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Cidade com Rostos

GALARDÃO “BARREIRO RECONHECIDO” 2009Trabalho
O Trabalhador Ferroviário

Chegaram de vários pontos do país. Vinham para trabalhar e não mais abandonaram uma terra que os acolheu. Numerosas famílias passaram a constituir a comunidade ferroviária imigrante desde que, em 1861, se instalam no Barreiro as Oficinas dos Caminhos-de-ferro. O Barreiro moderno deve muito da sua história industrial e operária ao ‘Trabalhador Ferroviário’ que hoje homenageamos. Pois, na verdade, o caminho-de-ferro, por mais aperfeiçoadas que sejam as máquinas e por melhores que sejam as instalações e a orgânica ferroviária é, essencialmente, uma obra de homens.

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GALARDÃO “BARREIRO RECONHECIDO” 2009 Trabalho O Trabalhador Ferroviário

Por Jornal Rostos

‘Homens de ferro’, como muitas vezes os chamavam por terem de passar mais de 20 horas seguidas dentro de uma locomotiva, sem domingos nem feriados nem horas certas para nada. E é por isto que a história do ‘Trabalhador Ferroviário’ se confunde com a história das greves e das lutas no Barreiro. Na procura da conquista de melhores condições de vida e trabalho e pela construção de uma sociedade mais justa registaram-se importantes lutas dos ferroviários, com grandes resultados. Refira-se a título de exemplo de uma acção emblemática, o “Luto Ferroviário”, ou a luta da braçadeira preta. Em 1919 e na sequência das greves dos ferroviários que sabotavam os comboios como medida reivindicativa, o Governo determina a utilização do “vagão–fantasma”, um vagão aberto cheio de grevistas presos, utilizado à frente da locomotiva, para impedir a sabotagem da via férrea.

Mas os trabalhadores das ferrovias, assim como os restantes trabalhadores portugueses, não se entregaram nos braços de Salazar. E para a história ficou o dia 27 de Fevereiro de 1935 quando, após sabotagem da energia eléctrica que havia deixado parte da vila às escuras, uma bandeira vermelha foi colocada na chaminé alta, de 40 metros, das Oficinas dos Caminhos de Ferro, por lá ficando uns dias, abanando ao vento, símbolo da esperança que animava a nova geração.
Do Vapor ao Diesel e do Diesel à Electricidade, o comboio trilhou linhas de desenvolvimento de elevados níveis tecnológicos, de segurança e comodidade.
Maquinista nestas mudanças, o ‘Trabalhador Ferroviário’ nem sempre tem visto reconhecido o seu valor, em grande medida porque nos habituámos a vê-lo ali, mesmo ao nosso lado, guiando o desenvolvimento do nosso percurso individual e colectivo.
Orgulhosa desta classe de homens corajosos e empreendedores, a Câmara Municipal do Barreiro tem a honra de homenagear o ‘Trabalhador Ferroviário’ com o Galardão «Barreiro Reconhecido» na área do ‘Trabalho’ que, simbolicamente será entregue a Mário Herlânder Jacinto Barão – 58 anos de vida, 43 anos de trabalho.

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