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Cidade com Rostos

Dimas Soares PereiraVoto de pesar da Câmara Municipal de Setúbal

A Câmara Municipal de Setúbal aprovou ontem, em reunião pública, um voto de pesar pelo falecimento, no passado dia 3 de Maio, aos 87 anos, de Dimas Soares Lopes Pereira, músico e fundador do Círculo Cultural de Setúbal.

A proposta de atribuição, a título póstumo, da Medalha de Honra da Cidade, na classe Actividades Culturais, e, através da Comissão Municipal de Toponímia, do nome de uma rua do Concelho de homenagem a Dimas Pereira foi também acordada.

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Por Jornal Rostos

O voto de pesar refere que Dimas “será sempre recordado pelos setubalenses como alguém que muito contribuiu para a promoção do desenvolvimento cultural da terra que adoptou, alguém que deu à construção da democracia um contributo indelével que não poderá nunca ser apagado ou adulterado”.

Natural de Olhão, viveu mais de 40 anos em Setúbal, onde ajudou a fundar do Círculo Cultural, associação em que exerceu vários cargos e dinamizou uma vasta actividade cultural. O cariz anti-fascista das iniciativas promovidas acabaria por chamar a atenção do regime, que encarregou a PIDE de o prender em várias ocasiões.

“Muitos setubalenses recordam-no como o professor voluntário que os ensinou a ler e a escrever no Círculo Cultural de Setúbal, numa altura em que não havia ensino nocturno para adultos. Que melhor contributo poderia haver para a formação e consolidação da democracia que ensinar os cidadãos a ler e a escrever?”, menciona o voto, que apresenta também os pêsames aos familiares.

Dimas saiu do País aos 6 anos, com a família, rumo a Marrocos, onde teve a possibilidade de estudar e obter uma formação académica, que, em Portugal, estava vedada à classe operária. É através do trabalho na indústria conserveira que chega a Setúbal e traz o acordeão que aprendeu a tocar em África.

Como tocador de acordeão integrou os grupos Os Galés, Traz da Guarda e Andarilho. Participou, em 1978, na gravação do álbum “Enquanto Há Força”, do seu amigo José Afonso.

Até ao fim da vida continuou a tocar acordeão, nomeadamente nos grupos Os Amigos de Lagameças e Os Amigos do Kanto.

Esteve igualmente ligado ao teatro, colaborando com as companhias Sobe e Desce, Presença, A Teia e, mais recentemente, com o TAS – Teatro Animação de Setúbal.

Membro do Partido Comunista Português, desde 1978, foi funcionário do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul.

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