Alfredo Floreano - Empresário na Moita“Somos o concelho que mais cresceu nos últimos dez anos”
Sublinhe-se que no concelho da Moita a construção civil é o principal empregador, produz 6.4% da riqueza do concelho, emprega 9% da população e representa 83% do investimento que é concretizado na Moita.

Por Jornal Rostos
Alfredo Manuel Paiva Floreano, natural da Baixa da Banheira, onde nasceu em 8 de Dezembro de 1951, viveu toda a sua vida na Baixa da Banheira, é uma personalidade prestigiada no concelho da Moita e um empresário de referência.
Numa conversa com jornal “Rostos” Alfredo Floreano, deu a conhecer o empresário, o homem, o cidadão que ama a sua terra e acima de tudo que é um homem com muita esperança.
Toda a gente se conhecia
Alfredo Floreano, recorda o seu tempo de criança - “Foi um tempo engraçado. Com muitas dificuldades, mas engraçado, porque havia muita camaradagem, toda a gente se conhecia, hoje, isso, é muito difícil.
Sabe, a Baixa da Banheira, tomou uma grande dimensão e, de facto, ninguém esperava que a Baixa da Banheira se transformasse naquilo que é hoje”.
Neste mergulho pelas memórias de infância recorda que “a minha zona era a zona da “Cabeça do Padre, a Rua 37, por ali acima, ali onde está a Ponte Plaisir, (a ponte de pedra que passa por cima da linha do comboio), aí , nessa zona era onde eu vivia”.
Foram tempos maravilhosos
Seu pai trabalhava na CUF, e, por uma questão de doença foi obrigado a reformar-se daquela empresa.
“Então ele começou a fazer um prédiozinho” – recorda Alfredo Floreano.
“A Escola Primária foi feita na Baixa da Banheira. Havia Muita brincadeira e tenho muitos amigos desse tempo.
Ainda hoje me falaram de um colega o “Almaça”, que é professor Universitário e está a tirar o Mestrado em Madrid.
Depois fui estudar para a Escola Alfredo da Silva, onde fiz muitos amigos no Barreiro.
Pratiquei remo no Grupo Desportivo da CUF, no tempo do Bóia e do Barroso, que foram aos jogos Olímpicos e foram campeões nacionais.
Eles chamavam para a prática do remo muita juventude” – sublinha Alfredo Floreano, nesta percurso sobre as memórias.
Com emoção recorda amigos da sua adolescência – “O João Pedro era vocacionado para o desporto, jogava futebol, bilhar, basquetebol .Nasceu para o desporto. O João Pedro, o Alex, o Baltazar, o Alexandre Matos era o meu grupo desporto”.
E salienta que - “Não havia rivalidade entre o pessoal da Baixa da Banheira e Barreiro, havia entre as duas zonas “os do lado de lá da linha” e “os do lado de cá da linha”, hoje é zona norte e a zona sul
Foram tempos maravilhosos” – sublinha, com emoção e saudade nas suas palavras.
A experiência da Guiné
“Na Escola Alfredo da Silva fiz o Curso de Montador Electricista, depois fiz as Secções” – recorda.
Seguiu-se um percurso no Instituto Industrial, interrompido com a vida militar.
“Fui para a tropa. Fui Para a Guiné. Foi Uma experiência. Estive na fronteira coma Guiné- Conacri
Ainda estive uns meses sob o comando de António Spínola, depois foi Betencourt Rodrigues.
Tive sorte, porque estive numa zona onde não havia muita guerra, havia apenas umas situações de vez em quando.
Estive lá um ano e pouco e depois vim com o 25 de Abril.” – salienta Alfredo Floreano.
E a propósito do 25 de Abril, notamos a forma apaixonada como refere essa data – “Foi uma das coisas boas, entre várias, que o 25 de Abril me fez, foi trazer-me de regresso.
O 25 de Abril para mim significou muita coisa, primeiro, teve essa importância de me trazer da guerra, porque aquilo era uma coisa totalmente inútil.
Sabe, o meu pai estava precisar de mim, já com a empresa formada. E ele já era um homem de idade.
Eu lá, na Guiné, pensava que seria mais útil aqui ao meu pai e á minha mãe, que sofriam com a minha ausência.
Eu não estava lá fazer nada, aquilo era completamente inútil. O 25 de Abril foi muito bom porque me fez vir de lá…” – sublinha Alfredo Floreano.
Tempo em que não havia liberdade
“Sabe, em termos empresarias, muito sinceramente, nunca pensei ser o que sou hoje, como costumo dizer em roda de amigos.
E digo-lhe, penso, que grande parte daquilo sou o devo às mudanças politicas que se fizeram neste país após o 25 de Abril.
Sabe tão bem como eu que naquele tempo era tudo só para uns quantos. Fazer uma empresa era muito difícil.
O país estava nas mãos de uns quantos, o Champalimaud produzia o aço, o sabão eram os Mellos. Isso mudou com o 25 de Abril, Portugal abriu as fronteiras ao mundo.
E, acima de tudo, criou-se liberdade que é muito importante, que fez as pessoas saberem o que é viver em conjunto, coisa que as pessoas não sabiam.
Antes do 25 de Abril, toda a gente vivia, no seu pequeno mundo, sempre com medo do outro, que o prejudicasse nisto ou naquilo, principalmente em questões politicas.
Não havia liberdade de forma nenhuma e a falta de liberdade cerceia de qualquer forma, sempre, o progresso.
Acho que foi a melhor coisa que nos pode ter acontecido, foi equiparar-nos à Europa, em liberdade.” – salienta Alfredo Floreano.
Primeira coisa foi beber Coca Cola
“Olhe, eu casei em 1977, em 1979 fui pai. Tenho dois filhos o Ricardo, que tem 27 anos e a Sofia que tem 21 anos.
Quando casei foi a minha segunda viagem ao estrangeiro.
Até aí, apenas tinha ido numa viagem a Espanha numa festa de finalistas.
Quando chegámos a Badajoz a primeira coisa foi parar, para bebermos uma Coca Cola, que não havia em Portugal por que era proibido.
Nesse tempo já víamos a diferença que existia entre Espanha e Portugal.
E, como lhe estava a dizer, quando casei fui um mês pela Europa. Foi um deslumbre, ver o que eram os outros países as coisas que nos encantavam, tão diferentes de nós.” – recorda.
Tivemos avanço com o 25 de Abril
“Hoje já somos diferentes. Embora eu ache, por vezes, que há uma coisa que é a politica, sim a politica, é que nos faz estar na cauda a da Europa e cada vez mais atrasados.
Tivemos avanço com o 25 de Abril e agora parece que agora estamos a regredir.
Mas, de qualquer forma, é muito diferente este Portugal daquele tempo antes do 25 de Abril.” – sublinha Alfredo Floreano.
A empresa tem o nome do meu pai
“Quando regressei da vida militar. O meu pai tinha uns terrenos. Então, comecei a construir. E, foi quando comecei a ver que, realmente, poderia formar a empresa.
Foi constituída a empresa - Alfredo Floreano & Filho, SA
A empresa tem o nome do meu pai. Sabe naquele tempo havia dificuldade em constituir empresas, por isso construía-se em nome individual, íamos fazendo um prédiozito aqui, um prédiozito ali para vender a pessoas que vinham de Lisboa comprar andares. Eram pequenos comerciantes que compravam prédios para arrendar, uma forma de fazerem a aplicação das suas poupanças. Depois veio a vaga do emigrantes. Outros tempos.” – recorda ao falar dos tempos que marcaram o arranque da sua empresa.
Contribuir para crescimento da Vila
Alfredo Floerano, salienta que ao longo da sua vida acompanhou o progresso e o desenvolvimento da Baixa da Banheira
“Sinto a Baixa da Banheira com algo que me pertence, sou das primeiras, das primeiras gerações de pessoas nascidas aqui, com muitos amigos, como o meu grande amigo José Manuel Figueiredo.
Sei que a minha empresa foi uma empresa contribuiu para o crescimento da Vila.” – sublinha, com orgulho, o empresário Alfredo Floreano.
Pessoas que subiram a pulso
“Sabe, as pessoas que estão a construir aqui na Baixa da Banheira são todas oriundas de operários, somos pessoas que começámos todos de baixo.
Todos os empresários da Baixa da Banheira são oriundos da classe operária, são todos pessoas que subiram tudo a pulso.
Somos empresários de trabalho, gente que trabalha desde sempre com paixão à terra e ao que faz” – salienta Alfredo Floreano.
As pessoas gostam de cá estar
“Nós somos uma empresa dedicada à construção no concelho da Moita (Alhos Vedros, Moita e Baixa da Banheira).
E hoje, não é fácil, mas, digo-lhe que o mercado ainda chega para todos.
O problema é a conjectura nacional que nos cria muitas dificuldades, neste momento é difícil que o país está a viver.
Sabe, tudo o que se constrói na Baixa da Banheira vende-se, porque as pessoas que cá estão, gostam de cá estar.” – salienta Alfredo Floreano.
Construir com qualidade
“O José Manuel Figueiredo é que em conversas comigo dizia que a Baixa da Banheira “é uma terra singular”. As pessoas que cá estão gostam de cá viver e por cá continuam.
Hoje, estou a fazer uma urbanização para 100 fogos, e 21 garagens e há um cuidado extremo, na sua organização do espaço, nos jardins, nos equipamentos.
Sei que dantes não se fazia nada disso, nem havia preocupações com nada.
Mas isso, que hoje se faz, a mim agrada-me, porque quanto mais qualidade eu tiver nas minhas construções, mais argumentos de venda tenho e, sem dúvida, melhor posso chamar os meus clientes.
E, estou consciente, também quanto mais qualidade eu tiver e os meus colegas tiverem, também estamos a contribuir para fazermos uma terra melhor, permitindo que mais gente venha comprar, seja a mim, ou a um colega meu.” – salienta Alfredo Floreano.
“Sabe, eu acho que todos temos que trabalhar e puxar num só sentido, essa é uma forma que temos de vencer, trabalharmos todos no mesmo sentido, dar qualidade ao que fazemos e para quem nos quer comprar casas, só assim, realmente, contribuímos para mais qualidade de vida e para que todos possamos progredir” – sublinha.
Novo olhar sobre a construção civil
“As relações com as autarquias são sempre difíceis, porque as autarquias sempre viram os construtores como os maus da fita, mas, na verdade, as coisas têm melhorado e hoje já não existe essa velha ideia que “os construtores são uns malandros, só querem é ganhar dinheiro, partir e acabar.”
Felizmente, a Câmara Municipal da Moita tem, realmente, de há uns tempos a esta parte, olhado de outra forma para os empresários de construção civil.
Eles, os autarcas, já viram, já se aperceberam que é connosco, os aqui da terra, que se as coisas se conseguem, porque nós é que auxiliamos, não são os outros que vêem de fora que fazem dois prédios e deixam tudo de qualquer maneira, e, é por isso, que agora há por aí problemas terríveis, com a falta de licenças de habitabilidade.” – sublinha Alfredo Floreano.
A autarquia e os empresários
“Nos últimos tempos, de facto, tem havido um certo cuidado com o relacionamento entre a autarquia com os empresários que, eles, consideram os empresários da terra.
Não se trata de existir qualquer segregacionismo em relação aos quem vêm de fora, de forma nenhuma, mas é, realmente, ver que, quem vem de fora, tem que jogar o jogo de quem cá está, porque, se não vem jogar o jogo de quem cá, então, está acho bem que a Câmara aperte um pouco mais.” – acrescenta o empresário banheirense.
“Quem vive aqui, tem o escritório aqui, que anda nas ruas todos os dias, não vai fazer uma aldrabice qualquer para depois, realmente, nunca mais andar na rua, nem ao ir à Câmara ter condições para conseguir resolver os problemas.” – salienta.
Moita em crescimento
A empresa Alfredo Floreano & Filho, SA conta com 12 trabalhadores directos, depois tem, obviamente, muitos indirectos.
Sublinhe-se que no concelho da Moita a construção civil é o principal empregador, produz 6.4% da riqueza do concelho, emprega 9% da população e representa 83% do investimento que é concretizado na Moita.
“Somos o concelho que mais tem crescido em construção no Distrito de Setubal, à excepção do Montijo.
Somos o concelho que mais cresceu nos últimos dez anos
Somos um concelho com um grande crescimento e muita potencial económico
Somos o concelho com mais parques industriais, com mais área industrial edificada, no distrito” – salienta Alfredo Floreano.
“Aprovei agora uma área com 3000 metros de armazens, na Broega, e reconheço que a Câmara está a acarinhar muito a feitura de zonas industriais, porque este concelho tem que deixar de ser um dormitório.” – refere na nossa conversa.
Há coisas que não se aprendem
“Se voltasse atrás, voltava de novo a fazer o mesmo, porque sinto que tenho jeito para esta actividade.
Sabe, isto é daquelas coisas que não se aprendem, nascem com a gente, tem que haver um feeling.
Por vezes, há coisas que penso nelas, deito-me a pensar nelas, removo na almofada e no outro dia, dou comigo a avançar, e, realmente, o que penso, sai bem, porque está dentro de nós e, é com esse sentimento que as coisas vão crescendo.
Quando se faz o que se gosta, de facto, normalmente, as coisas saem sempre bem.
Eu faço o que gosto. Sinto-me bem. Tenho um bom relacionamento humano e, realmente, tudo isso me dá facilidades.
Dou-me com as pessoas, bem, com muita cordialidade.
Não tenho medo de estabelecer relações com as pessoas.”
E com um sorriso refere que - “Sou do Benfica. Mas, sou mais Barreirense que Benfica. O meu clube do coração é o Barreirense.”
Politicamente estamos bem
Alfredo Floreano refere ainda, a propósito do que pensa sobre o concelho da Moita que -“Politicamente acho que estamos bem.
Sabe, para além de ser amigo pessoal do João Lobo, desde miúdo, porque o pai dele era para ter sido sócio do meu pai, nós damo-nos bem, ele é um homem comunicativo.
É verdade que politicamente não somos do mesmo sitio, até porque eu, digo-lhe, não sou de nenhum, mas ou um apoiante do João Lobo em termos locais.”
E, por outro lado sublinha que – “Acho que no concelho da Moita faz muita falta um Hotel.
Também, faz falta, realmente, um maior apoio das entidades oficiais às colectividades do desporto, como aquilo que nós vimos noutros concelhos.
Por exemplo, faz falta apoiar o futebol. O concelho da Moita não tem uma equipa de futebol nos distritais e a verdade é que o homem não vive só de cultura.
Considero o Fórum José Manuel Figueiredo uma obra que é excepcional.”
Um homem do associativismo
Sublinhe-se que Alfredo Floreano foi fundador do União Banheirense.
Recorda que - “Incentivei a fusão, fui o primeiro Presidente da Direcção. Fui o pai do União Banheirense.
Levei o União Banheirense à 3ª Divisão Nacional.
A fusão significou bastante. Ganhou-se dinâmica. Senti-me realizado, foi mais um filho e, sei, que tive gente muito boa a acompanhar-me. Era gente muito trabalhadora.
Acho que, hoje, já não há essa disponibilidade das pessoas em colaborar com as colectividades.”
Um homem com muita esperança
“O concelho da Moita sinto que cada vez o vejo mais desenvolvido.
A Baixa da Banheira cada vez tem melhor gente, desde Operários a muita gente licenciada, este é um sinal que, hoje, aqui, temos pessoas com outro desenvolvimento, com outras capacidades e outros conhecimentos.
A Baixa da Banheira é uma terra muito desenvolvida.
Sou um homem com muita esperança.
Sabe, a esperança é a última coisa que morre e por isso sei que é preciso continuar a trabalhar” – refere a finalizar Alfredo Floreano, esta nossa conversa, onde partilhamos memórias, recordações e descobrimos os caminhos que fazem este percurso de uma vida – “sempre em construção”.










