Mestre Sebastião Fortuna“Sou um apaixonado pela cultura”
O Mestre Sebastião Cultura é uma figura de referência cultural no Distrito de Setúbal.
Nesta fase da sua vida alimenta o sonho de criação de um “Centro de Cultura de Arte e Tradições”, onde possa dar corpo a uma “Oficina Escola”.
Mas, sente-se que luta contra o tempo e está a viver o drama de avançar com o projecto no concelho de Palmela ou partir rumo a Vila Rei, onde sente que o seu sonho pode avançar sem obstáculos.
Por S.P.
Foi no decorrer da Conferência de Imprensa de apresentação do 9º Festival Infanto Juvenil de Palmela que o Mestre Sebastião Fortuna, falou com o coração nas mãos e os sentimentos à flor da pele.
“Não tenho vontade de deixar Palmela, deixar a minha terra e ir fazer a Oficina em Vila Rei” – disse o Artesão.
E falou, com paixão, do seu sonho de criar o “Centro de Cultura de Arte e Tradição” o núcleo de uma “Oficina Escola”.
Centro de Investigação com Belas Artes
Sebastião Fortuna recordou que no seu “Attelier” recebe anualmente 18 mil visitantes e salientou o facto de ter sido elaborado um “Protocolo” com a Escola Superior de Belas Artes, com o objectivo de proporcionar o estudo e estágios, no seu “Atellier” a estudantes daquela universidade.
O referido Protocolo vai ser o ponto de partida para a criação de um “Centro de Investigação de Estudos de Cerâmica Artística”.
Sebastião Fortuna falou de forma terna e apaixonada do seu sonho e disse – “Nunca desisti. Não conheço a desistência. Mas procuro ser um homem coerente”.
E, neste evocar dificuldades que, pelos vistos existem, e estão a impedir a concretização do seu sonho, recordou – “De Vila Rei, dizem-me venha para cá, vamos fazer isso aqui...”
Preservar a cultura regional
Sebastião Fortuna salientou – “tudo o que é a identidade regional é um valor a preservar”, acrescentando – “a cultura popular é dos produtos turísticos de futuro que não se esgota”.
E neste seu discurso apaixonado salientou – “ a cultura é como o amor, quanto mais se dá mais se tem”.
Sentia-se mágoa e tristeza nas suas palavras.
“Triste do povo que deixa perder a sua cultura, deixa perder a sua identidade” – disse.
E reflectindo com os presentes, na Conferência de Imprensa, salientou que de facto é importante que se realizem escavações arqueológicas, que se investiga sobre os “cascos dos visigodos” mas, sublinhou – “não podemos deixar morrer, agora, os profissionais das artes tradicionais”.
Um projecto autosustentado
Na sua opinião a criação do “Centro de Cultura de Arte e Tradições”, que defendeu deve existir no concelho de Palmela, e não ir para Vila de Rei, desde que “bem organizado autosustenta-se”.
“Que se tem feito no nosso concelho para que não se perca a cultura tradicional?” – interrogou a finalizar a sua intervenção o Mestre Sebastião Fortuna.
Foi, de facto, aquilo que se pode dizer, uma Conferência de Imprensa, dentro de outra Conferência de Imprensa... como é hábito dizer-se : uma “caixa jornalística”.
Aqui fica o seu registo.










