Saltar para o conteúdo
Cidade com Rostos

João Martins expõe aguarelas no Barreiro“Abandonei tudo e resolvi ser pintor”

Nos seus quase 75 anos de vida o pintor João Martins salienta que - “ Eu não tenho muitas conclusões a tirar mas, acho que, a finalidade da arte é fazer perguntas e esquecer as respostas.”
Realizou, na sua vida, 420 exposições em diversos recantos do mundo, agora, a partir de 4 de Junho, expõe 31 aguarelas no Restaurante Palácio Alfredo da Silva.

5 min de leitura
João Martins expõe aguarelas no Barreiro “Abandonei tudo e resolvi ser pintor”

Por Jornal Rostos

João Martins, pintor-aguarelista, expõe no Restaurante Palácio Alfredo da Silva, 31 aguarelas, proporcionando aos barreirenses um contacto com a sua obra e energia dos seus quase 75 anos que lehe permitem continuar a acordar e afirmar : “Ai que bom, estamos aqui, mais um dia !”

Kira uma amizade de décadas

João Martins conta actualmente com 74 anos, como ele refere “vou fazer 75 em Janeiro”.
Estudou pintura na escola de Belas Artes no Porto, cidade onde conhece, o Kira, no ano de 1970.
“Encontrei-me com o Kira, no Porto, não sabíamos nada um do outro e trabalhávamos para o mesmo patrão. Encontrámo-nos assim : “Eh pá estou aqui!”
E, na verdade, nunca mais acabou a nossa ligação.
Sempre que venho para o sul, venho estar com ele.
Sempre que ele passou no Norte foi estar comigo.
Esta é uma amizade de décadas” – refere João Martins, num breve diálogo com “rostos”.

Fazerem provas acompanhados do Agente da PIDE

João Martins, recorda que quando frequentou a Escola de Belas Artes do Porto, era “uma época em que eu via os meus colegas, fazerem provas, acompanhados do respectivo Agente da PIDE, pois iam às provas e voltavam para a prisão.
Isso fez-me uma grande confusão, a mim e à minha geração, o que nos levava a fugir em muitas direcções. Eu pertenço a essa geração.”

Abandonei tudo e resolvi ser pintor

João Martins tinha estudos preparatórios em Arquitectura, mas, como ele sublinha “abandonei tudo e resolvi ser pintor.”
“Sabe, nessa altura o meu pai, deitou as mãos à cabeça e pensou este gajo está na desgraça, vai-lhe acontecer o pior.
Portanto, em vez de tirar o dito curso de pintura até ao fim, fiquei pelo meio e estudei 17 anos, com o propósito e o objectivo único de me tornar pintor e só pintor.” – salienta João Martins.

Participou em 420 exposições pelo mundo

“Ao fim dos 17 anos vendi um quadro. Quando vendi o quadro pensei : Estou maduro, vou cair da figueira. Cai da figueira e fui para o público, no ano de 1970.
A partir daí, na verdade, fui para o mundo…
Tenho realizadas 420 exposições. Marquei presença em dez países, em três continentes, em participações colectivas e individuais.
Destas 420 exposições em que participei, cerca de 10 % foram individuais, quer em Portugal, na Europa ou no Brasil.” – refere João Martins, com um sorriso brilhante no seu olhar.

Demarca-se no plano nacional como aguarelista

Os dicionários de pintura definem o trabalho de João Martins – “como um pintor neo figurativo, de raiz geométrica, de orientação abstractizante e mais recentemente abstracto. Demarca-se como aguarelista.
“A minha nota é a aguarela. Virei-me para a aguarela e daqui nunca mais sai e continuo na aguarela. Embora pinte tudo o resto e use todas as técnicas.
Digamos que estou no grupo dos aguarelistas com cartaz cá no nosso país” – sublinha João Martins, em cuja olhar se nota uma grande jovialidade e sonho.

Ser capaz de reconhecer os sorrisos

Vamos conversando com João Martins, um conversador nato, contador de estórias e memórias.
“Tenho só 74 anos. Vou fazer 75 em Janeiro, no dia 3 de Janeiro.
Sabe, sou um Capricórnio com umas influências bastante pronunciadas de um monstrozinho que me tem perseguido toda a vida, sempre atrás do Capricórnio, que é um senhor que os Romanos chamaram Neptuno, afinal um senhor que me tem dado, poder, dores de cabeça e capacidade de sonhar.” – sublinha com entusiasmo nas suas palavras João Martins.
Sublinha o artista que Neptuno, deu-lhe – “essa coisa de ser capaz de reconhecer os sorrisos das pessoas e ser, também, um analfabeto no campo do desporto, a partir do futebol”.

Finalidade da arte é fazer perguntas

Na sua experiência de vida e de criador João Martins salienta que – “ Eu não tenho muitas conclusões a tirar mas, acho que, a finalidade da arte é fazer perguntas e esquecer as respostas.
Essa coisa de erudições fáceis e palavras de muita ciência explicativa a mim não me dizem absolutamente nada, nem a mim, nem à geração dos artistas que me precederam e que me acompanharam, aqueles são hoje da minha idade”

Ai que bom, estamos aqui, mais um dia !

A finalizar este nosso breve diálogo João Martins sublinha que – “contínuo a ser o tal apreciador da preguiça como método de trabalho e a gostar de acordar pela manhã e dizer : “Ai que bom, estamos aqui, mais um dia !”
No Restaurante “Palácio Alfredo da Silva”, na Rua Lawes, nº 2ª, Bairro de Santa Bárbara, no Barreiro, pode visitar a exposição de aguarelas de João Martins, a partir de 4 de Junho, das 10,30 horas às 21 horas. A inauguração da exposição decorre no dia 4 de Junho, pelas 17 horas.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção