A apresentação de “A Filha Rebelde”Proporciona reencontro com a “História”
Esta iniciativa para além de ter proporcionado uma abordagem da obra, deu aos participantes uma oportunidade de percorrerem memórias do Barreiro e suas gentes.

Por S.P.
O debate foi moderado por Miguel Sousa, Director do Jornal do Barreiro, que em colaboração com a Livraria Bocage, promoveu esta iniciativa.
Berta Silva Pais, filha de Armando Silva Pais, falou de Annie, sua prima, referindo que esta obra “foi uma agradável surpresa”, contribuiu para “desmistificar boatos” e “conseguem transmitir a alma da Annie”.
Berta Silva Pais salientou que herdou dos seu pai valores que procura preservar – “amor à terra”; “amor ao nome” e “amor à verdade” e recordou alguns episódios das suas relaçôes com Silva Pais, seu tio, Inspector da PIDE e pai de Annie a “Filha Rebelde”, quer antes do 25 de Abril, quer após a revolução, nas celas de Caxias – “Fui a primeira pessoa a ver o meu tio na prisão. O meu coração quase que rebentava”.
Joaquim Pacheco, um barreirense que conheceu Annie, em Cuba, recordou alguns episódios dessa sua relação de amizade e sublinhou que os cubanos “gostavam muito dela”.
Silva Pais pediu demissão
Jorge Morais, jornalista, colocou a pergunta, porque razão, sendo a Polícia Política portuguesa a força repressiva que era, num regime como aquele, o seu Chefe máximo, Silva Pais, tem uma filha que foge para Cuba e o homem mantém-se no lugar. Porquê ?
Procurando analisar as razões o jornalista analisou a evolução da PIDE, desde as suas origens no período pós derrube da Monarquia, numa primeira fase com uma acção marcada pela violência- casseteira, de repressão gratuita, evoluindo para um sistema com técnicas de investigação e pesquisa policial, com uma acção mais “sofisticada”.
Armando Teixeira e Apolónia Teixeira, ergueram-se na plateia, em protesto, criticando Jorge Morais, que na opinião destes ex-prisioneiros da PIDE, estava a procurar “fazer o branqueamento da acção de Silva Pais e da PIDE”. Sanado aquele acidente de percurso, o jornalista Jorge Morais concluiu a sua intervenção, referindo que Silva Pais após a fuga da sua filha para Cuba, colocou o seu lugar à disposição de Salazar.
Há história por escrever
Daniel Cabrita, sindicalista, começou por referir que não se identificava com a análise de Jorge Morais e recordou que nos tempos de Silva Pais a PIDE assassinou Humberto Delgado.
Quanto à obra “A Filha Rebelde” Daniel Cabrita expressou o seu deslumbramento, pela riqueza da linguagem e por ser uma obra que reconheceu foi escrita com rigor e seriedade e um “humanismo muito grande”.
“Esta obra sobre a vida de Annie, tem em pano de fundo a visão histórica de uma época” – salientou Daniel Cabrita.
Seguiu-se um período de debate no decorrer do qual José Pedro Castanheira recordou que esta obra revela como “há toda uma história para escrever da nossa vida e da vida dos nossos pais” – acrescentando que – “quase nada está escrito sobre aquilo que vivemos”.
Na sua opinião “Annie é uma das grandes figuras femininas do século XX, embora a importância da Annie surja também pelo facto de ser filha de Silva Pais, Inspector da PIDE, figura que mais tempo esteve preso, após o 25 de Abril e que acabou por de certa maneira ser “injustiçado”.
Para José Pedro Castanheira, esta sua obra permitiu-lhe fazer “jornalismo puro e duro” – “um ensaio sobre a natureza humana” na sua complexidade e riqueza.










