BARREIROSofia Cabral Deputada na Assembleia da República do Barreiro
Salgueiro Maia uma das figuras que mais admira do Portugal contemporâneo
"Vota Mário Soares! O único candidato para mudar o País!" A miudinha que, aos sete anos, repetia para o microfone do seu gravador infantil os slogans que ouvia constantemente na televisão e nas conversas de família, e que hoje quer recuperar esse som copiando aquela velha cassete para um CD, acabaria por iniciar a sua carreira profissional precisamente na Fundação Mário Soares.

Por Jornal Rostos
Diculgamos o texto integral inserido no Suplemento GENTE do Diário de Noticias.
Sofia Cabral
Socialista historiadora e deputada
por FERNANDO MADAÍL
14 Novembro 2009
Ainda a aprender os passos dos corredores da Assembleia da República, a jovem deputada do PS acredita que esta Legislatura pode vir a ter um lugar importante na História
"Vota Mário Soares! O único candidato para mudar o País!" A miudinha que, aos sete anos, repetia para o microfone do seu gravador infantil os slogans que ouvia constantemente na televisão e nas conversas de família, e que hoje quer recuperar esse som copiando aquela velha cassete para um CD, acabaria por iniciar a sua carreira profissional precisamente na Fundação Mário Soares.
Uma das novas caras da bancada socialista, Sofia Isabel Diniz Pereira Conde Cabral, cedo se entusiasmou com o ambiente dos comícios socialistas, onde era levada pelos pais, ambos militantes de base do PS. E, na Praça do Rossio, no Barreiro, a terra onde se orgulha de ter nascido a 13 Fevereiro 1978 e onde já foi vereadora (continua na Assembleia Municipal), recorda-se de ter estado presente numa sessão dessa campanha presidencial de Soares. Entre essa experiência, em que ficou impressionada com aquela militância e percebeu que gosta das multidões, até à última campanha eleitoral, em que adorou participar, a adesão à Juventude Socialista foi uma "consequência natural" da sua educação.
Historiadora por formação, licenciada pelo ISCTE, o primeiro emprego de Sofia Cabral foi trabalhar, durante dois anos, o arquivo do Diário de Lisboa na fundação criada pelo seu ídolo político de infância - e, com Salgueiro Maia, uma das figuras que mais admira do Portugal contemporâneo.
Para a jovem deputada historiadora (o outro parlamentar com a sua profissão é o social-democrata Pacheco Pereira), um curso é apenas um base para o futuro profissional, o que a levou a frequentar uma pós-graduação em Comunicação e Marketing Político, antes de ir trabalhar para o gabinete do Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional no anterior executivo (e Fernando Medina, antes de cessar funções, mandou exarar-lhe um louvor no Diário da República, "pelo inexcedível empenho, dedicação, competência e disponibilidade com que desempenhou as suas funções de assessora").
A antiga praticante de ginástica no Barreirense e de basquetebol no Luso, a apreciadora dos filmes Cinema Paraíso e Sacanas Sem Lei ("o Tarantino é um génio"), a ouvinte de Moby e Gotan Project, dos Gift e dos Clã (que espera conseguir um bilhete para ir ver os U2 a Coimbra), a leitora da poesia de Pessoa e Sophia, de livros como Alma (Manuel Alegre) e Se Isto É um Homem (Primo Levi), admite que esta Legislatura poderá ficar na História.
"Sem maioria absoluta e com um quadro parlamentar muito heterogéneo, o debate político na Assembleia da República vai ser muito rico." E Sofia Cabral, que integra a Comissão de Educação e Ciência e é suplente na de Ética, Sociedade e Cultura, até acredita que se poderá chegar a consensos alargados em torno, por exemplo, da Educação.
No seu trabalho com o espólio do Diário de Lisboa o que mais apreciou foi o humor das caricaturas políticas. Aliás, a Fundação editou um CD-rom com os desenhos e caricaturas publicados no vespertino lisboeta entre 1921 e 1926, onde se encontram as assinaturas de Almada Negreiros e de Bernardo Marques, Leitão de Barros e Mário Eloy, Jorge Barradas e Francisco Valença, sem esquecer as de Amadeo, Modigliani ou Cocteau. E será que a jovem deputada-historiadora algum dia será caricaturada por um novo Stuart ou um novo Amarelhe? Só o tempo o poderá revelar. Mas deverá ser menos caricaturada que Mário Soares.










