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Cidade com Rostos

UM REGISTO DE MEMÓRIAS DO BARREIROPara que a memória não esqueça…Aires de Carvalho faleceu há 7 anos!

Na tarde de 5 de Janeiro de 2003, cerca das 15 horas, no Hospital Distrital do Barreiro, após um período de convalescença, faleceu Aires de Carvalho, o seu funeral realizou-se no dia 6 de Janeiro de 2003, com honras de Estado, trazendo ao Barreiro, diversos responsáveis nacionais do PS e o Presidente da Assembleia da República, Mota Amaral.

O PS perdeu uma das suas figuras mais carismáticas. O rosto do PS durante muitos anos. Um político polémico e irreverente.

6 min de leitura
UM REGISTO DE MEMÓRIAS DO BARREIRO Para que a memória não esqueça…Aires de Carvalho faleceu há 7 anos!

Por Jornal Rostos

Aires Manuel Jacinto Carvalho, natural do Barreiro, freguesia do Lavradio, onde nasceu no dia 10 de Outubro de 1952.
Era militante do Partido Socialista desde 1976, partido ao qual aderiu, segundo as suas próprias palavras porque estava animado de uma vontade de intervir na vida pública. Foi fundador do Núcleo do Partido Socialista do Lavradio, sendo os dos grandes animadores desta Secção, tendo assumido a liderança daquela estrutura desde 1982.
“O meu objectivo era participar de forma activa na vida pública, nunca passou pela minha cabeça que, um dia, iria assumir o cargo de Vereador ou Deputado, como cheguei, isto tem a ver, naturalmente, com a minha forma de estar num sitio apenas por estar” – comentou Aires Carvalho, em entrevista ao jornal “Rostos” no passado mês de Junho.
Aires de Carvalho, em 1992, assumiu a liderança da Comissão Política do Barreiro do Partido Socialista, cargo que actualmente ainda desempenhava.
Em 1994, Aires de Carvalho, assumiu a presidência da Federação Distrital do Partido Socialista, ano em que foi eleito Deputado da Assembleia da República, onde continuava a exercer essas funções.

“Fui eleito para a presidência da Comissão Política Concelhia do Barreiro com base num projecto de ruptura relativamente a estratégias desenvolvidas pelo partido no concelho” sublinhou, acrescentando – “salvo raras excepções a organização do PS, limitava-se a participar nas eleições autárquicas e nunca tinha a ambição de ganhar”.
Sublinhou ao jornal “Rostos” o líder socialista que – “O Barreiro não estava condenado a ser gerido infinitamente pelo Partido Comunista e havia formas e estratégias para conseguir mudar”.
“No meu mandato retirámos, pela primeira vez, a maioria absoluta ao PCP no Barreiro” – referiu o líder socialista ao jornal “Rostos”.

“Espero ser digno da luta que o Aires Carvalho travou”

“Aires teve um ideal na sua vida. O seu sonho foi realizado. Aires foi derrubado pela única batalha que não conseguiu vencer” – estas foram palavras emocionadas pronunciadas por Emídio Xavier, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, no Cemitério do Lavradio, no momento em que descia à terra o corpo de Aires de Carvalho, líder socialista do concelho do Barreiro.
Emídio Xavier foi um homem que partilhou, com um líder socialista, muitas das batalhas políticas que ele travou quer dentro das estruturas partidárias, quer na comunidade barreirense na luta pela mudança de cor política no concelho bastião e símbolo do comunismo em Portugal.
O autarca salientou que irá recordar, ao longo da sua actividade, o exemplo de luta e abnegação de Aires de Carvalho, tendo afirmado – “Espero ser digno da luta que Aires travou”.
Emídio Xavier sublinhou que Aires de Carvalho viveu por um ideal, dedicou-se a um ideal e só por isso “merece a nossa admiração” mas, acrescentou – “Aires dava e não pedia nada em troca”.
Registava-se no rosto e na voz de Emídio Xavier, a emoção que trava a dor, sentida, uma dor marcada por aquele sentimento que se expressava naquelas lágrimas de ansiedade que rasgavam os seus olhos – “Aires tinha ainda tanto para fazer e ainda tanto para lutar”.

Um funeral de Estado

A urna de Aires de Carvalho entrou no Cemitério do Lavradio, sua terra natal, cerca das 17 horas, vindo coberta pela bandeira nacional. Milhares de flores, dezenas de coroas, marcavam a saudade e o último adeus a Aires de Carvalho. Uns vindo por amizade, Outros por laços familiares. Outros no respeito pelo adversário político. Outros para prestar um gesto de reconhecimento e gratidão por um homem que sempre soube estar na vida disponível para combater pelo seu ideal.
Uma multidão assistiu, em silêncio, ao funeral sendo a urna transportada aos ombros por um grupo de jovens socialistas e posteriormente, num segundo troço, por Emídio Xavier, António João Sardinha, Cabós Gonçalves e outros dirigentes do PS.
No funeral de Aires de Carvalho compareceu uma Delegação do PCP, composta pelo deputado Bruno, António Abreu e José Caetano, responsável concelhio do PCP.
De registar ainda a presença de Carlos Humberto, Helder Madeira, Rui Madeira, Rui Ferrugem, Daniel Cabrita, na Igreja de Stª Cruz, no decorrer do velório do corpo do líder socialista.
Esteve igualmente presente Bruno Vitorino, líder político do PSD, Mendes Costa, vereador social democrata, diversos autarcas e militantes do PSD.
Mário Durval, candidato à presidência da Câmara Municipal do Barreiro, pelo Bloco de Esquerda, nas últimas eleições autárquicas, também marcou presença.
Diversos autarcas do concelho do Barreiro – Presidentes de Juntas de Freguesia e dirigentes associativos – Presidente do Fabril, do Futebol Clube Barreirense, entre muitos outros, expressaram com as suas presenças o sentimento que abalou a comunidade barreirense, que viveu de forma intensa a súbita doença de Aires de Carvalho e a sua rápida e trágica evolução.
De registar, igualmente, a presença de Mota Amaral, Presidente da Assembleia da República e Nairana Coissoró, vice presidente da Assembleia da República.
Ferro Rodrigues, líder do Partido Socialista; Paulo Pedroso, António Costa, Alberto Antunes, José Magalhães, Hass Ferrreira, Eduardo Cabrita, Jorge Coelho e muitos outros responsáveis concelhios, regionais e nacionais do Partido Socialista acompanharam Aires de Carvalho da Igreja de Stª Cruz até ao cemitério do Lavradio.
A mãe de Aires Carvalho, companheira de todas as suas lutas, manteve-se firme, ao lado de seu filho, dia e noite, até ao momento que se despediu à entrada do Cemitério do Lavradio.
O Lavradio perdeu o seu primeiro e único representante na Assembleia da República. Como alguém dizia – “Aires fez história. Escreveu páginas. Outros, muitos que o criticaram em vida, ficarão como meros rodapés”.

Talvez, por tudo isso, Aires Carvalho merece que o seu nome fique consagrado na toponímia barreirense, ele, que tantas vezes ergueu a sua voz para propor nomes e consagrar nomes para a memória colectiva. Merece que a sua terra não o esqueça!

Um leitor do Rostos recordou-nos que no dia 5 de Janeiro passaram 7 anos sobre o falecimento de Aires de Carvalho…cujo funeral realizou-se a 6 de Janeiro de 2003.
Aqui fica o registo….

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