Claud conTradições“O importante foi sempre sentir-me bem com a música”

Por Jornal Rostos
Embora fosse sempre umas das “dinamizadoras das cantorias” nos convívios entre amigos, Claud nunca pensou em fazer disso carreira um dia. “Não quer dizer que não gostasse, mas a minha vida, efectivamente, não se encaminhava nesse sentido”, explica Claud.
Por insistência de um amigo que a ouvia cantar, na brincadeira, aqui e ali, Claud acaba por integrar uma banda de originais que, já consigo como vocalista, se viria a chamar de Almaleme. A crescente necessidade de cantar mais vezes ao vivo, facto que se tornava complicado com os Almaleme, dada a dimensão da banda, levam Claud a enveredar, paralelamente, por outros projectos.
Desta forma, a cantora integra pequenas formações, recriando versões de diversos autores e compositores portugueses em bares e circuitos mais pequenos.
O importante foi sempre sentir-me bem com a música
“O importante foi sempre sentir-me bem com a música que cantava e com os músicos com quem ia trabalhando e, claro, poder transmitir alguma coisa aos outros”, refere.
Após alguns anos de vida, os Almaleme sem, nunca terem acabado, pelo menos formalmente, deixam de existir. Claud aclara que os membros do grupo tinham objectivos e vidas diferentes. Enquanto que uns pretendiam seguir com a música, outros faziam-no mais como um hobbie, sendo que a certa altura há a necessidade natural de cada um seguir o seu rumo. A cantora esclarece, porém, que: “não quer dizer que os outros não quisessem tocar, mas aqueles que queriam fazer disso carreira começaram a ter a necessidade de ir um bocadinho mais longe”. Aquele que foi o seu primeiro projecto musical ficaria por aqui...
“Comecei a levar as coisas cada vez mais a sério”
A partir deste momento, Claud começou a dedicar-se mais às pequenas formações que já integrava e a apostar também na sua própria formação, tendo realizado alguns cursos sob a orientação do professor João Costa Campos.
Foram precisos cerca de 5 anos para esta artista barreirense decidir gravar um disco. “Comecei a levar as coisas cada vez mais a sério”, refere a cantora. E a certo ponto “Começa a haver a necessidade cantarmos as nossas coisas, de dizermos as nossas palavras”, afirma Claud. “Acredito que quanto mais cantamos os outros, mais vontade temos de cantar as nossas”, conclui.
“Um disco é um passaporte para cantar”
Acaba por ser neste contexto que o disco aparece. Ainda que para Claud gravar um disco não fosse imperativo, é sem dúvida um grande passo para quem quer fazer da música uma carreira. “Um disco é um passaporte para cantar”, assume Claud que reconhece, igualmente, que quando não se é conhecido “é difícil fazer espectáculos sem ter um registo gravado”.
Para produzir este disco estiveram, desde o início de toda a ideia, o músico Paulo Cavaco que acompanha Claud ao piano desde os Almaleme e o músico, cantor e compositor Paulo de Carvalho, um amigo por quem a cantora nutre um grande respeito e profunda admiração. Claud não se esquece de assegurar que “embora o trabalho seja em nome individual, há um trabalho colectivo muito importante”.
“Um primeiro trabalho é sempre uma mistura”
Reunida a equipa principal, procedeu-se então ao trabalho de composição e de recolha de alguns autores e compositores fundamentais para um disco que “se pretende actual e assente nas raízes portuguesas”, afirma Claud.
Para a cantora “Um primeiro trabalho é sempre uma mistura”. “Andamos um pouco à procura do que queremos fazer, o que é normal que numa primeira fase não encontremos de imediato, e depois andamos muito tempo a cantar coisas que gostamos muito e não queremos fazer um corte radical”, argumenta.
ConTradições é, então, um projecto com raiz tradicional mas com uma sonoridade actual onde os instrumentos electrónicos se misturam com os sons acústicos dos instrumentos tradicionais. “A base é de raiz tradicional portuguesa mas quis que soasse actual aos ouvidos das pessoas e principalmente dos mais jovens que muitas vezes não estão predispostos a ouvir música tradicional portuguesa e quem sabe se com uma sonoridade mais moderna não conseguimos levar os instrumentos tradicionais, que são de uma riqueza enorme, mais longe”, explica Claud.
Quero é chegar ao maior número de pessoas possível
Com pouco mais de seis meses de lançamento do disco, Claud confessa que gostaria de ver tudo a andar mais depressa mas não se deixa deslumbrar. “Não sei exactamente o que é que costuma vender um disco de um artista que ninguém conheça e que é primeira vez que grava mas aquilo que eu quero é chegar ao maior número de pessoas possível”, afiança. Com alguns concertos agendados e com o bom andamento das vendas, Claud vai já pensando num novo trabalho e continua a lutar para construir uma carreira sólida assente nas raízes tradicionais. “É nessa área que eu me identifico e que gosto de trabalhar”, remata a artista.
Por enquanto, fica o convite para ouvir ConTradições, um disco antena 1 e um reflexo da contradição entre ritmos electrónicos e tradicionais com tradições portuguesas.
Ângela Tavares Belo
- Fotografia de Augusto Brázio










