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Cidade com Rostos

Teatro Municipal de AlmadaJoaquim Benite recebe Medalha de Ouro da Cidade de Almada

Joaquim Benite foi distinguido com a Medalha de Ouro da Cidade de Almada, a mais alta condecoração municipal (já recebera a Medalha de Ouro de Mérito Cultural do concelho de Almada, entre outras condecorações nacionais e estrangeiras).

Conforme anunciou a presidente da Câmara Muniicpal de Almada, no encerramento do Festival de Almada, a distinção será entregue em cerimónia pública, a ter lugar no Teatro Municipal de Almada, na próxima sexta-feira, dia 31 de Julho, às 21,30 horas.

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Teatro Municipal de Almada Joaquim Benite recebe Medalha de Ouro da Cidade de Almada

Por Jornal Rostos

Maria Emília Neto de Sousa justificou esta distinção pelo repetido empenho com que, ao serviço da cidade, o director da Companhia de Teatro de Almada e do Festival de Almada tem vindo a assegurar, há mais de 30 anos, o desenvolvimento, consolidação e divulgação – nacional e internacional – de um pólo artístico em Almada, marcado pela crescente qualidade das suas propostas e actividades (facto bem evidente no exponencial aumento do público que entusiasticamente seguiu a 26.ª edição do Festival de Almada, concluída no passado dia 18 de Julho).

Nessa pequena cerimónia que antecedeu a estreia absoluta da produção da CTA que encerrou o Festival – uma encenação de Mário Barradas da Comédia Mosqueta, de Angelo Beolco –, Joaquim Benite agradeceu a homenagem, que entendeu – afirmou – como incentivo a levar por diante o trabalho que a motivou, como reconhecimento de um trabalho de equipa sem o qual não se poderiam ter alcançado os resultados que estão à vista de todos e, principalmente, como tributo ao público de Almada, que sendo o principal destinatário de todo o esforço desenvolvido, tem sido, igualmente, modelar no seu apoio generoso, na sua crítica atenta e no seu entusiasmo contagiante.

Tendo trabalhado como jornalista e crítico de teatro, antes de se dedicar plenamente à criação artística, Joaquim Benite (n. 1943) ocupa hoje um lugar reconhecido entre a primeira geração de criadores do Teatro Independente. No seu largo currículo de figura de cultura e de intervenção cívica – ver anexo –, não pode deixar de se destacar a sua decisão de mudar para Almada, no final dos anos 70, a companhia que nascera em Lisboa, em 1970, como Grupo de Campolide.
Esta decidida aposta na descentralização, conceito que se viria a tornar central na política cultural do pós-25 de Abril, foi recordada recentemente por Miguel-Pedro Quadrio na Folha informativa do Festival de Almada, cujo texto reproduzimos:

Atravessar
Miguel-Pedro Quadrio
Folha informativa, Festival de Almada, 6-07-2009

No Instituto Franco Português estreia-se hoje Carta aos actores, de Valère Novarina, numa interpretação de Jorge Silva Melo. O Festival de Almada atravessa, assim, a ponte, pela primeira vez nesta 26.ª edição.
Em si mesma, esta segunda informação (já) não é notícia, porque – desde os anos 90 – que se repete este movimento entre as duas margens do Tejo. Realmente importante, porém, seria relembrar que – muito antes da ideia de descentralização ter contaminado o jargão administrativo dos decisores políticos das artes – o Grupo de Campolide, fundado em 1971, teve a coragem de atravessar a ponte em 1978, quando ocupava um dos principais espaços teatrais de Lisboa (o Teatro da Trindade), fixando-se definitivamente em Almada (nascendo, então, a Companhia de Teatro de Almada).
Antecipar a ideia de descentralização facilitou, naturalmente, o projecto de compartilhar com o público de Lisboa, quer as produções da CTA, quer os espectáculos que se iam apresentando no Festival de Almada.
E foi assim – a partir da periferia e do apoio de um público local, menos lembrado pelos poderes nacionais – que nasceu a rede de parceiros institucionais que hoje também são Festival de Almada.

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