascimento do Mestre Augusto CabritaUm nome que coloca o Barreiro na “rota mundial da fotografia”
Até ao próximo dia 16 de Julho, no Museu da Fotografia, no Funchal, está patente ao público uma exposição temporária de fotografias do Mestre Augusto Cabrita, com parte do trabalho que ele sonhou ver publicado em livro e nunca se concretizou as fotografias da sua viagem à India.

Por Jornal Rostos
Uma “cidade criativa” é aquela cidade que sabe potenciar as “sinergias”, encontrar valores que nela existem e potenciá-los.
O Mestre Augusto Cabrita é uma referência, com história, com um imenso capital de criatividade, através do qual é possível estabelecer parcerias com a RTP – onde existe muito do seu espólio, igualmente, a sua actividade cinematográfica, permite estabelecer pontes com o mundo do cinema.
A Escola Augusto Cabrita é um espaço privilegiado para ligar o Mestre Augusto Cabrita aos jovens.
O AMAC – Auditório Municipal Augusto Cabrita, deveria ter uma exposição permanente, para divulgar o homem e a obra, ali, na verdade, podiam estar muitas memórias do “olhar do Mestre sobre a nossa cidade”.
Um dia escrevi – “continuo a pensar que o Barreiro tem uma divida de gratidão para com o Mestre Augusto Cabrita, mesmo com todas as evocações e homenagens que têm sido feitas em sua memória.
E, acima de tudo, o Barreiro não tem sido capaz de potenciar o “imenso capital cultural” e de referência para a promoção da sua própria “imagem de cidade”, através da valorização da importância do nome e obra do Mestre Augusto Cabrita.” Hoje escreveria as mesmas palavras.
Neste dia que são assinalados os 99 anos do nascimento do Mestre Augusto Cabrita, aqui fica este registo, para recordar um homem que deu muito de si ao Barreiro, a sua terra, que ele amou, onde ele aprendeu, a sentir o ritmo da vida.
Onde ele aprendeu a descobrir a luz do sol - o grande e verdadeiro projecto.
Onde ele descobriu, a cidade a espelhar-se no seu rio, que, todos as manhã, ao acordar, ele via da sua janela - O Tejo em esplendor na frente dos seus olhos!
Obrigado Mestre.
António Sousa Pereira
BIOGRAFIA
Augusto António do Carmo Cabrita
Nasceu no Barreiro a 16 de Março de 1923 e “a sua grandeza como homem e artista fundem-se, nesta terra, com a familiaridade das palavras e dos gestos quotidianamente trocados, expressão de uma ternura e atenção constantes”.
Adoeceu gravemente em 1985, com uma infecção bacteriana anaeróbia. Recomeçou a trabalhar em 1988, e veio a falecer em Lisboa (Hospital da CUF) a 01 de Fevereiro de 1993. Foi no Barreiro que fez os seus estudos primários e secundários, e aí se iniciou em desportos como o remo e a natação (Clube Naval). Aos 13 anos começou o seu interesse pela fotografia. Teve o seu primeiro emprego no escritório da Grande Garagem do Sul, pertencente à família.
Autodidacta em fotografia, começou também a tocar de ouvido, piano e um pouco mais tarde acordeão e celesta. A música, tal como a fotografia, era uma das suas grandes paixões. A frequência dos estúdios e salas da Valentim de Carvalho em Lisboa permitiu-lhe praticar intensamente piano, e estabelecer fortes relações de amizade com os directores da empresa. No final dos anos 40 marcou presença em exposições e concursos nacionais e internacionais de fotografia, onde ganhou várias altas distinções como o Prémio Rizzoli (fotografia publicitária), Itália. Em 1956 inaugurou na Rua Dr. Eusébio Leão (Barreiro) um estúdio de fotografia. Nesse mesmo ano casou com D. Maria Manuela Peixinho de quem teve três filhos (Maria Manuela, Augusto António e Luisa Maria).
Acompanhou ao piano as cançonetistas Lina Maria e a sua conterrânea Maria de Lurdes Resende. Fez capas para discos de Amália Rodrigues, Carlos Paredes, Luís de Gois, Maria Barroso (poemas), Simone de Oliveira, etc.
Fotógrafo e cineasta, foi delegado da Associação Internacional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos, membro de júris nacionais e internacionais, fotojornalista do jornal O Século e das revistas Eva, Flama, Século Ilustrado e em revistas da especialidade um pouco por todo o mundo.
No campo editorial lançou vários títulos sobre escultura, pintura, fotografia e teatro. Foram, porém, os trabalhos para a TV e para o Cinema que deram firme personalidade à sua carreira, “à máquina fotográfica, que sempre o acompanhava onde quer que estivesse, juntou-se pois a câmara”. A sua lista de curtas metragens e de reportagens para a RTP ultrapassa as 650. Foi operador, director de fotografia, realizador e até produtor, porém sem jamais abdicar do que mais gostava de ser - um repórter, um olheiro dos acontecimentos, um historiador da actualidade.
Texto reproduzido do blog da Galeria João Martins, onde pode ser efectuado um encontro com a obra e com o homem – Cidadão Honorário do Barreiro – Augusto Cabrita.










