Emídio XavierPresidente da Câmara Municipal do Barreiro
“O melhor caminho para que os barreirenses voltem de novo a viver a sua cidade”
Conversámos com Emídio Xavier, presidente da Câmara Municipal do Barreiro que nos fez o balanço desta iniciativa.
Uma ideia força retirámos – esta iniciativa e muitas outras como esta, na sua opinião, são essenciais para que o Barreiro recuse a ideia de cidade dormitório

Por António Sousa Pereira
Que avaliação final faz das Festas do Barreiro e MEI2003 – Mostra Empresarial e Institucional ?
“Penso que as Festas do Barreiro e este certame foram, realmente, um salto qualitativo, e, considero que isso foi conseguido através de uma soma de factores que foram fundamentais. Em primeiro lugar a preocupação de, de alguma maneira, de promover uma Mostra Empresarial e Institucional, através da qual foi possível trazer de novo os empresários do Barreiro ao contacto directo com a população e participarem nas suas Festas.
Outro aspecto relevante foi termos introduzido nas Festas uma Mostra Institucional, tendo este ano como mote – A alma Alentejana. Que, para nós, foi uma homenagem natural a muitos barreirenses que têm origem no Alentejo mas, do meu ponto de vista, abre, também, a possibilidade de em cada ano, e, em cada festa, uma ideia inovadora, que permita trazer sempre algo de novo e algo de diferente nas Festas do Barreiro.
Eu considero que nós, com as Festas do ano passado que, tinham sido, como dissemos, um pouco, as Festas possíveis, tínhamos chegado a uma situação que era de alguma maneira insustentável, isto é: ou não valia a pena fazer Festas, ou tínhamos que lhes dar uma força nova. Penso que isso foi conseguido. Devo dizer que isso deve-se a um esforço, com significado, de muitos trabalhadores da autarquia que se dedicaram à preparação destas Festas de alma e coração e que, num prazo reduzido, conseguiram efectivamente dar uma ar novo esta iniciativa.
Penso que as expectativas criadas atraíram muita gente mas, também, o facto de as Festas estarem bastante bem organizadas, quer pelo facto de a Mostra Empresarial e Institucional estarem bastante próxima das Festas e permitir que este certame funcione como a sua continuidade, mas, ficando fisicamente, clara, a separação da MEI2003 das próprias Festas, isto permitiu atingirmos algo que, para mim, confesso, foi uma grande surpresa.
È de registar que este é um período que se esperava que muita gente não estivesse no Barreiro o que parece que pudemos concluir é que, na realidade, toda a gente que estava no Barreiro veio às Festas. Nós não avaliámos os números, completamente, mas pudemos dizer que muitas dezenas de milhares de barreirenses vieram às Festas e curiosamente, muitos deles, vieram mais que uma vez o que prova que saíram daqui agradados e que querem, efectivamente, continuar.
Estas Festas representam para nós um enorme desafio. A partir de agora a exigência dos barreirenses aumentou. Portanto, embora, agora, tenhamos a vantagem de ter mais tempo para preparar outro tipo de Festas, a realidade é que, como é normal, atingido um determinado objectivo, os barreirenses vão exigir-nos que mantenhamos uma certa qualidade nas Festas e isso, para nós, vai ser um desafio”.
Lançou o repto de, no próximo ano o tema das Festas ser o Movimento Associativo. Vai avançar essa ideia?
“Penso que esse, na verdade, pode ser o tema, o mote, para o próximo ano. Eu acho, como disse, o que deve acontecer é que em cada ano tenhamos um tema novo que permita mostrar as muitas facetas da sociedade barreirense. Considero que o Movimento Associativo tem, pela força que mantém, apesar de muitas referências à crise do associativismo, a verdade é que o Barreiro continua a ser uma cidade associativa, uma cidade onde as instituições e as colectividades têm um peso muito grande, por isso, achamos que pode ser, para o ano, isso mesmo, o motivo para que muito do que se passa e que, por vezes, só é do conhecimento dos sócios das colectividades que venha ao conhecimento do grande público e, dessa maneira, reforce aquilo que para nós é fundamental, que é a força do Movimento Associativo naquilo que é, naturalmente, como causa da coesão e da solidariedade social dos barreirenses.”
Pode considerar-se que este modelo de Festas, deste ano, será aquele que ficar instituído nos próximos anos? Contando com as Festas, a MEI e as Tasquinhas?
“As Tasquinhas foram também uma experiência nova. Claro, nova no Barreiro, porque, já há anos, que em muitos locais do país, se faz este tipo de utilização. Eu acho que, também aqui, nesta actividade, o que se procurou, foi que as Tasquinhas surgissem como complementaridade e, nesse contexto, foram também importantes porque, ficou provado que, aquele espaço, transformou-se num local de encontro dos barreirenses, num Barreiro que, infelizmente, nem sempre tem a quantidade de esplanadas e outros locais onde os barreirenses se possam reunir, a verdade, é que esta experiência resultou, possibilitou uma animação, atraindo a essa zona e ao seu próprio lazer, até pessoas mais idosas que ali renovam a sua vontade de dançar e, sobretudo, penso que isso foi fundamental, é, que, as Tasquinhas foram um ponto de encontro dos barreirenses.
É positivo que no Barreiro acabemos com a tendência de algumas pessoas de se fecharem nas suas casas. Esta, experiência, como todas as outras, iremos avaliar, e, naturalmente, concluir se devem, ou não ser repetidas. Esta, penso que deve ser continuada.
Se, no futuro, as Festas terão este modelo, ou exactamente estes moldes, penso que não devemos comprometer-nos porque, como em tudo na vida, o espírito da mudança, da renovação, a capacidade de improvisar e fazer coisas novas, é isso, hoje, que atrai os cidadãos e nós queremos que as Festas do Barreiro não sejam, necessariamente, de ano para ano, uma cópia.
É verdade que as tasquinhas vão prolongar-se para além das próprias Festas?
“Vamos fazer esse teste. As pessoas que estão, hoje, nas zonas das Tasquinhas pediram-nos para manter, pelo menos, até ao fim do mês. Vamos experimentar e se resultar, porque não, para o ano, em Julho e Agosto, termos esta área para se transformar num ponto de encontro dos barreirenses.
Os barreirenses têm, pela sua tradição de associativismo, pela sua vontade de sair para a rua nos meses mais quentes, que ter pontos de encontro, onde, sem compromissos de custos, as pessoas se possam divertir e comer e, sobretudo conversar.
Eu acho que o Barreiro, pela tradição que tem, ao longo de todos estes anos, é fundamental que seja capaz de cultivar a tolerância, o diálogo, e nada mais fácil que desenvolver essa tolerância e a capacidade de diálogo à volta das mesas dos cafés, e, penso que é nesse espírito, nessa vontade que os barreirenses se encontrem e falem que considero que as Tasquinhas é uma área a proteger e desenvolver”.
Numa reflexão final sobre as Festas sente-se satisfeito com a afluência e com o conjunto de actividades que animaram as Festas?
“Eu considero que, mais que o meu comentário, o facto de termos tido uma afluência que ultrapassou, claramente as expectativas, das tais dezenas de milhares de pessoas que terão vindo às Festas essa é a prova que os barreirenses aderiram.
Compete-nos a nós, naturalmente, fazer uma avaliação e observar como os barreirenses viveram as Festas e concluir que é necessário que este tipo de Festas continue. Estou, naturalmente, satisfeito. Porque, como lhe disse, tendo sido necessário fazer a opção do salto qualitativo, que era necessário, a presença dos barreirenses, neste dias, é a prova cabal que, contrariamente ao que muita gente pensa, as pessoas gostam das Festas da sua cidade e querem ter orgulho nelas.”
Considera que as Festas do Barreiro são parte essencial de uma estratégia de promoção da imagem da cidade?
“Eu acho que o Barreiro sendo uma terra que vive influenciada por Lisboa tinha e tem o risco de se tornar uma terra dormitório. São coisas como esta, são o trazer as pessoas para a rua, de permitir que as pessoas convivam que acabará com essa ideia do Barreiro dormitório.
Como eu digo, a principal função de quem está, hoje, a gerir o Barreiro é fixar os barreirenses ao Barreiro e, isso, implica, necessariamente, encontrar no Barreiro motivos para que os barreirenses se encontrem no Barreiro, aqui, encontrem motivos para aqui ficarem, estas Festas, como outras iniciativas, têm que enquadradas nesse contexto.
É preciso ter o bom senso de perceber que as Festas também são cultura e que, muitas vezes, a possibilidade de criar pontos de encontro é o melhor caminho para que os barreirenses voltem de novo a viver a sua cidade, como uma cidade que não é apenas o ponto onde se vem dormir, quando se trabalha em Lisboa, mas que o Barreiro é uma terra onde se pode viver, conversar e conviver.”
Emídio Xavier, registámos, sentia-se feliz com os resultados das Festas do Barreiro 2003 mas, deixava em aberto que este era isso, apenas isso, um ponto de partida para que as Festas da Cidade deixem de ser, de facto, de ano para ano, uma cópia do ano anterior.










