Entregue em SetúbalPrémio de Poesia Sebastião da Gama
. Amadeu Baptista vencedor

Por Jornal Rostos
"Não sou uma pessoa da palavra oral, mas da palavra escrita", afirmou Amadeu Baptista para justificar a timidez no período dos discursos, momentos antes de receber o prémio de 2500 euros das mãos dos presidentes das juntas de freguesia de S. Lourenço e S. Simão, que promoveram o concurso em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e a Associação Cultural Sebastião da Gama.
Além do prémio pecuniário, Amadeu Baptista, poeta que conta com 17 obras já editadas, verá também publicado o trabalho que apresentou a concurso, "O Bosque Cintilante".
A António Sá, pela obra "Grupo Familiar - uma foto", e a Jorge Reis-Sá, por "Cai a Tarde", foram atribuídas menções honrosas.
O presidente da Junta de Freguesia de S. Lourenço, Henrique Gonçalves, salientou a satisfação com que o prémio de poesia foi agora retomado (após um interregno de seis anos), enquanto a sua homóloga de S. Simão, Celestina Neves, sublinhou que a junta de freguesia a que preside "está disponível para apoiar todas e quaisquer iniciativas que perpetuem a memória de Sebastião da Gama".
Para a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, o concurso representa "uma forma de não esquecer a obra de Sebastião da Gama e o trabalho ímpar que desenvolveu para preservar a Serra da Arrábida, de cujo parque natural foi um dos principais impulsionadores e que, actualmente, é alvo de inúmeras ameaças".
Opinião partilhada por Celestina Neves, que considera mesmo que "todos os azeitonenses, em memória de Sebastião da Gama, devem estar contra uma das principais ameaças da serra, a co-incineração de resíduos industriais perigosos".
Na cerimónia de entrega do prémio estiveram ainda presentes Joana Gama, viúva do poeta de Azeitão, a presidente da Assembleia Municipal, Odete Santos, o representante do Governo Civil de Setúbal e do Ministério de Cultura Joaquim Monteiro, o presidente da Associação Cultural Sebastião da Gama, João Reis Ribeiro, e o representante do júri da prova Rui Ventura.
"O júri chegou à decisão unânime sobre o vencedor do concurso ao fim de poucos minutos", adiantou Rui Ventura, que optou por abdicar das "palavras de circunstância" na cerimónia de encerramento, perante a qualidade demonstrada na obra "O Bosque Cintilante", cujo autor, na altura da decisão, o jurado apenas conhecia pelo pseudónimo "Paganini".
Odete Santos frisou, por seu turno, a importância de Sebastião da Gama, poeta que lhe está "vincado na memória da juventude", até porque foi o autor do primeiro texto que a presidente da Assembleia Municipal representou em teatro, numa estreia "há muitos anos" no Fórum Municipal Luísa Todi.
João Reis Ribeiro enalteceu, igualmente, a obra legada por Sebastião da Gama, salientando que, "se alguma coisa faz sentido, é que ele seja o patrono de um prémio de poesia". Sobre a obra vencedora, o presidente da associação cultural, considera que é "simplesmente um elogio à poesia e também à música".
A cerimónia de sábado contou com a actuação do Grupo de Danças de Corte Renascentista "Ars Luce", da Escola EB 2,3 de Azeitão, da actuação da banda e do grupo de teatro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense (SFPA) e declamação de poesia.










