Rotary Club do BarreiroLista de espera atinge duas mil pessoas na Misericórdia

Por Cláudio Delicado
«Há hoje situações muito difíceis no Barreiro, não economicamente, mas na área social. A lista de espera da Misericórdia chega às duas mil pessoas. As vagas são escassas e sou eu que tenho que decidir quem entra, tentando ver quais os casos mais urgentes, cruzando informações como o quadro social da pessoa, o grau de isolamento e o estado de saúde», explicou Júlio Freire.
Actualmente com dois lares de idosos (um para acamados), um centro de dia, apoio domiciliário e centros de acolhimento, a Santa Casa criou mais uma valência da sua vasta área de intervenção: apoio aos sem-abrigo e carenciados. «Os sem-abrigo todos conhecem, vivem na rua e é fácil chegar-lhes; agora os carenciados são normalmente pessoas que escondem os seus problemas, têm vergonha e somos nós que os temos procurado nas zonas mais carenciadas do concelho. Com a degradação das condições sociais tem havido um aumento extraordinário da nossa actividade», salientou o Provedor.
Com um orçamento de 600 mil contos para este ano – mais de 200 mil gastos em pessoal - a Santa Casa do Barreiro tem nos acordos com o Estado e nas pensões dos idosos as suas principais fontes de receita. Para Júlio Freire «o Estado ganha com estes acordos porque cabe ao Estado o apoio aos doentes e idosos e nós conseguimos fazê-lo por metade do preço; das pensões dos idosos 15% é para os seus gastos, sem precisarem de mendigar ou pedir esmola e, se à partida parece pouco, garanto que é suficiente e que é muito perigoso estas pessoas indefesas andarem com muito dinheiro».
Projectos
O grande projecto da Santa Casa do Barreiro é a construção de um hospital de rectaguarda. Tendo sido das primeiras Misericórdias a lançar-se neste projecto, tem encontrado grandes obstáculos com o poder político, já que como explicou o Provedor «cada vez que o projecto está bem encaminhado cai o Governo ou muda a Câmara».
O hospital de rectaguarda teria, de acordo com o projecto, 60 a 90 camas e fecharia um ciclo muito importante na área social do concelho: «teríamos assim uma complementaridade entre valências com o hospital e depois com um conjunto de valências que poderiam acolher os casos mais graves e os mais urgentes, consoante as necessidades», explicou o orador. O grande trunfo deste projecto é também a redução dos custos do hospital central, já que – de acordo com o Provedor – de cerca de 200 Euros/dia por cada cama passará para cerca de 80 Euros.
O projecto está actualmente em fase avançada através das parcerias da Misericórdia do Barreiro com a Câmara Municipal, o Hospital Nossa Senhora do Rosário e a Fundação Oriente (através da Fundação Saúde). A questão agora é apenas «vontade política porque o projecto está pensado e tem o financiamento necessário», referiu Júlio Freire.
Em fase final de projecto está também a construção do Centro Comunitário de Santo António, junto à Quinta da Mina que atenderá cerca de 250 pessoas por dia; através de uma parceria com a Refer, foi alugado um armazém para apoio aos carenciados; foram também criadas quatro empresas de inserção social, que possuem já cerca de 30 trabalhadores com formação que fazem apoio domiciliário. Um novo edifício dentro das instalações da Misericórdia vai brevemente ser construído para os sem-abrigo e em fase de estudo está também a construção de uma capela e de uma creche.
Do menu fez também parte uma viagem pelas Misericórdias que começaram em Florença nos finais do século XII e que chegaram a Portugal em 1498 pela mão da Rainha D. Leonor. De imediato se espalharam por todo o país, tendo chegado ao Barreiro apenas a 7 de Outubro de 1560, uma vez que aquando da expansão destas instituições o Barreiro não era ainda concelho e pertencia a Alhos Vedros. Hoje é uma das mais prestigiadas do país e é uma das forças activas do concelho, com resultados provados e muitos projectos para um futuro próximo... mais feliz e solidário.










