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Cidade com Rostos

Ficámos sem um amigo! Choremos!Por Carlos Alberto Correia
Barreiro / Sesimbra

Recebi a notícia por intermédio de um amigo comovido até às lágrimas. Morreu o Luís! Choremos!

Fiquei transido. Sabia que estivera doente, melhorara, começara a fazer a sua vida normal e, distraído com os afazeres diários considerei a batalha ganha e desliguei. Até hoje! Fui despedir-me ao Crematório da Quinta do Conde, como era de esperar, pejada de amigos e amigos de amigos.

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Ficámos sem um amigo! Choremos! Por Carlos Alberto Correia Barreiro / Sesimbra

Por Jornal Rostos

O Luís Tiago Gouveia, nascido no Funchal em oito de agosto de 1959, com residência em Sesimbra, não deixava indiferente quem o conhecesse. Tive essa oportunidade através do Kira. Aconteceu num almoço no Restaurante Zeppelin em alegre convivência com outros amigos. Desde esse dia foi acrescentado à lista das pessoas de quem gostava e em quem poderia confiar. Não minto se disser que a partir do nosso primeiro encontro entrou para a lista daqueles a quem, sem vergonha, posso denominar como irmão. Foi assim a nossa amizade.

Ao ver o rolar do féretro para a fornalha lembrei-me de que naquele corpo, em breve reduzido a cinzas, habitara um homem justo e perfeito na luta pelo conhecimento, pelo autoaperfeiçoamento, na batalha da luz contra o obscurantismo. Para mim, um mestre!

Não fora ter com ele aprendido a forma como a Beleza poderia ordenar as nossas vidas, sentiria como mais definitiva a perda do corpo da pessoa naquele trânsito final. A colmatar a perda subsistiam as vozes com que me ilustrara, me ensinara a combater preconceito e tiranias e me ajudara a glorificar a virtude, a justiça, a razão, a verdade e a tolerância.

Por tudo isto a sua sentida morte nunca será a morte completa, porque, em mim e muitos outros, o seu pensamento continuará a frutificar na nossa eterna luta pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade; por um mundo mais justo onde mais que o ter se valorize a forma como se é ou aquela que pretendemos alcançar.

Por tudo isto não serão precisas mais palavras. Ele ergueu as suas colunas e construiu o templo da sua vida, com a sublime generosidade de não guardar apenas para si os conhecimentos alcançados. Sempre partilhou connosco as suas descobertas, sempre viveu em plenitude os alicerces das suas crenças. Portanto podemos chorar, chorar, chorar com os olhos do corpo que os do espírito continuando o seu caminho, olhando os distantes orientes solares, continuarão a murmurar-nos, sigam em frente amigos. Tudo está certo e perfeito!

Carlos Alberto Correia

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