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João Gouveia – Grupo JG/UNILOGOSQuero centralizar todos os serviços administrativos no Barreiro

. «É no Barreiro que eu pago os meus impostos»

João Gouveia, empresário do Barreiro, que gosta da sua terra natal, numa ligação feita de memórias, recordações e amizades.
É Administrador do Grupo JG, ao qual pertence a marca UNILOGOS, que patrocina o basquetebol do Futebol Clube Barreirense.

O Grupo JG tem as suas origens no Barreiro, nos anos 20, na então conhecida “Fábrica dos Pirolitos”, de José Gouveia, pai de João Gouveia, hoje, ao nível da distribuição, na área das cervejas, é a maior empresa nesta área, ao nível da Península Ibérica.

10 min de leitura
João Gouveia – Grupo JG/UNILOGOS Quero centralizar todos os serviços administrativos no Barreiro

Por Jornal Rostos

No Barreiro dos anos 50, ali, na Avenida da República, nasceu João Gouveia, filho de uma família industrial da Vila operária. Seu pai José Gouveia era o proprietário da muito conhecida e prestigiada “Fábrica dos Pirolitos”, uma actividade que terá começado no ano de 1927, comercializando uma marca de referência naquela época – JG.

A rua onde eu nasci era a CP e o Palácio de Coimbra

João Gouveia vai conversando e trás à memória recordações, da rua onde nasceu - “Nasci no ano de 1952, na Avenida da República, nº 52”, e, com um sorriso nos olhos, sublinha – “Da rua onde nasci, recordo uma coisa que ainda existe a CP e toda aquela imagem ali à volta, que tem a ver com a CP e o Palácio de Coimbra”.
Vamos conversando. Vai revivendo em palavras o seu tempo de criança, referindo – “O Barreiro era muito diferente. Era uma aldeia grande que tinha, fundamentalmente, para mim, dois grandes grupos: o grupo das pessoas que morava no Barreiro, que representavam alguns interesses industriais ou comerciais e o Barreiro operário. Era isso, fundamentalmente era isso o Barreiro”.
Neste mergulho na memória, recorda o Barreiro da sua adolescência, sublinhando – “ Era um Barreiro revolucionário.”
Recorda que um dia quando estava no Parque actual Catarina Eufémia, na época Parque António Oliveira Salazar - “Lembro-me que, num dia 28 ou 1º de Maio, estava no Parque, quando apareceu a GNR nos seus cavalos. Fui um grande susto. Nunca vou esquecer o susto que apanhei”. Sorri. E recorda a situação que viveu emocionado e apavorado.

Barreiro tinha uma característica giríssima

“ Sabe, o Barreiro tinha uma característica giríssima. Era uma terra com meia dúzia de pessoas, ali na zona onde nasci . Onde sempre vivi e fui criado. Todos nos conhecíamos na Avenida da República. Algumas dessas pessoas ainda vivem no Barreiro, outras já faleceram” . sublinha João Gouveia.
Recorda alguns nomes da sua infância e adolescência : Maria João Gomes, da Manuela Fonseca, da Luísa Cabrita (que já faleceu), Alexandra. Memórias que revive com saudade nas suas palavras.
“Frequentei o Ensino Primário no “Viveiro Infantil”, na Rua Vasco da Gama. Era um colégio frequentado pelos filhos das pessoas que tinham interesses, no Barreiro, no comércio e indústria, assim como pelos filhos dos engenheiros da CUF. Eu era filho de uma classe privilegiada da terra” – salienta João Gouveia.
João Gouveia tem as suas raízes no Barreiro. Os seus pais eram pessoas do Barreiro.
“O pai do meu pai era o Alberto Gouveia, uma pessoa conhecida no meio dos barcos. O meu avô era o responsável pelos barcos dos passageiros do Barreiro.
O meu pai era o José Gouveia. Era também barreirense. A minha mãe era a filha de barreirenses. A Fábrica de Pirolitos foi uma actividade iniciada pelo avô da minha mãe. Anacleto Silva, tem uma rua no Barreiro com o seu nome” – sublinha.

Sou um apaixonado pela fotografia

João Gouveia vai mergulhando pelas suas recordações. Percorre o tempo. Refere que frequentou o Ensino Secundário no Externato D. Manuel de Mello e posteriormente foi para um Colégio Interno – “Fui porque estava na moda”.
No Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, concluiu o ensino liceal.
Frequentou, posteriormente o ISLA, concluindo a licenciatura em Gestão de Empresas.
Na sua carreira académica, concretizou uma pós graduação, na Universidade Católica, em Gestão Executiva.
Recorda que desde cedo, apesar de morar no Barreiro – “vivi sempre fora do Barreiro”.
Mas, da sua terra natal, guarda recordações, das actividades culturais que se envolveu, no Grupo Desportivo da CUF, na área de fotografia, onde foi um dos organizadores dos Concursos de Fotografia, que atingiram dimensão internacional. Igualmente, no “Jornal do Barreiro” participou num Concurso de Fotografia.
“Sou um apaixonado pela fotografia. Conquistei alguns prémios. Fiz exposição de algumas fotografias” – sublinha, embora, nos tempos de hoje a actividade empresarial mão permita dedicar-se a essa paixão.

Sempre na procura de novos rumos

Na nossa conversa perguntámos – Onde estava no 25 de Abril? Refere que estava a cumprir o serviço militar em Lisboa, no Regimento de Cavalaria 7, na Calçada da Ajuda. Um dia difícil.
“Cumpri o serviço militar entre 1973 e 1975” – sublinha.
Após o serviço militar, iniciou a sua actividade profissional, começou na área dos automóveis, até 1976.
Posteriormente entre 1976 e 1982 exerceu funções na Setenave.
Sempre na procura de novos rumos. Em 1982 começou a trabalhar com o seu pai, actividade que manteve até ao ano 1995.
Neste ano vendeu a sua participação maioritária que tinha na empresa UNICERVI, em Palmela
Partiu para novas experiências, sendo de 1995 até 1999, Gestor Executivo e Administrador de dois grupos estrangeiros.
Entretanto, no ano de 1998, já tinha adquirido uma empresa na área dos transportes, e posteriormente adquiriu uma empresa na área dos seguros.

JG não tem nada a ver com o meu nome mas sim com o nome do meu pai

O ano de 1999 marcou o seu regresso ao mundo das cervejas, que tinha deixado para trás, quando vendeu a sua participação maioritária na UNICERVI.
Este ano, foi, afinal, o ponto de partida para criar a UNILOGOS, empresa que faz parte de um grupo de empresas - Grupo JG.
“JG não tem nada a ver com o meu nome, mas, sim com o nome do meu pai. É a sigla que ele criou.” – sublinha, notando-se emoção nas suas palavras e orgulho na marca que recebeu como herança.
João Gouveia sublinha que no Grupo JG – “Temos várias áreas de negócio, desde a distribuição na área das cervejas, onde somos a maior empresa nesta área, ao nível da Península Ibérica. Nós, estamos ligados às principais áreas de negócio – cervejas, seguros, combustíveis lubrificantes, distribuição e comercialização da multinacional NESTLÉ. Temos várias empresas. Eu participo em todas com a maioria de capital em 90%” – sublinha João Gouveia.
Vamos conversando. Uma troca de palavras amena, como quem já se conhece há muito e procura apresentar-se a um amigo que de súbito reencontrou.

Um Grupo de dimensão internacional

“Ao nível nacional temos a distribuição das bebidas espirituosas de marcas conceituadas, umas conhecidas, outras que são líderes de mercado no mundo. Temos instalações no Algarve e Montijo, no Porto. Temos uma empresa na área da logística em Espanha, Madrid e também uma empresa na área das bebidas na Guiné-Bissau” – salienta João Gouveia.
“ A minha filosofia sempre foi, ter uma estrutura leve e não gastarmos mais do que aquilo que temos. Gastamos mesmo menos do que aquilo que temos. Porque, aqui, todos nós somos polivalentes. Somos uma organização que está sempre preparada para enfrentar qualquer crise.” – diz-nos com um sorriso, acrescentando – “O nosso negócio é com dinheiros próprios, não temos dividas á banca”.

Patrocinador do Barreirense com as marcas JAG e UNILOGOS

João Gouveia, dá-nos o seu olhar sobre o Barreiro, a sua terra natal - “A minha relação com o Barreiro, hoje, é uma relação distante, mas, por outro lado, é uma relação com alguma nostalgia.
Sabe, o Barreiro não me diz muito, porque cada vez, sinto, estou menos identificado com o Barreiro.”
Apesar deste sentimento, refere que mantém algumas estreitas relações com o Barreiro.
“Participo em várias coisas no Barreiro. No desporto há três ou quatro anos que apoiamos o Barreirense Basquetebol. Somos os patrocinadores com as marcas JAG e UNILOGOS” – sublinha.
“Fui da CUF por razões culturais. Sou sócio desde que nasci do Barreirense” – comenta, acrescentando que essa relação com as cores alvi rubras estão consolidadas em amizades – “Um amigo meu António João Morais, um grande barreirense como é o António João, foi quem me levou a apoiar o Barreirense Basquetebol, assim como o Carlos Pires.”

O Oliveira é uma referência no desporto no Barreiro

Outro apoio que João Gouveia faz questão de sublinhar é o patrocínio que dá a Oliveira “Bóia”, remador internacional, olímpico do Barreiro.
“O Oliveira é uma referência no desporto no Barreiro. È um marco no desporto do Barreiro. Ele é uma figura que toda a gente conhece, desde sempre, relacionada com o desporto. Reconheço-lhe o mérito.
Sabe, como empresa nós ajudamos quem nos diz alguma coisa, quem pode ser também para nós como uma referência. Nós patrocinamos o Oliveira e tenho pena que, ao longo dos anos o Barreiro tenha feito pouco por ele, porque ele merece, tem mérito” – sublinha João Gouveia.

É no Barreiro que eu pago os meus impostos

“Tenho pena de não estar instalado no Barreiro como actividade” – refere João Gouveia, acrescentando – “No entanto, é no Barreiro que eu pago os meus impostos, porque todas as minhas empresas têm sede social no Barreiro.”

Quero centralizar todos os serviços administrativos no Barreiro

E, com um olhar na foto de seu pai, que está no seu Gabinete, diz-nos – “Por um lado estou distante do Barreiro, mas por outro lado estou perto.
Tenho um projecto que é instalar, a partir de 2009, todos os nossos serviços administrativos centrais, contabilidade recursos humanos, no Barreiro. Quero centralizar todos os serviços administrativos no Barreiro, será na casa dos meus pais”.
Com um ar pensativo diz-nos – “Quando olho para o Barreiro, por vezes, dá-me vontade de chorar. É complicado”.

Uma empresa que nasceu no Barreiro

João Gouveia recorda seu pai com emoção – “Foi um marco de referência para mim. É lógico. Se sou quem sou devo ao meu pai e a minha mãe. Foram as pessoas que trabalharam e que me deixaram o que eu tenho.”
E, com sentido de responsabilidade sublinha – “Costumo dizer, com grande vaidade, se tenho o que tenho devo-o, sem dúvida, a eles. Mas, sinto que tenho o grande mérito de poder afirmar que, hoje, tenho mais do que aquilo que os meus pais me deixaram. Nem sempre muitos podem dizer isso.”
“A UNILOGOS faz parte do Grupo JG. O logótipo e a marca JG tem muito a ver com a minha origem :José Gouveia. Tem a ver com a sigla JG, que o meu pai tinha, na fase inicial da fábrica, embora, hoje, o tratamento gráfico da imagem esteja mais estilizado.
JG é um grupo de empresas, que são do José Gouveia, que no fundamental vieram do João Gouveia. Eu lhe agradeço a ele, meu pai, e tudo isto, vai ter continuidade com o meu filho João Filipe Gouveia” – salienta João Gouveia, numa conversa que se cruza com recordações e memórias do Barreiro e as suas vivências familiares.
“JG é um grupo de empresas que tem uma imagem própria, com marcas conceituadas a nível nacional e no mundo” – sublinha, sentindo-se orgulho nas suas palavras.

Barreirenses : “Encontrem-se e lutem”

JG. UNILOGOS. JAG . Estes algumas marcas com origem no Barreiro. O Grupo JG tem a sua sede social no Barreiro.
O seu maior parque empresarial, na península de Setúbal, está localizado no concelho do Seixal. Abastece mais 4200 pontos de venda no país.
Entretanto, já está em estudo o arranque de novas plataformas logísticas, para a região do Litoral Alentejano, do Distrito de Setúbal.
João Gouveia, empresário do Barreiro, que gosta da sua terra natal, numa ligação feita de memórias, recordações e amizades.
Foi uma agradável conversa, ali, no Seixal. Quando percorríamos as instalações, João Gouveia cumprimentava todos os trabalhadores – “Sabe, faço questão de conhecer todos os meus trabalhadores pelos seus nomes”.
Sente-se, de facto, ali, uma cultura familiar, com relações de trabalho que apostam na formação e no convívio e viagens, para as quais são convidados todos os trabalhadores que se distinguem pelo desempenho profissional.
A finalizar pedimos-lhe deixe aqui uma mensagem aos Barreirenses : “Encontrem-se e lutem” – disse.

António Sousa Pereira

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