Faleceu António Monginho– uma memória do Barreiro
António Monginho foi um dos convivas da Tertúlia do Café Portugal, em Lisboa, com Armindo Rodrigues, José Gomes Ferreira e Carlos de Oliveira.

Por Jornal Rostos
António Monginho, nos anos 50 convivei com os homens do surrealismo, no Café Gelo : Cesariny, Luis Pacheco, Herberto Helder, Manuel de Castro, António Barahona, João Rodrigues, Virgilio Martinho e António José Fortes, são parceiros de vivências diárias.
Aos vinte anos ingressou na Administração Pública. Reformou-se no ano de 1985.
Em 1980 publicou o seu primeiro livro de poesia – “Das Sete Cidades”, seguindo-se “Entre o Vento e o Orvalho”; “Tudo o que me dói”; e “As palavras Antropófagas”.
Publicou ainda um conjunto de textos – “Cantares de Amigos”. Está presente em Antologias - “O Trabalho” e “Poetas do Barreiro”.
Chão dos Impérios
Saio de manhã
com gaivotas
o sol irrompe
já no meio do Tejo
neste Tejo operário
despojado de pompas
sem lirismos
Os que sobraram
do Império
choram a Índia
as terras de África
- outras águas
outros réditos
Desconformam-se
com as malhas
apertadas deste rio
(É este o rio onde
as mágoas explodem?)
Português que não
sonhou impérios
também eu
vou saudoso doutro
chão
doutras miragens
Ai Alentejo
meu país
sombras
também eu sou
no Tejo
mercador doutros
destinos
António Monginho
Évora, 10/2/1989
MENSAGEM DO KIRA
ANTONIO MONGINHO, NATURAL DE ÉVORA, RESIDIU DURANTE DEZENAS DE ANOS NA CIDADE DO BARREIRO. HÁ 4 ANOS, POR MOTIVOS DE DOENÇA E DE MAIOR PROXIMIDADE DA FAMÍLIA FOI PARA SINTRA, ONDE CONTINUOU A ESCREVER.
POETA DE PRESTÍGIO E COM DEZENAS DE POEMAS DEDICADOS AO BARREIRO E SEUS AMIGOS, FALECEU NA 6ºFEIRA PASSADA SENDO O FUNERAL NO SÁBADO.
QUE REPOUSE EM PAZ.
kira










