AlmadaFaleceu Rogério Ribeiro

Por Jornal Rostos
Nasceu a 31 de Março 1930 e faleceu, hoje 10 de Março 2008, Rogério Ribeiro, natural de Estremoz, 1930, afirmou-se com um prestigiado artista plástico português.
Fez a sua formação académica em pintura, na ESBAL e actual Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.
No ano de 1987 foi convidado, pela Câmara Municipal de Almada, para concretizar o projecto de uma Galeria Municipal de Arte, em Almada, e, a partir de então, não mais deixou aquela cidade.
Rogério Ribeiro expôs pela primeira vez na 5ª Exposição Geral de Belas Artes, em 1950, numa exposição de ruptura com o fascismo, num tempo que na acção política aderiu ao MUD Juvenil.
Foi sócio-fundador da Gravura — Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (1958), onde desenvolveu intensa actividade como gravador. Trabalhou em cerâmica e em tapeçaria por encomenda de particulares, empresas e organismos oficiais.
Em 1961 iniciou a sua actividade de professor de Pintura e Tecnologia na Escola de Artes Decorativas António Arroio (Lisboa).
Iniciou a docência na ESBAL em 1970, onde, em 1974, coordenou o grupo de trabalho de reestruturação do currículo escolar na área do Design.
O 25 de Abril permitiu-lhe dar largas à sua arte “ao lado do povo”
Rogério Ribeiro na ESBAL foi membro do Conselho Directivo, de 1975 a 1978, do Conselho Pedagógico de 1980 a 1983 e presidente do Conselho Científico de 1985 a 1988.
Deve-se a Rogério Ribeiro a introdução, na Escola, do Curso de Design de Equipamento.
O 25 de Abril permitiu-lhe dar largas à sua arte “ao lado do povo”. Um ano passado sobre a Revolução organizou a exposição «Portugal um ano de Revolução» e, logo a seguir, outra, comemorativa dos 60 anos do PCP.
Em 1990 visitou Cabo Verde a convite da Associação Portugal - Cabo Verde para realizar um projecto de reaproveitamento do Campo de Concentração do Tarrafal, que pensa dever ser transformado em Museu Memorial.
Integrou a comissão para a formação do Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira
Em 1994 ergueu o seu louvor a José Afonso, numa impressionante exposição que circulou pelo País e pela Galiza. Entregou-se igualmente de alma e coração à divulgação do movimento antifascista que foi o neo-realismo, integrando a comissão para a formação do Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira.
Ilustrou livros de Fernando Namora, Alves Redol, Manuel Alegre, Manuel Tiago/Álvaro Cunhal, entre outros. A sua obra de ceramista é admirada em escolas, fábricas, centros culturais, na estação de Metro da Avenida (Lisboa) e de Santiago do Chile, na estação de caminho de ferro de Sete Rios, no Arquivo Histórico Nambam, em Usuqui no Japão e, em Almada, no painel dedicado a Fernão Mendes Pinto, nas paredes exteriores do Fórum Municipal Romeu Correia.
Concretizou o projecto Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea de Almada
No ano de 1987 foi convidado, para concretizar o projecto de uma Galeria Municipal de Arte em Almada, não mais deixou a cidade. Concretizou ainda o projecto Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea de Almada, onde assumiu a Direcção em 1993. Num e noutro local foi organizando importantes exposições, a que se juntam os excelentes catálogos, os colóquios e os concertos.
Está representado em diversas colecções particulares, de instituições privadas e museus.
Da obra de Rogério Ribeiro em Almada, destaque para painel dedicado a Fernão Mendes Pinto, nas paredes exteriores do Fórum Municipal Romeu Correia, e para o Monumento ao Poder Local Democrático, no Museu da Cidade.
Em 2000 o Município de Almada atribuiu-lhe a "Medalha de Ouro da Cidade de Almada”.
Incansável trabalhador em defesa dos mais nobres valores da Humanidade
“É com profunda consternação que a Câmara Municipal de Almada cumpre publicamente o dever de expressar o seu mais sentido pesar pelo falecimento do Professor Rogério Ribeiro, vulto destacado das Artes Plásticas portuguesas do século XX, resistente antifascista e incansável trabalhador em defesa dos mais nobres valores da Humanidade.
Em Almada, Rogério Ribeiro esteve, desde a primeira hora em 1987, na génese da Galeria Municipal de Arte de Almada, dinamizando-a enquanto espaço de cultura, espaço aberto de intercâmbio de saberes.” – sublinha o voto de pesar expresso pela Câmara Municipal de Almada.
Um legado artístico e humano de importância e significado ímpares
“Este grande Homem da Arte e da Cultura, Pintor, Escultor e Professor-Pedagogo, assumiu posteriormente erguer e dirigir a Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, projecto ao qual dedicou toda a sua energia, empenho e entusiasmo, granjeando hoje este equipamento municipal um prestígio indiscutível além fronteiras, sendo-lhe reconhecida nas quatro partidas do mundo, a elevada qualidade da actividade que desenvolve.
Rogério Ribeiro, o seu trabalho e o seu exemplo, deixa connosco um legado artístico e humano de importância e significado ímpares. Partiu do nosso convívio um dos grandes nomes da Arte Portuguesa contemporânea, a quem Almada fica devedora pelo intenso trabalho, dedicação e amor, que sempre colocou na missão que assumiu conscientemente para si próprio, a de escancarar as portas do acesso à Arte e à Cultura a todos, em claro benefício dos Almadenses e dos milhares de não Almadenses, que visitam e usufruem os espaços municipais que Rogério Ribeiro soube também, com toda a sua mestria, “esculpir” e dar forma.” – sublinha a autarquia
Monumento ao Poder Local Democrático celebrando o 30º Aniversário da Revolução de Abril de 1974
“Do legado que deixa no concelho de Almada, destacam-se da autoria do Pintor e Escultor obras como o painel em azulejo “A Peregrinação”, que nos dá as boas vindas à entrada do Fórum Municipal Romeu Correia, ou o Monumento ao Poder Local Democrático, celebrando o 30º Aniversário da Revolução de Abril de 1974, que podemos apreciar nos jardins do Museu da Cidade.
Rogério Ribeiro preparava-se para executar a pintura do altar da Igreja de São Sebastião, Património do Município que está a ser objecto de recuperação total pela Câmara Municipal de Almada.
À família, a Câmara Municipal de Almada expressa as mais sentidas condolências e solidariedade.” – é o sentimento expresso pela Câmara Municipal de Almada.










