Luís Pedro Cerqueira, Vereador do Planeamento II
Por Jornal Rostos
Barreiro e Lisboa
“A partir da década da 60, há uma inversão nessa lógica. No quadro da inversão dessa lógica verifica-se que Lisboa passa a ter uma importância no emprego do Barreiro. Se Lisboa era importante, pela proximidade, para que o Barreiro existisse enquanto fenómeno industrial, o terciário e a oferta de emprego em Lisboa, começava a ser marcante para o Barreiro – havia pessoas que viviam no Barreiro e tinha o seu destino de trabalho em Lisboa.
Há crescimentos que se verificam neste arco ribeirinho, com mais significado que o Barreiro, como é o caso de Almada, que depois é reforçado pelo facto de existir ponte. Há fenómenos de proximidade e de acessibilidade que são fundamentais no quadro da Habitação” – salienta Luís Pedro Cerqueira.
“Nos anos 60, o crescimento urbano no Barreiro, tem haver não apenas com o emprego no Barreiro, mas com um aumento de oferta em Lisboa, o terciário localiza-se em Lisboa.
Nos anos 60, no Barreiro surgem Bancos, os Seguros e há novas ofertas profissionais para trabalhadores da CUF, no terciário, que se deslocam para Lisboa.”
Barreiro no centro da AML
Após o 25 de Abril, refere Luís Pedro Cerqueira que há inicialmente uma consolidação no Barreiro do tecido industrial, com a realização de um conjunto de aterros e abertura de novas fábricas.
Posteriormente surge a fase da desindustrialização, na década de 90, com a criação da Quimiparque.
“Hoje, temos um conjunto de questões : que futuro para a unidade industrial ferroviária no Barreiro ? Que novos caminhos para o Quimiparque ?” – são perguntas que o Vereador Luís Pedro Cerqueira coloca para reflexão.
Na sua opinião o futuro para o Barreiro deve ser perspectivado no âmbito do seu enquadramento na Área Metropolitana de Lisboa.
“Nós sabemos que as cidade são muito feitas por Parque Habitacional. Aquilo que o Barreiro possa discutir para o seu Parque habitacional provavelmente poderá não ser muito diferente daquilo que o Seixal possa discutir, que a Moita ou Almada possa discutir.
A proximidade tempo hoje é muito importante – conforto e tempo hoje é muito importante. Nós hoje, Seixal e Barreiro, estamos na mesma isócona, em relação ao centro de Lisboa que Almada, que Almada está, porque temos transportes fluviais que são muito mais confortáveis.
No Barreiro temos uma rede de transportes urbanos que baterá todas as redes de transportes urbanos de Seixal e Almada. Existe, no Barreiro, um patamar de conforto, em relação à mobilidade que é superior a outros concelhos.”
Criar emprego no Barreiro
Luís Pedro Cerqueira defende que, em termos de AML, não é vantajoso continuar a manter-se a dependência da Margem Sul do emprego existente em Lisboa, defendendo que é necessário perspectivar um modelo na AML que seja capaz de gerar equilíbrios, procurando um modelo de desenvolvimento no qual exista “complementaridade entre o emprego e a Habitação”.
Na sua opinião, há fenómenos urbanos, na Margem Sul, que justificam novos investimentos, que contribuam para aumentar o emprego no Barreiro e na Moita, contribuindo para evitar o aumento de investimentos nas acessibilidades e nos meios de transportes.
Aprovem o PROQUAL
“É importante desenvolver a coesão territorial a sul, desenvolvendo novas ofertas de emprego a sul.” – defendeu, sublinhando que esta perspectiva poderá contribuir para o desenvolvimento de “novas frentes habitacionais” .
Neste contexto, considerou necessário equacionar os efeitos da desindustrialização e requalificar essas áreas, bem como a necessidade de recuperação do Parque Habitacional.
“Devemos começar a perspectivar uma nova consolidação do centro da cidade.” – salientou o autarca.
“Por favor, aprovem-nos o PROQUAL. Não posso dizer mais do que isto, porque representa requalificação do Barreiro e, neste momento, no que está negociado, é preciso dizer com clareza, o que estamos a pedir ao Estado português são 260 mil contos, para 1 milhão e 300 mil contos de investimento, no Barreiro.” – referiu Luís Pedro Cerqueira – “Por favor, ajudem-nos a requalificar o espaço público, como indutor de todos espaços privados”.
O futuro de Coina
“Há, no Barreiro, um fenómeno urbano que tem que ser discutido nos próximos anos – o futuro de Coina. O fenómeno urbano do centro da Península de Setúbal não tem uma cabeça. Não tem um centro, tem um espaço urbano imenso, de baixa densidade, normalmente associado de habitação familiar. A Quinta do Conde é o primeiro fenómeno que tenta criar um pólo de atracção, criando um conjunto de serviços e equipamentos” – referiu.
A área próxima deste núcleo urbano é Coina – “Está todo devoluto. Não tem um estudo urbanístico de conjunto para aquela zona. Está na fase de pensarmos que aquele território é central na Península de Setúbal, que faz falta uma cabeça, faz falta um centro, e que esse centro está em torno da Quinta do Conde e do território de Coina”.
Na sua opinião é preciso discutir uma estratégia para Coina, para que não seja apenas de localização de Habitação, porque Coina pode ser central neste fenómeno de criar Habitação e Emprego na Margem Sul e desenvolver um centro da Península de Setúbal.
No final do nosso diálogo Luís Pedro Cerqueira defendeu que em sede de revisão do PDM é preciso discutir uma estratégia para o concelho do Barreiro – Quimiparque, Coina, abrindo espaço para a criação de empresas e valorização do Parque Habitacional, fixando populações quer na habitação, quer no emprego.
O Barreiro é um fenómeno importante para a afirmação da Área Metropolitana de Lisboa no contexto internacional, referiu o autarca.










