Barreiro - 20 anos CidadeEmídio Xavier em entrevista a “Rostos” afirma
PS apresentou projectos estruturados para a cidade
Hoje, 28 de Junho, Feriado Municipal, o Barreiro, reconhece os seus cidadãos e vive esta data em festa.

Por S.P.
Sobre os “Factos Políticos” que marcaram o mandato Emídio Xavier comenta diversas situações, aqui, em “Rostos on line”, desenvolveremos alguns dos pontos da entrevista editada na edição de Junho de jornal “Rostos”.
Sobre a ruptura com o PCP, o primeiro facto político que marcou a actual gestão socialista, Emídio Xavier, referiu a “Rostos”.
Barreiro é dos barreirenses
“Um dos sonhos que eu pretendia ver concretizados e fiz tudo para que fosse concretizado, foi definir, como sempre tenho dito que o Barreiro não é de ninguém, o Barreiro é dos barreirenses.
Tinha tido todo o interesse em que todas as forças políticas, que numa democracia representativa como a nossa, são os porta vozes das populações, queria que todos os partidos políticos estivessem representados na autarquia. Fiz tudo o que era possível para que isso acontecesse.
Eu não espero, quando se convidam as forças da oposição, não espero que a oposição passe a vida a dizer: Sim, Srº Presidente. Não espero isso.
Mas, o que é expectável é quem tem responsabilidades, sinta e que apresente os seus próprios Orçamentos, tenha o mínimo de solidariedade, para continuar na intervenção política activa.”
Projecto de Cidade
Emídio Xavier, salienta que – “A CDU tem um problema de fundo, no Barreiro. Considerou que o Barreiro era uma terreno inexpugnável e que era uma terra onde a CDU teria sempre a grande responsabilidade da gestão.
O povo, naturalmente, é o grande decisor. O balanço que fez da actividade da CDU foi, a partir de uma certa altura, um balanço negativo.
É preciso perceber que esse balanço ia surgindo ao longo do tempo e a CDU não percebeu isso, não percebeu uma coisa que era essencial, é que o resultado de 2001, é o resultado que tem origem em duas coisas: o PS apresenta pela primeira vez, projectos estruturados para a cidade e bate-se por esses projectos.”
Mas, a CDU também apresentou projectos nesse ano...
“ A CDU vai a nossa reboque e apresenta algumas coisas. A realidade é que, também, pela primeira vez, se discutiram projectos. Podemos dizer que alguns deles terão sido arrojados e serão até difíceis de execução, mas eram projectos e discutiu-se.
Pela primeira vez os barreirenses perceberam que não estavam condenados a coisa nenhuma, perceberam que havia soluções e possibilidades de inverter a situação.
Foi por isto que a CDU perdeu. Perdeu, mas tirou a pior das conclusões : não fez autocrítica, não concluiu que a sua derrota resultou de o PS ter apresentado projectos, uma alternativa, nem conclui que a sua derrota resultou de um conjunto de erros acumulados.
Então, enveredou pelo pior caminho, achar que os barreirenses são burros, tinham votado erradamente, tinham se deixado levar e começou a tomar uma atitude de contestação sistemática.
Eu esperei um ano, durante o qual, semanalmente, via os Vereadores com responsabilidades na autarquia tudo fazerem para atacar, de uma maneira pouco racional a gestão da autarquia.
Bom, chegámos a uma altura decisiva. Foi a altura do Orçamento. Ninguém acreditará que, numa autarquia pessoas que tenha Pelouros e que sejam responsáveis se declarem, claramente, contra o Orçamento.
Considero que o limite nestas coisas é, naturalmente, a abstenção. A abstenção tem uma leitura : não quero impedir a execução dessa proposta, mas essa não é minha. O voto contra tem a leitura que quer impedir que esse projecto avance.
Portanto, não me restava outra alternativa dizer aos Vereadores da CDU que tendo percebido que eles não queriam colaborar comigo eu não podia continuar a aceitar que isso acontecesse, com toda a tristeza que resulta de não ver realizado algo que considerava fundamental, tomei a decisão in-extremis que não era possível continuar com a CDU.” – sublinhou Emídio Xavier.
Uma relação difícil
“Isso marcou, claramente, uma relação que não estava a ser fácil, pelos vistos nunca seria, mas passou a partir daí a ser difícil.
O PCP, quer ao nível do país, quer ao nível do Barreiro, tem que perceber que é necessário sentir o pulsar das populações, coisa que às vezes não sente. O problema do PCP é que quer que o pulsar das populações seja o pulsar do PCP, isso não é verdade.
As populações têm a sua mentalidade, a sua maneira de sentir, compete aos políticos perceber o que se está a passar.
O PCP vive sistematicamente, de eleição para eleição, a perder eleitores, mesmo em fases políticas, teoricamente o terreno era fértil para um partido de esquerda que se diz representante das classes mais desfavorecidas, mesmo nessas fases o PCP continua a perder eleitores, o que prova que a sua estratégia está errada.” – disse ao “Rostos” o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Sobre outras matérias abordadas nesta entrevista, nomeadamente, outros factos políticos que marcaram a gestão socialista iremos editar aqui, em “Rostos on line”, os comentários tecidos por Emídio Xavier na entrevista concedida a “Rostos”.
Assim, iremos desenvolver os temas relativos à perda do líder histórico do PS, Aires de Carvalho, que levou Emídio Xavier a Presidente da Comissão Políticas do PS Barreiro; as relações PS/PSD na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal; o significado político dos resultados eleitorais das últimas eleições Europeias; o facto de Emídio Xavier ser acusado de autista e um homem de relações difíceis e por fim o caso EMEF.
Uma entrevista que pode ler na edição impressa de “Rostos”, já nas bancas.
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