Barreiro - Morreu o ArménioUm homem com um sorriso nos olhos

Por Jornal Rostos
Conheci o Arménio na sua missão de empregado de mesa, que exercia com galardia e profissionalismo, ali, no Restaurante «O Colega», na Avenida Henrique Galvão, naqueles almoços tertúlia, onde tudo se discutia, nos tempos que fui Chefe de Redacção e Director do «Jornal do Barreiro». Também o encontrei no Joaquim dos Petiscos. Um homem de trabalho que se fazia por si mesmo.
Um profissional sempre com um sorriso nos olhos, simpático e brincalhão.
Ficou como senha, entre nós, aquela canção que ele a brincar, entre os caracóis e o pão torrado que tardava, usava para distrair e com a sua ironia sorridente: “Ai que sarilho, ser pai de um filho, vai ser João, como o patrão”. E ria, a bom rir.
Um empregado de mesa, que rodopia entre clientes, ouve muitas histórias, observa, e, silencia o diz-que-diz-se, que faz parte do quotidiano. O Arménio era isso, um bom profissional, um homem discreto e de uma grande pureza e simplicidade.
Sempre, fosse onde fosse, que me cruzasse com o Arménio, cantávamos em coro: “Ai que sarilho, ser pai de um filho…”. E depois, um cumprimento de amizade partilhada.
Soube hoje, pelas redes sociais, que morreu o Arménio, e com ele, sinto que parte mais um pouco deste Barreiro Camarro, que respeito e que aprendi a guardar na minha memória, mais por estórias contadas, mas, também de estórias vividas. Esse Barreiro da Nª Srª do Rosário e do Rio Tejo, da Rua Aguiar que se estende até ao Alto de S. Francisco, um lugar génese de uma identidade.
Morreu o Arménio, aos seus familiares e amigos os meus sentimentos.
É isso, até sempre Arménio: Ai que sarilho ser pai de um filho…
António Sousa Pereira










