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Cidade com Rostos

Catarina Marcelino, PS SetúbalDefensora de Lei sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez

. Aumentar a participação das mulheres

. PS está unido em torno do líder

“Sou defensora da co-incineração, porque acho que tem que haver uma solução para o problema e tem que ser em algum sitio.
Os estudos demonstram que não vai prejudicar a Serra da Arrábida” – referiu Catarina Marcelino, Presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas do Distrito de Setúbal, em entrevista a “Rostos”.

12 min de leitura
Catarina Marcelino, PS Setúbal Defensora de Lei sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez

Por S.P.

Catarina Marcelino foi eleita Presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas do Distrito de Setúbal, tomou posse a 8 de Julho, e salienta, “neste momento não há lista A, nem lista B, estamos todas a trabalhar em prol de uma maior igualdade de género no distrito”.
No dia 23 de Setembro vai ser promovida uma iniciativa das mulheres socialistas sobre desenvolvimento regional na perspectiva de género – “vai marcar o inicio do nosso trabalho efectivo enquanto Departamento, contando com a presença de figuras de relevo nacional, nesta área da dimensão do género, que toca todas as formas da vida da sociedade”.

Pelas grandes causas da humanidade

A sua vida tem sido feita no Montijo, esta é a sua cidade, com ela diz, “só fui nascer a Lisboa”.
Nasceu no dia 25 de Janeiro de 1971, conta 35 anos, de signo Aquário, sobre os signos comenta – “Acho que pode haver alguma interferência na nossa vida, pela componente astral, mas algumas características do Aquário, aquelas que atribuem ao meu signo, têm de facto a ver comigo”.
Sublinhou ainda Catarina Marcelino que as pessoas do seu signo são “pessoas que fazem uma grande aposta, lutam muito pelas causas sociais, pelas grandes causas da humanidade, são pessoas sonhadoras e eu, acho, que me identifico com essas características, mas também me identificarei com outras características de outros signos.”
É militante do Partido Socialista desde 1999, embora tenha começado a acompanhar a vida do PS, em 1997, ano em que o PS conquistou a Câmara Municipal do Montijo.

Respeito muito Amélia Antunes

Sendo natural do Montijo e uma activa militante do Partido Socialista, naquele concelho, Amélia Antunes, Presidente da Câmara Municipal do Montijo, eleita pelo PS, não apoiou a sua candidatura à Presidência do Departamento de Mulheres do Distrito de Setúbal, sobre esta matéria sublinha Catarina Marcelino : “A Amélia Antunes não apoiou a minha candidatura, porque temos opções políticas diferentes, eu também não apoiei Amélia Antunes, na sua candidatura à Presidência da Federação. Temos posturas diferentes na política.
Mas, digo-lhe, eu respeito muito a Amélia Antunes, acho que ela tem sido uma grande Presidente de Câmara, em termos do Partido e em termos da Federação, temos projectos diferentes, opções diferentes, que eu respeito, mas a política é assim e é sinal de democracia”.
Recordou que Amélia Antunes, defendeu publicamente que o Departamento das Mulheres socialistas “não faz sentido”, talvez, por essa razão “não fazia sentido que ela tivesse sido mandatária da outra candidata”.

Federação últimos anos foram de muita inércia

O que as separa em termos políticos?
“Nesta área da igualdade, acho, que temos posturas semelhantes, na defesa da igualdade e dos direitos das mulheres e dos homens, em pé de igualdade na causa pública e na política.
Na Federação, não apoiei a Amélia Antunes, porque considero que era preciso uma nova dinâmica para a Federação, porque os dois últimos anos foram anos de muita inércia, foram momentos conturbados pelos momentos eleitorais que aconteceram mas, parece-me, que se poderia ter ido mais longe, podia ter sido feito mais em nome da Federação.
Penso que a Amélia Antunes tinha esse objectivo mas não conseguiu essa dinâmica e, por isso, acho que era necessário alguém com uma dinâmica maior, e, Vítor Ramalho tem demonstrado, nos últimos meses que, de facto, tem essa capacidade, de dinamizar a Federação e tornar o PS, no Distrito, mais forte.”

Aumentar a participação das mulheres

Na sua função, agora eleita, quais são as suas prioridades?
“Eu tinha um programa eleitoral que tento cumprir, sendo um programa ambicioso, não impossível de cumprir, aí estão definidas as áreas onde procuraremos intervir.
Essa intervenção vai ser feita sobretudo pela questão da participação, no aumentar a participação das mulheres que já estão no partido e trazer novas mulheres para o PS.
Esta uma lógica, evidentemente, que não é só do Departamento mas tem que ser vista na perspectiva da Federação.
Por outro lado, acompanhar a agenda do PS e do país, nomeadamente, no que diz respeito a questões chave em matéria de igualdade, que passarão, sobretudo, neste momento, por continuar a apoiar a iniciativa da Lei da Paridade para que o PS tenha mulheres e, daqui a dois anos, nós possamos cumprir essa legislação.”

As mulheres tenham condições para participar

O aumento da participação das mulheres na vida política passa apenas pela Lei da Paridade?
“Eu acho que não passa só pela Lei da Paridade, mas acho que também passa pela Lei da Paridade.
Nós sabemos que os países mais desenvolvidos, nos países onde há maior igualdade entre homens e mulheres ( estou a falar dos países do Norte da Europa, pelos dados das Nações Unidas), são países que têm quotas de participação de género.
Não significa que seja instituído por lei, porque sabemos que culturalmente os países do norte da Europa são diferentes de nós, mas, os países com maior índice de desenvolvimento, os países que civilizacionalmente deram passos em frente, têm uma participação equilibrada de homens e mulheres.
Por isso, acho que a Lei da Paridade vem dar este passo importante civilizacional em Portugal.”

Não chega só a Lei da Paridade

“Acho que não chega só a Lei da Paridade, por isso, os Departamentos de Mulheres do PS, podem ter um papel importante no que toca ao Partido Socialista cumprir este objectivo, porque não basta dizer que são precisas mulheres, é necessário que as mulheres tenham condições para participar.
As mulheres, muitas vezes, não estão disponíveis, ou pela sua falta de prática na participação política, tem um grande acanhamento na forma como participam, ou seja, são mais caladas, não estão tão disponíveis.
Por isso, o meu programa eleitoral desenvolve-se no sentido de fazer formação para as mulheres que já estão no partido, formação de intervenção política, não é formação temática, é formação que ajude as pessoas a intervir politicamente, que falem em público, e, por outro lado, parece-me que é importante, que estas mulheres se preparem porque, daqui a quatro anos vamos ter que provar que temos mulheres para as listas, quer para as legislativas, quer para as eleições autárquicas.”

Pós graduação na Igualdade de Género

O seu objectivo é integrar as listas nas legislativas?
“Não é esse o objectivo. Essa pergunta é uma pergunta malandra. Não, não é esse o objectivo
Eu candidatei-me ao Departamento das Mulheres Socialistas porque sempre fui uma pessoa que acreditou nesta causa, desde sempre, quem me conhece, sabe que eu tenho um percurso nesta causa.
Fazia parte do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas, representei o Departamento Nacional na Comissão para a Igualdade dos Direitos das Mulheres, na Câmara Municipal do Montijo (onde sou funcionária) coordenei e dirigi um espaço de informação de mulheres e era Conselheira para a Igualdade, tenho uma pós graduação na Igualdade de Género, portanto, sempre foi uma área de eleição para mim, e, neste momento, achei que era a altura, que estava preparada, tanto nesta matéria, uma matéria em que sempre militei de alguma forma, como no meu percurso dentro do partido, achei que estava disponível e estava em condições para me candidatar e exercer este lugar.
Estes dois anos, não são dois anos, que tenha, como objectivo integrar listas nenhumas, porque não vai haver eleições nestes dois anos, e, não sei, depois logo se vê o que vai acontecer”.

Proteger as pessoas vítimas de violência

Como comenta o constante aumento da violência doméstica?
“Este é um problema que não é português, é um problema internacional, é um problema que cruza todas as sociedades, cruza todos os níveis sociais.
Felizmente, neste momento, há uma atenção especial para o problema, o que demonstra que a sociedade portuguesa está a evoluir e há uma preocupação, que foi trazida pelo Governo Socialista, porque o primeiro plano nacional contra a violência doméstica, foi construído no Governo de António Guterres, sendo os seus governos que deram passos importantes em termos de legislação.
Este é um problema que a sociedade tem que estar atenta, porque ainda há muito a fazer, sobretudo no que diz respeito à alteração da legislação de forma a proteger mais as pessoas que são vítimas de violência.”

Trabalhar a favor da despenalização

E qual a sua opinião sobre a despenalização do aborto?
“Eu não sou defensora do aborto, acho que ninguém é defensor do aborto.
Sou defensora de uma lei que permita a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
É uma questão de saúde pública e sobretudo uma questão social.
Não é por sermos a favor ou contra esta lei que este problema deixa de existir.
São as pessoas com menos capacidades económicas que recorrem a estes actos clandestinos em Portugal, porque quem tem capacidade económica vai ao estrangeiro.
É uma questão de justiça social, porque não estamos a dar igualdade de oportunidades nesta matéria a todas as mulheres, nas mesmas circunstâncias.
Há uma questão politica, o Secretário Geral do PS, defendeu esta causa, foi uma das medidas eleitorais, colocando o referendo como uma bandeira eleitoral, e, o Partido Socialista tem que honrar essa bandeira eleitoral.
O Secretário Geral do PS disse, frontalmente, que é a favor da despenalização.
Esta, também é uma das propostas do meu programa eleitoral e sobre a qual vamos trabalhar, fortemente, a favor da despenalização”.

Resolver um problema que existe no país

Que pensa da co-incineração na Serra da Arrábida?
“Sou defensora da co-incineração, porque acho que tem que haver uma solução para o problema e tem que ser em algum sitio.
Os estudos demonstram que não vai prejudicar a Serra da Arrábida, acho que essa é uma falsa questão e temos que ir para a frente com a co-incineração e de uma vez por todas tratarmos dos resíduos tóxicos em Portugal.
Os estudos estão feitos, o nosso Primeiro Ministro não é irresponsável, o nosso Governo não é irresponsável, temos que resolver o problema se não for na Arrábida, terá que ser noutro sitio qualquer, porque é preciso resolver um problema que existe no país.”

Política séria de investimento nos alunos

Também subscreve as políticas de educação que estão em marcha?
“Eu tenho que tirar o chapéu a esta Ministra e mostra, claramente, que as mulheres também podem ser firmes na política.
Maria de Lurdes Rodrigues tem demonstrado isso, porque, houve de facto, pela primeira vez a coragem de ter uma política séria de Educação em Portugal.
Não é uma política que tenha o corporativismo da classe, é uma política que defende os alunos e defende o futuro do país.
Por exemplo, permitir o alargamento da escolaridade, até ao fim do dia, (há 400 mil crianças nas escolas do 1º ciclo, em Portugal, dessas 300 mil, nós não sabemos onde estão a partir das 15,30 horas). Esta Ministra teve a coragem de estender o horário das escolas até às 17,30 horas e dar ás crianças a oportunidade de aprenderem Inglês.
Acho que há uma política séria de investimento nos alunos, com a perspectiva de um futuro melhor.”

Há um aproveitamento do PCP

Que apreciação faz da vida interna do PS no distrito de Setúbal? Funciona de um forma solidária ou há muitos conflitos de grupos?
“Eu acho que há uma imagem do PS, no distrito, de um PS dividido e partido, onde há lutas internas.
Penso que essa imagem, é uma imagem que tem dado muita força ao PCP, no distrito, por exemplo, nós ganhamos as eleições legislativas, os resultados do PS no distrito são óptimos, quando há eleições para as autárquicas, os resultados do PS não são nada bons.
Isto, tem a ver com a imagem que se passa e se quer passar do PS como um partido dividido, de um partido com guerras internas graves, que dividem e tiram força ao partido.
Acho que há um aproveitamento do PCP desta lógica, ou desta imagem, e acho que o PS não está dividido, Vítor Ramalho é o Presidente da Federação, de todos os socialistas, neste momento, há uma dinâmica forte.
Há momentos que são democráticos, que são importantes enquanto partido democrático o PS é, onde surgem vários candidatos, não sou de opinião que haver candidato único é bom, na minha opinião é bom que hajam vários candidatos, que demonstra que há uma politica democrática no PS, mas, a seguir as tropas unem-se em torno de quem ganhou as eleições.
Vítor Ramalho tem conseguido, com várias iniciativas e com dinâmica, o que demonstra que não há uma divisão dentro do partido, o PS está unido em torno do líder.
Vamos para a frente e vamos conquistar novamente Câmaras e vamos demonstrar que o PS está unido, com uma dinâmica forte.”

Defendemos as causas da esquerda

Catarina Marcelino revelou que a sua adesão ao PS resultou do facto de sentir, em 1995, que o país precisava de uma alternativa de esquerda e, então, acreditou em António Guterres e nos Estados Gerais.
“Acreditei que o PS podia fazer a diferença no país, perante a decadência do PSD e do cavaquismo, que eu sabia que não era aquele o caminho que eu defendia.
Acreditei numa lógica próxima de uma terceira via que o Guterres defendia e comecei a fazer o percurso por aí” – salienta, acrescentando – “Aproximei-me do PS, porque acho que o PS é um partido responsável, defende as causas da esquerda, que o PC e sobretudo o Bloco de Esquerda nos querem tirar, que querem dizer que nós não defendemos.
Mas, nós defendemos as causas da esquerda com responsabilidade, porque somos um partido de poder, que agarra as causas e faz a diferença.
O PS é um partido que defende a igualdade e defende as causas sociais.”

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