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Cidade com Rostos

A apresentação de “A Filha Rebelde”Proporciona reencontro com a “História”

No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro foi apresentado o livro “A Filha Rebelde”, de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, a qual dá a conhecer a vida de Annie Silva Pais, filha de Silva Pais, Inspector da PIDE.
Esta iniciativa para além de ter proporcionado uma abordagem da obra, deu aos participantes uma oportunidade de percorrerem memórias do Barreiro e suas gentes.
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A apresentação de “A Filha Rebelde” Proporciona reencontro com a “História”

Por S.P.

O debate foi moderado por Miguel Sousa, Director do Jornal do Barreiro, que em colaboração com a Livraria Bocage, promoveu esta iniciativa.
Berta Silva Pais, filha de Armando Silva Pais, falou de Annie, sua prima, referindo que esta obra “foi uma agradável surpresa”, contribuiu para “desmistificar boatos” e “conseguem transmitir a alma da Annie”.
Berta Silva Pais salientou que herdou dos seu pai valores que procura preservar – “amor à terra”; “amor ao nome” e “amor à verdade” e recordou alguns episódios das suas relaçôes com Silva Pais, seu tio, Inspector da PIDE e pai de Annie a “Filha Rebelde”, quer antes do 25 de Abril, quer após a revolução, nas celas de Caxias – “Fui a primeira pessoa a ver o meu tio na prisão. O meu coração quase que rebentava”.
Joaquim Pacheco, um barreirense que conheceu Annie, em Cuba, recordou alguns episódios dessa sua relação de amizade e sublinhou que os cubanos “gostavam muito dela”.

Silva Pais pediu demissão

Jorge Morais, jornalista, colocou a pergunta, porque razão, sendo a Polícia Política portuguesa a força repressiva que era, num regime como aquele, o seu Chefe máximo, Silva Pais, tem uma filha que foge para Cuba e o homem mantém-se no lugar. Porquê ?
Procurando analisar as razões o jornalista analisou a evolução da PIDE, desde as suas origens no período pós derrube da Monarquia, numa primeira fase com uma acção marcada pela violência- casseteira, de repressão gratuita, evoluindo para um sistema com técnicas de investigação e pesquisa policial, com uma acção mais “sofisticada”.
Armando Teixeira e Apolónia Teixeira, ergueram-se na plateia, em protesto, criticando Jorge Morais, que na opinião destes ex-prisioneiros da PIDE, estava a procurar “fazer o branqueamento da acção de Silva Pais e da PIDE”. Sanado aquele acidente de percurso, o jornalista Jorge Morais concluiu a sua intervenção, referindo que Silva Pais após a fuga da sua filha para Cuba, colocou o seu lugar à disposição de Salazar.

Há história por escrever

Daniel Cabrita, sindicalista, começou por referir que não se identificava com a análise de Jorge Morais e recordou que nos tempos de Silva Pais a PIDE assassinou Humberto Delgado.
Quanto à obra “A Filha Rebelde” Daniel Cabrita expressou o seu deslumbramento, pela riqueza da linguagem e por ser uma obra que reconheceu foi escrita com rigor e seriedade e um “humanismo muito grande”.
“Esta obra sobre a vida de Annie, tem em pano de fundo a visão histórica de uma época” – salientou Daniel Cabrita.
Seguiu-se um período de debate no decorrer do qual José Pedro Castanheira recordou que esta obra revela como “há toda uma história para escrever da nossa vida e da vida dos nossos pais” – acrescentando que – “quase nada está escrito sobre aquilo que vivemos”.
Na sua opinião “Annie é uma das grandes figuras femininas do século XX, embora a importância da Annie surja também pelo facto de ser filha de Silva Pais, Inspector da PIDE, figura que mais tempo esteve preso, após o 25 de Abril e que acabou por de certa maneira ser “injustiçado”.
Para José Pedro Castanheira, esta sua obra permitiu-lhe fazer “jornalismo puro e duro” – “um ensaio sobre a natureza humana” na sua complexidade e riqueza.

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