Setúbal evoca Arqueólogo Marques da Costa"A sua perspectiva arqueológica era muito moderna para a época"

Por Jornal Rostos
A presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, a directora do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, Joaquina Soares, e o presidente da Junta de Freguesia de S. Julião, Justino Marques, descerraram a placa colocada no edifício, situado na Rua do Diário "O Setubalense", onde o arqueólogo morou, no terceiro andar, até 29 de Agosto de 1933.
Esta homenagem foi precedida, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, da sessão de abertura das comemorações do 150.º aniversário do nascimento do arqueólogo Marques da Costa, uma iniciativa da Autarquia e do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), que conta com a colaboração das juntas de freguesia de S. Julião e da Anunciada.
Maria das Dores Meira, que abriu a sessão, salientou que o trabalho do arqueólogo Marques da Costa é imprescindível para a compreensão do passado mais remoto da História de Setúbal. "Um trabalho que contribuiu para a construção da nossa identidade colectiva", acrescentou sobre Marques da Costa - um "setubalense adoptivo", nascido a 15 de Março de 1857, em Leiria.
A directora do MAEDS, Joaquina Soares, falou um pouco sobre a vida e obra de Marques da Costa, considerado o primeiro arqueólogo de Setúbal, numa altura em que arqueologia e geologia eram duas ciências "intimamente ligadas". Exemplo disso é o facto de o arqueólogo ter sido o primeiro investigador do geomonumento setubalense Pedra Furada.
"A sua perspectiva arqueológica era muito moderna para a época" contou a também arqueóloga, que acrescentou o facto de Marques da Costa ter acabado "com a ideia de que a arqueologia é recolher ´caquinhos´".
Marques da Costa, trazido até Setúbal pelo serviço militar e que chegou a ser presidente da Câmara Municipal e tenente-coronel do Exército, "procurou escavar os sítios de maior relevância para encontrar o fio condutor da região".
Do passado mais remoto, com especial ênfase para os vestígios romanos, o arqueólogo "escavou, descobriu e investigou", afirmou a directora do MAEDS: "A Tróia que hoje conhecemos é a mesma que ele conheceu."
Os resultados dos estudos de Tróia foram publicados entre 1923 e 1931, na revista "O Arqueólogo Português", tal como os da estação arqueológica de Chibanes e os hipogeus da Quinta do Anjo.
Todo o trabalho de Marques da Costa vai ser conhecido através das várias iniciativas agendadas no âmbito do programa que assinala o 150.º aniversário do nascimento do arqueólogo.
Uma sessão solene de homenagem está agendada para dia 31, com início às 16h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Carlos Tavares da Silva, director do Centro de Estudos Arqueológicos do MAEDS, e o professor catedrático Victor S. Gonçalves, da Universidade de Lisboa, são os intervenientes nesse evento.
Visitas às estações arqueológicas do Creiro, no dia 21 de Abril, de Tróia, a 19 de Maio, e da Quinta do Anjo, a 23 de Junho, fazem parte do programa evocativo.
Uma exposição biobibliográfica sobre Marques da Costa e a realização do II Encontro de Arqueologia da Arrábida são outras actividades programadas.










