Barreiro – Faleceu Maria Viegas Lopes PiteiraUma resistente e mãe de Viegas Piteira ex- vereador da CMB

Por Jornal Rostos
Ontem ao fim da tarde, ao passar junto à sede do Partido Comunista Português, no Lavradio, notei que, no placard de informações, estava afixada uma nota de obituário. Parei para ler. Era um texto de Viegas Piteira, sobre a partida da sua mãe para eternidade.
Na verdade, pela manhã, num encontro casual, com o meu amigo Piteira, ele disse-me: “A Mimi partiu”. “Assim descansou”, disse-lhe, e, com tristeza, expressei a minha fraterna solidariedade.
Li a nota do Piteira sobre a sua mãe, que partiu, como sempre esteve na vida, discreta no comunicar e no fazer, mas sempre activa, critica e atenta à vida e ao mundo.
Recorda o Piteira que sua mãe, era uma idealista, uma sonhadora, uma lutadora de causas, pela Liberdade, Justiça e pela Igualdade entre homens e mulheres.
Foi uma mulher com M-Grande, uma mulher da resistência, para evitar a perseguição da PIDE, na sua terra Aljustrel, foi viver para Moçambique, onde conheceu o amor da sua vida.
A Mimi, a forma carinhosa como o Piteira, fala de sua mãe, deixou-nos um legado de positividade e rebeldia, uma história de vida contra o pessimismo.
“Acreditava em Deus, tinha com ele uma relação pessoal, pois, Jesus Cristo era para ela um exemplo de lutador contra as injustiças humanas”, escreve o Meu amigo Piteira.
Conheci a mãe do Piteira, um rosto sempre presente nos bastidores da acção política do PCP, na freguesia do Lavradio, uma mulher que estava na primeira linha e que defendia os seus valores, um dos muitos rostos que ergueram o quotidiano do PCP, nos temos do PREC e na democracia.
Mantivemos sempre uma relação cordial, e, quando a encontrava nas visitas ao seu filho, aqui, no nosso bairro, recordo a sua simpatia na troca de palavras e o sorriso do seu olhar. Sempre vertical. Sempre com dignidade.
Foi com tristeza que recebi a notícia. Aqui fica o meu abraço solidário para o Piteira, um amigo de longa data, que escreveu nas páginas do extinto Jornal Daterra, e, um dia, foi vereador da Câmara Municipal do Barreiro, com quem trabalhei e partilhei as aventuras da vida autárquica.
Até sempre Mimi.
António Sousa Pereira










