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Cidade com Rostos

Fernando Rosas explica ascensão e queda de Salazar

A iniciativa "O livro mais perto de si", promovida pelo Círculo de Leitores trouxe ao Barreiro, no dia 21 de Março, o historiador Fernando Rosas, para uma sessão com o tema "Salazar e as Figuras do Poder no Estado Novo - Correspondência Política", que teve lugar no auditório da Biblioteca Municipal.
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Por Joana Peralta

A noite do dia 21 de Março ficou marcada pela presença do historiador e um dos fundadores do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas, que momentos antes do verdadeiro motivo que o trouxe à nossa cidade, não resistiu a participar na vigília pela paz, que decorria junto da estátua de Alfredo da Silva.
Segundo o vereador da Cultura, Amílcar Romano, esta palestra surgiu no âmbito de uma parceria da Biblioteca Municipal com o Círculo de Leitores, "no sentido de promover o livro, o gosto pela leitura e de ir potenciando hábitos que se perdem cada vez mais". Tal como também sublinhou a representante desta editora, "é importante trazer os autores aos locais privilegiados para o encontro das pessoas", de modo a trazer os livros aos seus potenciais leitores.
Na sua intervenção, Fernando Rosas estabeleceu um certo percurso pela vida de Salazar "enquanto homem político, ditador, que marcou metade do século XX português", tentando explicar a origem do poder pessoal de Salazar como chefe indiscutível de um regime, "que concentra nas suas mãos mais poder de decisão do que Mussolini ou mesmo Hitler".
Tendo por base o seu livro "Daniel Barbosa, Salazar e Caetano - Correspondência Política", Fernando Rosas revelou que "havia praxes no comportamento das pessoas, que levava a que certos assuntos fossem tratados por carta", apesar de"serem muito poucos os homens que falam de igual para igual com Salazar, nas suas epístolas, sendo o caso de Marcelo Caetano, o embaixador Armindo Monteiro e Pedro Teotónio Pereira.
Aludindo à solidão com que Salazar terminou os seus dias, Fernando Rosas terminou a sua palestra citando uma frase célebre do ditador: "Não me preocupa ser amado pelo povo, mas sim ser respeitado".
Seguiu-se um debate com o público, onde se tentaram esclarecer alguns episódios menos claros da vida e estratégia de Salazar. Muitos mistérios ficam por resolver, que nem as cartas conseguem desvendar.
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