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Cidade com Rostos

Luís Pedro Cerqueira, Vereador do PlaneamentoÉ fundamental promover a coesão territorial da Margem Sul

Numa breve conversa com o Vereador Luís Pedro Cerqueira, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro e responsável pelo Pelouro do Planeamento e Urbanismo, começámos por interrogar sobre o binómio Urbanismo - Habitação, nomeadamente sobre as relações que podem ou devem existir entre estes dois conceitos, qual deve estar ao serviço um do outro.
5 min de leitura

Por António Sousa Pereira

“A Habitação é parte integrante do Urbanismo, estão intimamente ligados e não há subordinação de um ao outro, no entanto, há políticas urbanísticas que têm incidência directa na Habitação.
Nesse quadro de incidências directas de políticas de Habitação, aí, nesse caso, é preciso ponderar os efeitos que elas terão ao nível urbanístico.
Para dividir em dois grandes blocos temos : Políticas Urbanísticas que assentam, claramente, na expansão do Parque Habitacional, e, Políticas Urbanísticas que assentam na recuperação do actual Parque Habitacional, na preservação da cidade que temos e da memória que temos dessa cidade.
É necessário que existam Políticas de Expansão da Cidade. Sabemos que na Expansão da Cidade, é marcante a área, o espaço, consagrado à expansão Urbana para Habitação.” Começou por referir Luís Pedro Cerqueira.

Urgente conservar Património

“Na fase em que estamos, neste momento, de Revisão do Plano Director Municipal, penso que temos uma perspectiva que devemos ponderar : olhando o quadro de crescimento de população que temos em Portugal, o quadro de crescimento que temos na Área Metropolitana de Lisboa, esses são muito baixos, mas, também num quadro de mobilidade intrametropolitana que ainda hoje existe, devemos reflectir se o Barreiro deve ou não deve manter uma Política de Expansão Urbana e que características deve ter essa política de expansão urbana.
Parece-me fundamental, neste momento, uma coisa, que é começarmos a ter uma clara Política de Conservação do Património Habitacional que existe no Barreiro e, até que ponto, com que profundidade, com que transformação, na recuperação desse património se deve intervir.”

Moderar crescimento Populacional

Perante esta reflexão inicial do Vereador Luís Cerqueira, sublinhámos que durante décadas, o que determinou o Urbanismo no Barreiro foi a Habitação, a Habitação marcou o planeamento Urbano do Barreiro, ao ponto do próprio PDM, aprovado nos finais do anos 90, perspectivar um crescimento populacional até aos 210 mil habitantes.
Nesse sentido interrogámos se com a Revisão do PDM, estas perspectivas irão manter-se, isso é positivo ou negativo para o futuro do concelho do Barreiro.
“Há partida penso que não que o Barreiro não vai ter, ou não será desejável, que se vá perspectivar um crescimento com essas características.” – começou por salientar.
“A Habitação, no Barreiro, era a resposta a um conjunto de necessidades que se estavam a criar, desde o principio do século XX, ainda no século XIX, com o fixar de indústrias, houve que começar a preparar esta cidade, uma cidade de operários que respondiam às necessidades industriais que se estavam a instalar – primeiro ferrovia, depois a cortiça, depois a indústria química, isto num período de 50 anos.
Este período de 50 anos, decorreu de meados do século XIX até aos início do século XX, foi o Barreiro ferroviário, foi o Barreiro corticeiro, que entretanto desapareceu e neste momento o Barreiro químico, que teve um conjunto de desenvolvimentos industrias, até à década de 70, no decorrer da qual houve uma transformação profunda no complexo industrial.
Houve que criar uma resposta urbanística que acompanhasse essa resposta industrial. Nunca houve um planeamento urbanístico industrial no Barreiro, existiu a CP que se instalou, as Quintas que foram ocupadas, algumas delas por Corticeiras, depois as Quintas que vieram a ser ocupadas por novas Urbanizações.

Primeiro Planeamento

Os primeiros planeamentos que temos no Barreiro são da década de 50, havia e estava, então, consolidada, aquilo que é hoje a freguesia do Barreiro e estava em franca expansão as áreas que são, hoje, as freguesias do Alto do Seixalinho e da Verderena, aquilo que ficou conhecido pela urbanização envolvente ao Campo do Luso e as urbanizações do Alto do Seixalinho, que eram estruturadas, especialmente a envolvente ao campo do Luso, estruturadas com um conjunto de novas Avenidas, como é ocaso da Avenida Afonso Henriques, com um conjunto de regras e princípios, alinhamentos. O Alto do Seixalinho, falta-lhe esta concepção de raiz, é estruturado ao longo de uma rua, a Rua Brás, que é hoje a Rua Manuel Pacheco Nobre. Surge mais tarde a ideia de criar uma grande Avenida, no Barreiro, que é a Avenida do Bocage.

Barreiro e CUF

No final da década de 50, em 1957, surge o primeiro grande Plano de Urbanização do Barreiro, já, nessa altura, a indústria tinha planeado a sua fixação e fixação dos seus operários. A CUF já o tinha feito, a CUF tinha um conjunto de planos que são anteriores ao planeamento público. O planeamento de iniciativa privada, no Barreiro, é anterior ao da iniciativa pública. A CUF organizava não só a fixação da fábrica, a expansão da fábrica, com também a fixação dos seus operários – o primeiro Bairro Operário, o Bairro Novo, o Bairro Católico, o Bairro dos Engenheiros, foi fixando e estruturando uma malha envolvente à fábrica, naqueles que eram os primeiros terrenos de expansão.
Estamos a falar de uma fase de consolidação habitacional, alguma dela criando sectores específicos – sectores para Operários, sectores para quadros qualificados, sectores para Quadros intermédios.
Havia, no Barreiro, uma estratificação social que decorria do próprio urbanismo, isso era acompanhado com um conjunto de promoção habitacional que ficou, vulgarmente conhecida, no urbanismo português, pela “promoção do pato bravo” – um conjunto de pequena promoção imobiliária, não fundiária, em investimento que ia sendo feito em prédios de rendimento, e que verificou ao longo dos anos a alienação desse património, que foram adquiridos pelas pessoas que os tinham à renda.
Isto corresponde a uma fase em que o Barreiro, em termos de emprego e em termos de ciclo, era autosuficiente – residia no Barreiro, essencialmente, quem vinha trabalhar para o Barreiro. Havia uma relação entre quem habitava e trabalhava no mesmo espaço.”

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