WE ARE NOT ROCK DJs, O NASCIMENTO DE UM COLECTIVO NA ABERTURA DO BARREIRO ROCKS
Por Jornal Rostos
ROSTOS: Quem são os WE ARE NOT ROCK DJs?
Os WANRDJs são duas pessoas formadas em jornalismo e que o praticam, especialmente jornalismo musical, entretanto estão também noutras áreas, um como jornalista, outro como editor de musica e que têm esta paixão comum, gostam imenso de andar a partilhar discos, mp3s, tudo e mais alguma coisa. Mais relacionado com o Rock, quase sempre mais relacionado com o Rock do que com qualquer outro estilo musical. Entretanto surgiu o convite por parte de pessoas que nos são próximas de virmos fazer isto e achámos imensa piada. Estivemos durante vários dias, ontem durante várias horas seguidas a planear tudo para que as coisas corressem bem.
ROSTOS: É a primeira vez que actuam no Barreiro?
WANRDJs: Não. É a primeira vez que actuamos como colectivo, eu já actuei no Barreiro, até porque vivi no Barreiro muitos anos, já actuei com outras bandas, a tocar baixo, a cantar etc.
ROSTOS: Já não vives no Barreiro?
WANRDJs: Não, vivo em Lisboa.
ROSTOS: Têm feito actuações em Lisboa?
WANRDJs: Não, esta foi a primeira actuação que fizemos enquanto dupla ou dueto como quiserem. A questão é que, sinceramente, acho que ficámos com pica para fazer mais.
ROSTOS: Em termos de som quais são as vossas influências mais fortes?
WANRDJs: As nossas influências mais fortes acabam sempre por ser a música com que crescemos, quando tínhamos quinze ou dezasseis anos, ou seja nós temos vinte e nove, trintas, portanto vamos apanhar o final dos anos 80, princípio dos anos 90. Portanto é todo aquele Rock Norte-americano e também algum da Grã-Bretanha, que apanhámos e, apesar de agora ouvirmos coisas diferentes, acaba por ser a nossa base musical e aquilo de que nos servimos, pelo menos em termos de leitura, quando, por exemplo, agora que quisemos fazer um set, quisemos pegar, não só, em coisas que estão aí agora, que toda a gente conhece, como outras coisas do passado. Esta ultima musica que passou era de 82, tem quase 22 anos, e no entanto achei piada porque vieram logo perguntar o que era porque não conheciam.
ROSTOS: Então isto para o publico mais novo acaba também por servir de formação...
WANRDJs: A ideia é dar um bocado de actualidade, que eles conhecem e depois um bocadinho de formação, sim, sem estar a querer ser professoral, mas acho que a ideia da música, é mesmo essa, educar, de uma maneira ou de outra é sempre educar. Para criar bases para que as pessoas no futuro consigam ouvir por si próprias.
ROSTOS: No fundo pretende-se ver, bandas que nos marcaram numa determinada idade, aquilo que ainda conseguem fazer a pessoas da mesma idade...
WANRDJs: Sim, sim, as influências... há bandas que são irremediavelmente..., aliás vão ficar, irremediavelmente para a história, quer nós gostemos muito ou não delas, vão ficar. Porque entretanto aquelas existiram naquele período, entretanto influenciaram trinta ou quarenta, que influenciaram cem ou duzentas. São ciclos que andam sempre à volta, e aliás, as tendências musicais, como hoje se diz, existe muito a onda de voltar atrás no Punk, voltar atrás no electro...
ROSTOS: Caso do DJ Kitten ?
WANRDJs: Eu gosto muito do Kitten, mas eu próprio passo por brincadeira, em festas raramente toco Rock, vou buscar Pop dos anos 80, coisas dos anos 70, muito Disco e Funk, aquela onda Brasileira e da América Latina que misturava o Funk com o Tropicalismo, vou buscar isso. Mas aqui foi um formato diferente, mas não tenho problema nenhum, e ele também não, em colocar jingles de séries televisivas, desde a Galáctica ao Dallas, do A-Team à Heidi. E isso resulta, abrimos e fechamos ás vezes os sets com isso, e tem piada, mas quase sempre entre amigos. Aqui foi um bocadinho mais direccionado ao público, tivemos que estar a pensar o que iríamos colocar. Não colocámos tudo o que queríamos, senão tínhamos acabado ás três da manhã, mas foi engraçado.
ROSTOS: Acham que esta apresentação que fizeram aqui hoje poderia resultar nas outras duas datas do Barreiro Rocks, a intervalar as bandas...
WANRDJs: Acho que sim, por acaso não surgiu o convite, nós estamos a fazer isto por carolice, é mesmo por gosto. Acho que provavelmente se utilizássemos os nossos recursos para acabar uma noite, era muito melhor do que intervalar. No início quando aceitámos, pensámos que seria antes e depois das bandas acabarem, não durante.
ROSTOS: Aqui vocês surgem num festival de Garage Rock no meio de algumas bandas, alguma vez pensaram animar outros espaços no Barreiro.
WANRDJs: É possível, desde que haja convites para isso, desde que haja vontade para isso, a vontade não é só nossa, claro que sim, porque não.
ROSTOS: Acham que o Barreiro actualmente começa a ter condições para esse tipo de animação. Estou a falar dos espaços culturais que surgiram entretanto.
WANRDJs: Felizmente acho que houve uma grande motivação por parte das pessoas, da área da juventude ou a vereadora da Cultura, em explorar cada vez mais a parte musical. É uma coisa que sempre me fez um bocado de confusão, como já disse vivi aqui durante seis anos, nos quais toquei pelo menos em duas bandas cá, viemos tocar várias vezes aqui ao El Matador e a outros sítios e sempre achei que as bandas no Barreiro tinham um grande som, eram muito boas e que nunca são aproveitadas. Temos o exemplo de Almada e outras, em que as câmaras apoiam as bandas que acabam por ter uma projecção muito melhor para o outro lado, para Lisboa. E nós estamos do outro lado de Lisboa também, a única questão é que nós temos aqui umas fábricas e eles não têm lá, têm cacilheiros e nós temos a SOFLUSA, acho que sempre houve matéria-prima muito boa para explorar no Barreiro só que nunca foi explorada. Para utilizar uma expressão americana, acho que houve um gap, um buraco, e podia-se estar muito bem. A câmara podia apostar nisso, nem que fosse fazendo um concurso interno no Barreiro em que as bandas seleccionadas gravariam um CD, os custos são reduzidos e dinamizava muito a parte cultural. Fazer um concurso, gravar um CD e entregá-lo nos meios de comunicação social e nas câmaras municipais custa muito menos que trazer um artista de topo a tocar cá, e a diferença monetária é gigantesca, acho que é muito mais proveitoso promover aquilo que existe na terra. A matéria-prima é tão boa que devia ser aproveitada.
LUís Alcantâra










