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Cidade com Rostos

Bispo de Setúbal no Barreiro“A Diocese tem imensos problemas de ordem social”

. Padre José Manuel Andrade assume as funções de Pároco de Santa Cruz

O Bispo de Setúbal, D. Gilberto Canavarro dos Reis, esteve ontem, no Barreiro, participando na última missa celebrada, no Barreiro, pelo Padre José Mahon, que vai partir na sua missão para o Brasil, a sua terra natal.

Em diálogo com «Rostos» o Bispo de Setúbal salientou que reconhece no Padre José “a sua dimensão evangelizadora, de não encerrar a Igreja dentro do templo, mas, trazer a Igreja e por a Igreja em comunicação com as pessoas.”.

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Bispo de Setúbal no Barreiro “A Diocese tem imensos problemas de ordem social”

Por Jornal Rostos

No breve diálogo com «Rostos on line», o Bispo de Setúbal, D. Gilberto Canavarro dos Reis, para além de nos falar do Padre José Mahon, salientou aspectos da realidade social da Diocese de Setúbal que considerou viver grandes problemas de ordem social.

Abrir a Igreja à comunidade

Como avalia a acção do Padre José Mahon no Barreiro?

“Olhe, com o tive a oportunidade de lhe dizer a ele, diante da comunidade, o Padre José Mahon fez um trabalho excelente, muito bom, e, reconheço algumas características : a capacidade de acolhimento, a capacidade de relação humana, o diálogo com as pessoas, saliento a alegria dele, e, uma outra que considero muito forte, a sua dimensão evangelizadora, de não encerrar a Igreja dentro do templo, mas, trazer a Igreja e por a Igreja em comunicação com as pessoas. Estas algumas das suas características.
Depois, sublinho outro aspecto, o seu sentido de comunhão eclesial, o seu sentido de comunhão com o Bispo, que preside, neste caso comigo, com mais sentido de comunhão, do que de dever, muitas vezes.
Naturalmente que a saída dele foi uma decisão, do superior dele, que naturalmente aceito, pois, pertence-lhe a ele, e não me pertence a mim, dizer se os Padres ficam ou não ficam.
Sei que com a saída dele ficamos aqui mais pobres, acontece sempre que alguém sai, ficamos mais pobres.
Naturalmente, todos somos importantes, mas, percebo também a saída dele numa visão de Igreja, mais larga de quem, como o Superior Geral, tem a dimensão da Igreja, espalhada por vários lugares do mundo, e, portanto, o Superior percebeu que ele, neste momento, fazia mais falta lá, compreendo, também isso, nessa dimensão de universalidade da Igreja.”

A certeza de que ficamos com ele no coração

Que mensagem deixa aqui ao Padre José, nesta hora da sua partida?

“Como tive oportunidade de lhe dizer, a minha mensagem é de agradecimento, uma mensagem de comunhão, porque a Igreja está sempre unida, independentemente dos quilómetros, a certeza de que ficamos com ele no coração e também que nos leve no coração.
Para aqui, virá outro Padre, um padre jovem, que já é Vigário Paroquial e que vai ficar agora responsabilizado pela Paróquia, que já é responsável da Igreja de Nª Srª do Rosário e continua, acumulando as duas funções.
O Padre José Manuel Andrade, é um padre jovem, está a começar, tem outro estilo, porque todos temos um estilo diferente, mas, eu digo, que os vários estilos, não nos prejudicam, pelo contrário nos enriquecem.
Assim como, os quatro evangelistas, muito diferentes e nos dão rostos complementares de um único Jesus, assim também, cada Padre que passa, nos ajuda a perceber aspectos diferentes da Igreja.

Todos ajudaremos a completar o mesmo rosto de Jesus.

A propósito de cada Padre que passa, ajuda-nos a compreender aspectos diferentes da Igreja.
A sua presença na Diocese de Setúbal, está a marcar uma forma diferente, por exemplo, da acção desenvolvida por D. Manuel ?

“É evidente. Na minha experiência já convivi com o Papa Pio XII; depois veio João XXIII, depois Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e agora este novo Papa, e, digo-lhe, sinto uma riqueza enorme, de terem havido vários Papas, diferentes, quem viu o Papa Pio XII, depois quem vê o João XII e Paulo VI, que diferenças entre eles, mas, ao mesmo tempo, que riqueza de complementaridade.
Naturalmente, na Diocese, ontem esteve o D. Manuel, hoje estou eu, amanhã há-de vir outro, depois há-de vir outro, todos seremos diferentes, mas todos ajudaremos a completar o mesmo rosto de Jesus.

São imensas as dificuldades na Diocese.

Como analisa a situação da Diocese de Setúbal nos dias de hoje, no plano social e na acção da Igreja?

“No aspecto social, como sabe, a Diocese tem imensos problemas de ordem social, que são conhecidos, de toda a ordem, umas vezes acentuam-se mais, outras vezes menos, mas é uma Diocese com imensas dificuldades, nos vários campos, desde dificuldades de emprego ( ainda agora me encontrei com duas pessoas desempregadas), dificuldades de solidão, de idosos, há imensa gente que vive na solidão, há problemas de álcool, de toxicodependência, são imensas as dificuldades na Diocese.
No aspecto de evangelização da Igreja, sinto-me muito feliz por ver que há um dinamismo muito forte de evangelização, dos nossos grupos, nas várias comunidades, por vezes pequenas, minoritárias, mas com um sentido muito grande de amor à Igreja e de atenção e de abertura ao mundo.
Sinto que há essa consciência que estão aqui para serem um sinal para toda a comunidade. Eu tiro o chapéu às nossas comunidades”.

Foi um breve diálogo, com D.José Reis Canavarro, Bispo de Setúbal, no dia em que o Barreiro se despediu de um homem, que soube abrir a Igreja à comunidade e cultivar a amizade.

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