Carlos Oliveira “Bóia” – Campeão do MundoPor esse Rio acima…todos na descoberta do Rio Coina
Carlos Oliveira “Bóia”, nos Estados Unidos da América, com a camisola da Selecção Nacional, conquistou três Medalhas de Ouro.
No próximo dia 5 de Novembro, Carlos “Bóia” vai ser homenageado e ser o “padrinho” de uma subida do Rio Coina.

Por Jornal Rostos
Carlos Oliveira, “Bóia”, barreirense, atleta olímpico, um veterano do remo, esteve recentemente nos Estados Unidos da América a participar no Campeonato do Mundo de Masters, no qual participam largas centenas de atletas.
“Este é um certame que engloba, particulares, clubes, países, dando origem a que se juntem, grandes atletas de competição de todo o mundo.
Muitos deles foram atletas olímpicos, campeões olímpicos, campeões do mundo, toda a gente participa neste certame, que se realiza anualmente.
Nesta prova para se alcançar um lugar no podium é preciso trabalhar muito, foi o que eu fiz este ano, coisa que eu já não fazia há imenso tempo.” – salienta Carlos Bóia.
Participei com a camisola nacional
“Participei na prova pelo Clube Ferroviários do Barreiro, estive presente com a camisola nacional.
Nesta prova, como veteranos, podemos ir com a camisola do clube, podemos ir com a camisola da selecção nacional.
A Federação Portuguesa de remo, neste momento está a preparar as coisas para quando existam provas desta natureza, que irão realizar-se em Fevereiro, em Sevilha, ou em Setembro, na Croácia, tudo deverá estar programado para que não existam dúvidas como será a nossa participação”- refere o atleta olímpico barreirense.
Três medalhas de ouro um feito inédito
“Estive seis meses a treinar diariamente, afincadamente. Falando francamente não pensava arrecadar os títulos que alcancei, porque na prova sei que participariam muitos atletas olímpicos, vindos da Rússia, da antiga RDA, e, em especial os americanos, estavam em força.
Fiz três provas. Na prova dos 55 aos 60, ganhei com uma vantagem considerável, na ordem dos 4 ou 5 barcos de avanço.
Depois, no dia seguinte, fui fazer logo às 9 horas, o skip, no escalão da minha idade, dos 60 aos 65. Ganhei também esta prova, igualmente com uma vantagem de 3 ou 4 barcos.
Minutos depois fui fazer a prova, com um rapaz, com menos 20 anos que eu, um atleta do Caminhense, que foi atleta olímpico em Atlanta, e, ganhámos, com um barco e meio de avanço, numa prova que participaram atletas olímpicos americanos. Eram atletas com dois metros de altura.
Trouxe três medalhas de ouro. Foi, de facto, uma proeza inédita, porque habitualmente, os portugueses, em qualquer categoria que participam, em qualquer modalidade, não conseguem trazer mais que uma medalha de ouro. A maior parte das vezes trazem uma de ouro e uma de prata, ou de bronze, e, desta vez, trouxemos três de ouro.
Para mim, e mesmo em termos nacionais, penso que foi a primeira vez que isto aconteceu.” – salientou Carlos Oliveira.
Dar brilho a mim, à família e à minha terra
“Isto para mim, significa bastante. É com muito orgulho que registo. Este resultado faz com que eu continue, para dar brilho a mim, à família e à minha terra.
Na verdade, limitado na idade que tenho, no que posso fazer, este resultado dá-me mais força para continuar.” – refere com emoção o nosso entrevistado, acrescentando - “Para conciliar o trabalho que eu desenvolvo, que é um trabalho de alta competição. Primeiro tive que optar por ter uma pessoa a trabalhar, no meu Ginásio, de manhã, sendo eu a pagar-lhe, para poder ter tempo para treinar à minha vontade. Foi isso que eu fiz durante seis meses, de outra forma não teria tempo para me dedicar. Era difícil. Mas, hoje, sinto que foi um dinheiro bem gasto. Proporcionei a alguém condições para trabalhar e eu fiz aquilo que gostei e que me fez bem.” – sublinha Carlos Oliveira.
Coina não é conhecido pela maioria dos barreirenses
“Treino no Coina. Sabe, a nossa terra tem maravilhas que, ao longo dos anos, não foram aproveitadas. Há projectos.
Eu gostava que a nossa zona ribeirinha saísse do marasmo em que se encontra.
Há, de facto, óptimas condições. Ao nosso lado há Câmaras que não tem as condições que nós temos e já fizeram alguma coisa.
Pode parecer que estou a criticar. Não é uma questão de critica, trata-se de eu querer muito bem para a minha terra.
O Rio Coina não é conhecido pela maioria dos barreirenses, mesmo os velhos barreirenses não têm conhecimento do que é o Coina, quando está cheio, até onde é que vai, quando está vazio, até onde se pode ir.
É pena que ao longo dos anos a Siderurgia tenha estragado o nosso Rio Coina.” – sublinhou o atleta campeão do mundo.
Coina é um rio que faz parte da história nacional
“O Coina é um rio que faz parte da história nacional.
Foi no Coina que se construíram as naus que partiram à descoberta da Índia.
Eu fiz parte da Comissão Nacional, a convite do Almirante Sousa Leitão, já falecido, para participar na Sociedade Nacional de Geografia, participar numa palestra integrada nas comemorações dos 500 anos da descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Por tudo isto, naquilo que posso fazer, tenho protegido o nosso Rio Coina.
Tenho me indignado quando alguém conspurca o Rio Coina, principalmente, quando foram aterrando para o rio algumas zonas, situações que nunca deveriam ter acontecido.
O Coina continua um rio lindo. Eu há cinquenta anos que remo no Coina.
Conheço o Coina melhor que conheço o Rio Tejo e conheço muito bem o Rio Tejo.
Todos os cantinhos do Coina eu conheço.” – salienta Carlos Bóia.
Colaboração entre o Ambiente e o Desporto
“Vai realizar-se uma prova no Rio Coina, no mês que vem, dia 5 de Novembro, e , sinto-me honrado pelo facto de o Pelouro do Ambiente e ter convidado – o Vereador Bruno Vitorino e o Engenheiro Nuno Banza – para apadrinhar esta prova.
Vamos fazer uma prova inédita – a subida do Coina, para dar a conhecer às pessoas os recantos do Rio Coina.
Penso que são iniciativas destas que valorizam o encontro com o Rio Coina.
Pessoalmente, naturalmente, sinto uma certa vaidade, por esta prova ser encarada como uma homenagem à minha pessoa, que me orgulha muito.
Mas é esta colaboração, entre o Ambiente e o Desporto, porque o Desporto também é Ambiente, muito especialmente os do remo, que valoriza os nossos espaços naturais.
Mas, acima de tudo, o que está aqui em jogo é a valorização da nossa terra.” – refere Carlos Bóia.
Chamar atenção para o Rio Coina
“Esta é uma iniciativa de bom nível. Na prova participam todos os barcos que queiram participar, de vela, remo, todos, será uma subida do Rio Coina.
Todos os clubes do Barreiro devem participar, penso que vão participar ( pena é que o Fabril não participe, porque é um clube com história no remo).
Acima de tudo sei que vão participar os que gostam, os que querem, para participar nesta prova, que tem o meu nome como referência e sabem o que eu sou como homem do remo e do desporto.
A ideia desta prova é chamar atenção para o Rio Coina.” – sublinha Carlos Oliveira – “Bóia” ao finalizar a nossa conversa, acrescentando - “Naturalmente, agradeço à Câmara Municipal do Barreiro, esta iniciativa, mas, o importante, nesta acção é alertar o Barreiro e os barreirenses, para que não esqueçam que temos uma zona ribeirinha muito bonita, ela é da nossa conta e devemos protegê-la.
Espero que todos participem para remar por esse rio acima…”










