Morreu Padre Rodrigo Mendes – Cidadão «Barreiro Reconhecido»Um homem que inscreveu seu nome na história do concelho
Rodrigo Mendes foi ordenado sacerdote em 18 de Agosto de 1968. Há mais de 50 anos que a sua vida sacerdotal está ligada ao concelho do Barreiro, na Paróquia de Santa Margarida, no Lavradio, na Igreja de Nª Srª do Rosário e na Igreja de Santa Maria. Exerceu a Presidência do Conselho Fiscal da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
No ano 2015, foi distinguido com o galardão «Barreiro Reconhecido», na área da Resistência Antifascista, Democracia, Cidadania e Luta pela Liberdade.

Por Jornal Rostos
Foi na Igreja de São Gonçalo, em Amarante, no dia 18 de Agosto de 1968, que Rodrigo Mendes foi ordenado sacerdote. Um Padre Operário. Um cidadão activo. Um homem de cultura. Um homem que vivia cidadania de corpo inteiro.
Conheci o Padre Rodrigo nos princípios dos anos 70, antes do 25 de Abril, na Igreja do Lavradio, quando fui padrinho de baptismo da minha sobrinha Sandra.
No decorrer do beberete, no antigo Café Palmeiras, ficamos perto um do outro, e conversámos. E foi nessa conversa que pela primeira vez escutei, dita pelo Padre Rodrigo, a palavra Fascismo. Nunca mais esqueci o seu amor à Liberdade e Democracia.
Depois cruzamos a nossa vida diversas vezes, na Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, quando exerci o cargo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral, em substituição do Drº Agostinho Nunes, ele exercia o cargo de Presidente do Conselho Fiscal. Conversámos muitas vezes. Partilhamos contextos e situações. Marcas da vida.
Entrevistei para o «Jornal do Barreiro» e para o «Rostos» e, ainda, recentemente fiz com ele, na Igreja de Santa Maria, uma adorável conversa de 5 minutos, em conjunto com a BxBTV.
Mantive ao longo da vida uma grande proximidade e respeito pelo Padre Rodrigo. Nas Procissões de Nª Srª do Rosário, quando a procissão cruzava o lugar onde eu estava, em silêncio, a observar, ele, olhava para mim, sorria e piscava o olho. Não vou esquecer esse gesto de partilha da vida. Simples e puro.
O Padre Rodrigo foi um homem de cultura, recordo a alegria que ele viveu quando, de novo, no órgão da Igreja de Nª Srº do Rosário se reiniciaram os concertos. Como ele estava feliz. E os concertos com o Rao Kyao, que ele adorava, quer pela espiritualidade dos sons, quer pela amizade que partilhava com esse vulto da música portuguesa.
«O Barreiro está-me no sangue, na fé e no sacerdócio», escreveu no jornal «Rostos», quando assumiu as suas funções ao serviço da Paróquia de Santa Maria do Barreiro. Uma Paróquia que serviu até ao limite, com o coração, com a sua fé e com o seu amor ao Barreiro. Um homem de uma grande nobreza.
Padre Rodrigo, quero dizer-lhe que foi uma honra para mim todas as vezes que consigo partilhei a vida, que vou guardar num cantinho a nossa amizade e as palavras solidárias que partilhamos, mesmo com pontos de vista diferentes, sempre cultivamos a amizade, o respeito e solidariedade. Obrigado.
Aqui fica uma enorme piscadela de olho. Um destes dias conversamos. Lá longe onde o silêncio se faz eternidade. Um grande abraço.
Até sempre Padre Rodrigo!
António Sousa Pereira










