Maria Amélia Antunes – Presidente da Câmara Municipal do Montijo“Em nome da continuação de um projecto, em representação do PS, estou disponível para me recandidatar.”

Por Cátia Pacheco
Foi na Sé Nova, Coimbra, que, em 1952, nasceu Maria Amélia Antunes. Durante dez anos viveu numa aldeia perto de Santa Comba Dão, onde frequentou o ensino primário e realizou o exame de admissão ao liceu.
Em 1963, vai viver para o Montijo, mais propriamente para a Atalaia. Como no Montijo não existia liceu, durante alguns anos, interrompeu os estudos, tendo enveredado pelo trabalho rural, agricultura e pecuária, trabalho que era igualmente desenvolvido pelos seus pais. “O meu primeiro ordenado foi de 25 escudos por dia”, recorda Maria Amélia Antunes.
O gosto por estudar e desenvolver o conhecimento fez com que, aos 16 anos, tenha retomado os estudos e, com muita dedicação, em três anos concluiu o primeiro e segundo ciclos, e apenas num ano o sexto e o sétimo.
No seu horizonte, esteve sempre o Direito, curso que iniciou na Universidade de Lisboa, em 1973, mas, como a ida para a faculdade, em termos económicos, tinha outras exigências, começa paralelamente a trabalhar no Sindicato dos Químicos de Lisboa.
25 de Abril de 1974
A partir do momento em que inicia a sua actividade profissional no Movimento Sindical, Maria Amélia Antunes vai percebendo melhor as dificuldades dos trabalhadores, a repressão de que eram vítimas, os baixos salários, no fundo, a miséria em que se vivia.
No dia 25 de Abril de 1974, “vivi com muita alegria e esperança a viragem da história de Portugal e a instauração da Liberdade”.
Em 1983, conclui o curso e, seis anos mais tarde, abandona o Movimento Sindical, passando a exercer exclusivamente a advocacia.
“Não há nada que eu não voltasse a repetir. O meu percurso de vida deu-me uma visão do mundo e da vida muito mais próxima da realidade”, garante a jurista.
1º Contacto com a Política
O primeiro contacto com a política aconteceu na altura em que entrou para o Movimento Sindical; no entanto, activamente, isso só ocorreu depois do 25 de Abril, quando fez parte de uma partido de esquerda radical, denominado PCP ML - Partido Comunista Português Marxista Leninista, até ao final dos anos 70.
Em 1983, adere ao PS, uma vez que “a minha vida está indissociavelmente ligada à política”.
A partir dos anos 90, Maria Amélia Antunes assume diversos cargos políticos. No início desta década, é eleita para a Assembleia Municipal do Montijo, função para a qual é reeleita em 1993; dois anos depois, faz parte da lista de candidatos do PS à Assembleia da República pelo distrito de Setúbal. Na sequência da vitória eleitoral do seu partido, é eleita deputada da nação. É precisamente nesta altura que inicia a sua preparação para se candidatar à Câmara Municipal do Montijo, cargo que alcança em 1997, com maioria absoluta. Quatro anos após a primeira vitória, recandidata-se e reforça a maioria alcançada anteriormente.
Actualmente, para além de Presidente da Câmara Municipal do Montijo, Maria Amélia Antunes é também Presidente da Federação Distrital do PS, Membro da Comissão Nacional do PS e da Comissão Política Nacional do PS.
1º Mandato na Câmara Municipal do Montijo
Quando Maria Amélia Antunes assumiu a presidência da autarquia, “o concelho estava parado, não existiam acções e a situação financeira era difícil”, menciona. Em Março de 1998, com a inauguração da Ponte Vasco da Gama, o concelho ganhou uma mais-valia, maior dinamização da economia concelhia, particularmente no desenvolvimento urbanístico e no crescimento, “traçámos um caminho que permitisse enquadrar essa mais-valia, que foram as acessibilidades, e aproveitámos os recursos financeiros.”
Uma das prioridades estabelecidas foi tentar colocar a situação financeira em dia, renegociando os empréstimos com a banca. Com a entrada em vigor do PDM, em 1997, um ano antes de tomar posse, onde já estavam traçadas algumas linhas, foi possível melhorar a rede viária, o abastecimento de água, tratamento do espaço público, recuperação do património e a realização de várias obras, quer na cidade, quer nas freguesias, de melhoramento qualitativo de vida para os cidadãos.
A transferência do cais dos vapores para o Seixalinho foi a decisão mais polémica do primeiro mandato, no entanto, a autarca considera que “hoje é mais visível a bondade desta decisão. Vai permitir que se dê início à recuperação da zona ribeirinha, tirando o trânsito do centro da cidade.”
Todas estas “metas” estabelecidas nos primeiros quatro anos fazem parte de um projecto político que o executivo continua a desenvolver neste segundo mandato.
Prioridades do 2º mandato
Após ter sido reeleita em 2001, novamente com maioria absoluta, a edil e todo o seu executivo estabeleceram três grandes prioridades: a educação, a acção social e a cultural.
Ao nível da educação, o grande objectivo foi a informatização das escolas; na acção social, o apoio aos mais carenciados, nomeadamente a toxicodependentes e famílias, e a situações de maior risco de exclusão e pobreza. Na área da cultura, a prioridade estabelecida foi a recuperação do património.
A menos de um ano de concluir este 2º mandato, no que diz respeito à educação, a Câmara Municipal do Montijo pretende contribuir financeiramente para o início da construção da sede da nova Escola Profissional. Em termos culturais, a abertura do Cine Teatro Joaquim da Almeida e do Moinho da Maré é o objectivo. No que concerne à acção social, está previsto o início da circular externa, uma via que limita a malha urbana do Montijo, e o projecto de instalação do Centro de Reformados do Montijo noutro espaço.
Situação actual – a menos de um ano das eleições
Na opinião de Maria Amélia Antunes, a revisão do PDM “é a decisão mais importante deste mandato, porque nos vai permitir, num prazo de cerca de 2 anos, corrigir e definir uma visão estratégica de desenvolvimento sustentável”.
Para a edil, a autarquia pretende envolver a sociedade civil e tudo o que de melhor têm as universidades, para isso estabeleceu um protocolo com a Universidade Técnica de Lisboa, o que “permite ir à procura de novos saberes, obtermos no final um bom documento.”
No que diz respeito ao Orçamento de Estado 2005 e ao PIDDAC, estão estabelecidos para o município do Montijo um milhão e trezentos mil euros, o que, na opinião da presidente, “é irrelevante. O Orçamento de Estado não transfere para os municípios as verbas que podiam colmatar o decréscimo de recursos. O município tem grandes dificuldades face a compromissos que assumiu e que tem de assumir com fornecedores, empreiteiros, pessoal… há uma grande dificuldade em apurar receitas para fazer face a estas questões.”
No entanto, Maria Amélia Antunes garante, “apesar das dificuldades financeiras deste mandato, nós continuamos a desenvolver o nosso projecto político.”
Eleições 2005
O 2º mandato de Maria Amélia Antunes termina no próximo ano, mas “em nome da continuação de um projecto, em representação do PS, estou disponível para me recandidatar”, revelou ao Rostos a autarca, adiantando ainda que a “a nossa convicção é a de que todos os cidadãos, com uma ou outra crítica, que também são bem-vindas, se forem construtivas, vão continuar a acreditar no nosso projecto. Eu estou convicta de que há boas condições, objectivas, para que os cidadãos continuem a confiar em nós.”
Até porque a oposição “é muito do contra pelo contra. Não apresenta nenhuma proposta, nenhuma alternativa.”
No final da conversa, a Presidente da Câmara Municipal do Montijo não quis perder a oportunidade de deixar uma mensagem a todos os leitores do Rostos: “estamos num momento muito difícil para os municípios, para os cidadãos, vivem-se momentos de grande incerteza. Espero que haja a consciencialização da sociedade civil, dos agentes económicos, entre outros, de que podemos construir políticas alternativas, para bem de Portugal e do desenvolvimento dos país e da justiça social. Há que continuar em frente, sem desfalecer, apesar das dificuldades. Comigo contam, com o meu modesto contributo, para alterar este estado de coisas.”










