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Cidade com Rostos

Eugénio Silva e a magia da memóriano Auditório Municipal Augusto Cabrita

Barreiro Reconhecido 2004 na área da Cultura Artes e Letra

Memórias, sentimentos e uma viagem muito própria através do tempo vão estar em exposição no Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC) através de 29 trabalhos do artista barreirense Eugénio Silva. Esta viagem pelo Barreiro Antigo inicia-se no dia 5 de Fevereiro, às 17h00, no AMAC, e será conduzida pela mestria de quem ali nasceu e consegue transmitir, através de uma linguagem única, a magia da memória.

3 min de leitura
Eugénio Silva e a magia da memória no Auditório Municipal Augusto Cabrita

Por Jornal Rostos

Eugénio Silva nasceu em 1937 no Barreiro, onde ainda reside. Mas mantém uma forte e mágica ligação ao Alentejo, pelo facto de lhe correr nas veias muito sangue alentejano por parte da mãe, natural de Almodôvar. Mantém, por isso, um profundo fascínio pela planície alentejana, pelas coisas, usos e costumes daquela região, bem como pelos seus naturais. E também pelo facto da sua infância ter decorrido em Évora, Mora, Sobral da Adiça e de, desde há várias décadas, estar igualmente ligado, pelo casamento, a Arronches.

Desde muito cedo manifestou intuição para as artes em geral e em particular para o desenho, tendo frequentado, de 1950 a 1954, o Curso de Desenhador Gravador Litógrafo na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, onde foi acompanhado e aperfeiçoado por três grandes mestres: Abel Manta, no desenho, Pedro Jorge Pinto, na aguarela, e Rodrigues Alves, na banda desenhada. Teve depois o seu primeiro emprego na Litografia Amorim, transitando, posteriormente, para a Companhia União Fabril – CUF, onde trabalhou como desenhador de carpetes.

A sua criatividade está bem patente em todas as áreas a que se dedica, a ilustração, a banda desenhada, o teatro amador e, sobretudo, a aguarela. Como ilustrador trabalha há muitos anos para várias editoras, sobretudo em obras didácticas.
Na banda desenhada é autor do texto e desenho de vários álbuns já publicados: “Matias Sandor”, “História Pequena do Vidro”, “O Coelho Branco”, “Eusébio, Pantera Negra”, “Inês de Castro”, “O Sonho do Rapaz da Boina”, “História de Seia” e, em França “On a Retrouvé la Fôret Perdue”. Em Dezembro de 2004 foi publicado o seu último álbum, “História do Concelho do Seixal”.

Eugénio Silva dedica-se, também, há muitos anos, ao teatro amador como actor, figurinista e cenógrafo. Mas é a aguarela, uma técnica difícil, que mais o atrai e na qual se sente mais realizado, talvez pela sua maneira de ser e de estar na vida, pela sua transparência e simplicidade num Mundo cada vez mais complexo, o seu sentido de humanismo e disponibilidade para com os outros. A aguarela permite-lhe transpor para o papel o muito que lhe vai na alma, com muita leveza e realidade, o que provavelmente não conseguiria com o óleo ou outro suporte plástico.

O seu grafismo é puramente naturalista e os seus temas, preferencialmente alentejanos, representam sempre aspectos das localidades onde realiza exposições, muitas vezes através de reconstituições históricas de locais já desaparecidos ou de cenas históricas a estes ligados.

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