Carlos Humberto, candidato da CDU à Presidência da Câmara do Barreiro“O PCP está a disputar a Presidência da Câmara com o Partido Socialista”

Por António Sousa Pereira
Quem é Carlos Humberto? Foi o que procurámos saber numa entrevista com o candidato da CDU à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, nas próximas eleições autárquicas.
Carlos Humberto, nasceu a 18 de Abril de 1951, no coração do Barreiro, na zona entre “Os Penicheiros”e “O Luso”, e ao falar da sua rua recorda “o Largo Casal, o Altinho, a Avenida da Praia”, memórias da sua infância, filho de um prestigiado comerciante barreirense, proprietário de uma Loja de Mobílias, na época conhecido por “Artur das Mobílias”.
Frequentou a Escola Primária Conde Ferreira,onde foi aluno do Professor Ribeiro e da Professora Cândida –“é a escola mais bonita deste concelho”e recorda as situações de “extrema pobreza” que marcaram aquele tempo, “alguns levavam lanchinhos que outros roubavam”.
Vai conversando sobre figuras e locais da sua meninice, o Chico Câmara, o Café Barreiro, o Café Chic, e lembra “os fogareiros na rua com a malta a abrir as ostras”.
No seu tempo de jovem foi fundador de um “clube de rua”, o “Casalense Futebol Clube”, donde saiu para a Comissão Organizadora dos Jogos Juvenis do Barreiro.
Numa sessão dos JJB, que decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal do Barreiro, numa recepção a uma Delegação de Brasileiros, que contou com a presença de José Esteves, Carlos Humberto foi convidado, como jovem, para fazer uma intervenção – “Eu tremia como varas verdes. Mas foi uma intervenção que me marcou muito, porque foi uma intervenção feita contra os chamados clubes grandes, porque eles não apostavam na juventude. Foi difícil de fazer, mas foi muito bem aceite, porque os jovens conquistavam o seu espaço nos clubes de rua”.
Depois seguiu para a Escola Alfredo da Silva, onde concluiu o Curso Comercial, e integrou a Comissão de Finalistas e nos movimentos de criação de uma Pró-Associação de Estudantes, num tempo em que existiam corredores para rapazes e corredores para raparigas – “Nós começámos a abandalhar isso, subíamos pelas escadas das raparigas, procurando gerar rupturas de comportamentos. É o tempo em que os rapazes e as raparigas começam a dar os primeiros passos de andar em conjunto. Era um escândalo dar um beijo na rua”.
Foi na Escola Alfredo da Silva –“que conheci a Lurdes, comecei a namorar com a Lurdes”. Há um momento de silêncio, nas suas palavras, ao recordar a sua companheira de muitas lutas.
Luso um marco significativo
“Participámos muito juntos no Luso e estivemos nos movimentos estudantis em Lisboa, no Instituto Comercial onde levámos traulitadas da Polícia, quando das RGA’s.” – refere.
Recorda que sempre esteve ligado ao movimento associativo, pertenceu à Secção de Futebol de “Os Penicheiros”, participou no Cine Clube do Barreiro e integrou a Comissão Cultural do Luso.
“Sou do Luso há muitos anos. A Comissão Cultural do Luso foi um dos marcos mais significativos da minha intervenção social. Foi muito importante para mim, mas penso que também para a sociedade, porque demos um salto qualitativo do ponto de vista cultural e de intervenção social. Foi uma intervenção que começou a ter conteúdos de anti regime, de liberdade.
Eu acho que nós, na Comissão Cultural do Luso também construímos liberdade e democracia. Há quem diga que, por nossa iniciativa, foi a primeira vez que se comemorou o Dia Mundial da Criança em Portugal. Não sei se é verdade, mas não interessa. Mas comemorado com a dimensão que nós demos, penso que deve ter sido. Juntaram-se milhares de crianças”.
“Eu não sou oriundo das classes mais desfavorecidas do Barreiro. Mas vivia numa zona, claramente de classe operária, de trabalhadores. Foi uma vivência muito marcante. Os trabalhadores da CUF. Os trabalhadores da CP. A minha vida era ali. Aquele era o mundo do trabalho.
Há traços que marcaram aquelas vivências. Recordo que eram pessoas com dificuldades de vida, mas com grande dignidade. O associativismo que toda a gente vivia. A rua como lugar que era um prolongamento da casa, algo que se perdeu, é pena, porque a rua era ainda parte da nossa casa. A vizinhança, os filhos eram filhos de todos, de alguma forma.
Recordo hoje que, vir da minha casa ao Parque, aquilo era muito longe.” –refere Carlos Humberto.
Nas suas palavras sente-se a emoção de quem tráz ao pensamento a evocação dos dias da juventude, o despertar para os valores de justiça e dinâmicas culturais e associativas, que marcaram a geração dos anos 60 e 70.
Aderi ao PCP em 1971
“Comecei a ter intervenção política em 68. Em 69 já tenho uma participação muito activa nas eleições, nas manifestações de rua, no 1ºde Maio. Andei a fugir à frente dos cavalos, no Bairro da Caixa, ali no Alto do Seixalinho. Eles queriam subir com os cavalos pelas escadas até lá cima. Vivi essas situações.
Recordo quando fomos à Câmara saber os resultados e a CDE ganhou as eleições no Barreiro, em período de regime fascista.” – sublinha.
“Aderi ao PCP em 1971. O meu primeiro encontro clandestino foi com o António Abreu, na Fonte Luminosa ( penso que hoje já se pode dizer isto).
Eu sou do partido quando se decide constituir a UEC.” – recorda.
Tempos difíceis, quando era preciso recorrer ao “prelo” para reproduzir documentos. Reproduzir durante a noite documentos contra a guerra colonial.
Seguiu-se a vida militar. “Fui para Santarém. Por opção pessoal e partidária decidimos que eu não fugia à guerra. Íamos democratizar o exército por dentro. Fui mobilizado para Moçambique.” - recorda. Em Março de 1973 partiu para Moçambique, na bagagem levava um “encontro” agendado com a FRELIMO, que nunca se chegou a concretizar. Foi um choque o que viveu em Nampula.
Sente a perseguição que a PIDE, lhes fazia-a, ele e a sua mulher, a Lurdes ( que também era do partido), com quem entretanto casara, e fora com ele para Moçambique.
Aconteceu o 25 de Abril, só tem conhecimento deste acontecimento no dia seguinte.
Participa em reuniões e acções do Movimento das Forças Armadas. em Moçambique.
Recorda a ocupação da Rádio de Nampula – “Tivemos que pegar em armas. Eu agarrei, ali, em armas para defender o 25 de Abril” –salienta.
Em 1975 nasceu o primeiro filho Luís Carlos. Em 1977 nasceu a Rita.
Carlos Humberto recorda que tinha uma boa vida - “Eu ganhava bem. O Partido convidou-me para vir trabalhar para o partido. Em Abril de 1977 fui trabalhar para o partido, ganhar 3 ou 4 vezes menos do que aquilo que eu ganhava. Foi uma opção. Foi feita em comum com a Lurdes. No partido tenho tido multifacetadas tarefas.” – salienta Carlos Humberto.
Carlos Humberto é membro do Comité Central do PCP.
Foi responsável por várias áreas, do trabalho autárquico, da juventude.
PCP e as convulsões
Como encara as convulsões e os problemas que têm afectado o PCP?
“Acho que era impossível qualquer partido, seja ele qual for, não ter problemas, mais graves ou menos graves, neste momento histórico como este, é impossível. Muitas das coisas, parte das coisas são fruta da época. Independentemente onde é que está a razão, ou não está a razão.
É impensável que num mundo como aquele que hoje vivemos, com alterações sociológicas tão profundas, com alterações políticas tão profundas, com a queda do chamado mundo socialista, com o avanço de concepções e de forças conservadoras, que usam a guerra como resolução dos problemas, neste mundo, era impossível um partido como o PCP, ficar à margem disso e não tivesse convulsões.
Entendo que os problemas teriam que existir, fruto da contradição do mundo em que vivemos, consequência da época histórica que estamos a viver.
A questão que se coloca é esta :se as opções são ajustadas?
Agora aquilo a que chamas convulsão a experiência prova-o, por isso, acho que é preciso olhar tudo isto com uma certa serenidade.
Claro que isto nos angustia muito. Eu falo por mim. Levanta-me interrogações. Mas alguém tem certezas?
O essencial é saber quais são os percursos, quais são os problemas, quais são as soluções, que melhor sirvam a transformação da sociedade.
O partido é só um instrumento. Tudo isto tem que ser visto com naturalidade.”
O PCP mudou
Os valores ideológicos do PCP não estão desarticulados com essas mudanças sociológicas que se verificaram?
“Nós temos uma concepção dialéctica do mundo. Nós comunistas, nós Partido Comunista temos uma concepção dialéctica, e, portanto, nessa concepção sabemos que ninguém pára o mundo com as mãos, ninguém pára o vento com as mãos. E o novo substitui sempre o velho.
Se nós sabemos que o mundo é composto de mudanças. Se nós sabemos que o partido influencia e sofre influências da sociedade. E que o partido, está, como tudo o que é vivo, em permanente actualização, adaptação, ajustamento, portanto, acho que só preconceitos é que podem dizer ( como às vezes a gente ouve) que o PCP não muda. É mentira. Basta, ter em consideração afirmações do PCP em 1974, em 90, 2000, para as de 2005, e verificamos que há alterações, isso é inevitável, ou então o PCP já tinha morrido.
E, apesar de ser dito que o PCP morreu ou vai morrer, nem ainda morreu, nem nos próximos tempos vai morrer. E digo nos próximos tempos porque tenho uma concepção dialéctica da vida e penso que tudo o que é vivo há-de morrer um dia, e há-de ser substituído. Admito que o PCP, daqui a uns séculos também morra.
Eu acho que o PCP tem valores, tem conceitos, tem concepções, tem ideologia, se quisermos tem sonhos que fazem falta à sociedade portuguesa.
E digo que os comunistas têm tudo isto e fazem falta à sociedade portuguesa.”
Tornar o Barreiro melhor
São esses sonhos que o movem para ser candidato a Presidente da Câmara?
“Eu sou candidato a Presidente da Câmara num processo natural. Se tenho algum sonho é ter um Barreiro melhor. Um Barreiro que sirva as pessoas e que seja construído pelas pessoas.
Não tenho o sonho de ser Presidente da Câmara. Tenho o sonho de ter um Barreiro melhor. Tenho a ideia, tenho a opinião que posso dar um contributo para isso e se for Presidente da Câmara terei condições para dar uma ajuda na realização desse sonho.
Nem sequer penso que vou ser o melhor Presidente da Câmara de todos os tempos, nem sequer penso que não haverão outras pessoas com condições de serem Presidentes da Câmara.
Está no meu objectivo ganhar as eleições autárquicas, mas esse não é o objectivo principal, esse será um degrau para atingirmos outras coisas que é ajudar a transformar a sociedade.
Sabendo eu que, não será a Câmara do Barreiro que vai atingir esses objectivos, sei que ao reforçar a nossa força política na autarquia, estamos a dar mais força a uma luta mais global no sentido de implementar transformações na sociedade portuguesa, na Europa e no mundo.
Porque penso, quanto mais posições as forças mais consequentes tiverem, tal será mais uma pequena ajuda, uma gota de água, para alcançar esse objectivo, portanto, encaro a minha candidatura a Presidente da Câmara neste contexto.
Ser Presidente da Câmara não é o meu objectivo de vida, o meu objectivo de vida é transformar, é melhorar a vida das pessoas. Como Presidente de Câmara, se o vier a ser, esse será mais um passo nesse caminho.”
Não perdoo aos socialistas
Como avalia a gestão dos socialistas na Câmara Municipal do Barreiro?
“Nem sei o que devo dizer. As pessoas que votaram Partido Socialista criaram uma expectativa grande, eu diria imensa. Porque o Partido Socialista também ajudou a criar essas expectativas com as afirmações bombásticas – É agora! A mudança! Foi criando no consciente das pessoas a necessidade que era agora. Eu diria que tudo isso é uma mão cheia de nada.
Eu se tivesse votado Partido Socialista com essa ideia que vamos mudar, é agora que vamos transformar o Barreiro, é agora…eu estaria, como penso que a generalidade das pessoas que votou PS, com esta razão estará, descrente, triste. E digo isto com sinceridade, é que sinto, e não por ser o candidato a Presidente da Câmara.
Porque mesmo ao nível da concepção de cidade não são coisas sustentadas. Algumas ideias até são atractivas, mas se é para cada um dizer coisas bonitas, eu também posso dizer coisas bonitas. Nessas ideias falta sinceridade e seriedade. É preciso dizer coisas que sejam sustentáveis, que sejam possíveis.
O Partido Socialista apresentou um Programa Eleitoral que, tenho dito, nem numa década o realiza, e acrescento, nem numa geração.
O Presidente da Câmara, Emídio Xavier, agora já vem dizendo, que é para uma década, agora já vai dizendo que é para uma geração. Diz agora. Na campanha eleitoral isso nunca foi dito, que não era para quatro anos.
Na avaliação que faço, não só por aquilo que fazem, mas por aquilo que disseram que iam fazer, acho que é uma gestão que não é significativa, não tem brilho, não há alterações significativas para melhor. E as que há não têm sentido positivo.
Eu não quero ser bota abaixo, nem de critica pela critica. Mas, perante essa pergunta directa, eu não me identifico do ponto de vista politico e ideológico com o Partido Socialista e não me identifico, do ponto de vista prático, de construir cidade, de encontrar caminhos, de resolver problemas, com a gestão do Partido Socialista.”
Capacidade de gerar receitas
Que conduziu o PCP a perder as eleições e que o eleitorado tenha apostado no PS?
“Nessas coisas não há só uma razão. Há várias. Naturalmente a primeira é porque não soubemos ganhar as pessoas para o nosso projecto, não soubemos valorizar as nossas propostas, nem a nossa acção e não soubemos ir de encontro àquilo que eram os anseios das pessoas.
Um outro aspecto que considero profundamente marcante. Do ponto de vista político há coisas que eu não perdoo aos dirigentes do Partido Socialista, incluindo o Presidente da Câmara, Emídio Xavier, que foi esta atitude, de prometer mundos e fundos, de fazermos tudo, isto vai ser o paraíso. Aquela campanha que foi feita. Claro, que há quem veja se se ganhou, deu resultado. Eu não vejo assim, acho que os meios não justificam os fins e estou em frontal desacordo com isso, de prometer tudo.
Mas a população do Barreiro já viu com atenção as promessas do Partido Socialista. Eram os parques Infantis num ano. Eram as zonas ribeirinhas todas. Eram campos de futebol por tudo o que era sitio. Era o passe social para os Reformados. Era a água de graça até aos 5 metros cúbicos para os reformados.
Não era possível. Isto era mentira. Eles sabiam que era mentira.
Eu não perdoo isto. Aquela campanha que o governo era amigo do Barreiro. As faixas podem não comer criancinhas mas destruíram o Barreiro. Isto não perdoo. Do ponto de vista político, como cidadão, independentemente, de ser membro do PCP.
Isto cria em mim um sentimento entre a angústia e a indignação, às vezes até a revolta. Este tipo de coisas não se fazem.
Eu acho que o Barreiro é um concelho, pela sua dimensão, pela história do seu desenvolvimento urbano, de capacidade de gerar receitas que não tem, pelos compromissos que tem assumidos( que hoje são menores) tem que saber viver com menos meios que os concelhos circundantes.
Eu penso que o concelho do Barreiro é dos concelhos da península de Setúbal que pela população que têm e a sua caracterização, não tem as condições que tem outras Câmaras. Até porque, infelizmente, uma das principias receitas tem a ver com as urbanizações. O Barreiro nunca será um concelho de grandes urbanizações, pode ser pontualmente, um mandato, um ano, mas como uma vida não vai ser. O Partido Socialista sabe isso e, explorou isso, portanto, ao longo de anos, foi-se percebendo que aqui ao lado faziam-se coisas e nós não. Isto foi moendo, foi criando um caldo de culturas, porque de facto não se fez. Uma cultura, um caldo que foi fácil de aproveitar.
Mas esta situação do concelho que é um factor objectivo.
Claro que também cometemos erros.
Por outro lado, há alterações do ponto de vista sociológico, que têm consequências sociológicas que afectaram a base social de apoio do PCP.
A base social de apoio do PCP que é uma base social de trabalho, uma intelectualidade progressista, de camadas intermédias da população, e, de facto, como o encerramento das fábricas tudo se alterou profundamente e isto, naturalmente, tem ao nível do sentimento político registaram-se alterações.
Foram estes, entre outros factores, que levaram ao enfraquecimento da base eleitoral de apoio do PCP”
Disputar a Presidência
Então, e nos dias de hoje o PCP tem condições políticas de voltar a conquistar a Presidência da Câmara, reflectindo sobre essas alterações?
“Eu acho que o PS não ganhou ainda a Câmara. Acho que o PS já assumiu que a maioria absoluta foi-se. Estou convencido que o PS já tem essa consciência.
E o PCP ainda não ganhou a Câmara, mas estou convencido que o PCP está a disputar a Presidência da Câmara com o Partido Socialista.
Eu teria sempre que dizer isto, nunca iria afirmar que pedia as eleições. Mas, estou convicto que estamos em condições de ganhar e, quanto mais população contacto, mais consolido esta consciência, mais consolido esta ideia, porque há um grande descontentamento com a gestão do Partido Socialista, maior do que eu pensava que havia, e, portanto, por essas razões, e porque todos aprendemos com a vida.
Por outro lado, considero que se começa a dar início a uma recuperação da base eleitoral do PCP, da CDU e porque nós estamos a fazer uma acção eleitoral, no sentido de envolver as pessoas na busca de soluções para os problemas, a forma como o PCP intervém politicamente, por tudo isso, o que está a acontecer no Barreiro, é a vitória da CDU e a vitória do Barreiro, porque está a ser construída com as populações.
Aliás, nós uma vitória já temos. A vitória de abanar consciências, de apelar à participação.
E, como eu tenho dito ultimamente, estamos a construir um tempo novo. Um tempo de intervir na vida, de construir cidadania. Não estamos a fazer isso para ganhar as eleições. Também queremos ganhar.
Estamos a fazer isto porque é esta que queremos que seja a forma de gestão autárquica do concelho.
Queremos que a população do Barreiro, particularmente, aqueles que têm uma participação mais activa, nos exijam que isto não sejam só acções para agora, mas que exijam esta nossa forma de estar sempre”.
Carlos Humberto referiu que o Programa Eleitoral da CDU está ser construído no diálogo com as populações.
E a finalizar expressou a sua convicção que “com realismo com convicção, com descentralização para as Juntas de Freguesia, com o diálogo com as populações será construído um Barreiro num tempo novo”.










