Comemorações do Centenário da República - SETÚBALO ideal republicano era amplamente partilhado por Ana de Castro Osório e Paulino de Oliveira
No encontro “Paulino de Oliveira e Ana de Castro Osório: políticos, escritores e republicanos”, organizado pela Câmara Municipal no âmbito das Comemorações do Centenário da República, o escritor e ensaísta António Osório, sobrinho-neto de Ana de Castro Osório, explorou a obra literária e o papel político que aquelas personalidades tiveram na sociedade portuguesa, nomeadamente durante a fase final da monarquia e nos primeiros anos da República.

Por Jornal Rostos
Relativamente a Ana de Castro Osório, nascida em Mangualde, a 18 de Junho de 1872 e que viria a casar com Paulino de Oliveira em 1898, o conferencista destacou o papel que desempenhou na luta “pela condição feminina”, patente, por exemplo, no manifesto que escreveu intitulado “Às mulheres portuguesas”, publicado em 1905.
O conferencista salientou que Ana de Castro Osório, enquanto feminista, procurou “que a mulher deixe de ser ignorante e inferior”, numa altura em que não era esperado socialmente que tivessem ou emitissem opiniões e até que soubessem ler.
Ana de Castro Osório, que foi viver para Setúbal muito jovem, pretendia, sublinhou António Osório, que as mulheres passassem a “ser conscientes e autónomas, companheiras e aliadas do homem”, mas também “as verdadeiras educadoras dos seus filhos”.
António Osório destacou que a activista republicana não foi somente “a mentora do feminismo português”, desempenhando também uma parte importante do movimento europeu, com especial incidência no espanhol, já que era regularmente convidada a participar em congressos em Madrid, onde expunha as suas ideias.
Ana de Castro Osório colaborou, ainda, com Afonso Costa, na criação da Lei do Divórcio e defendeu que a educação era o “passo definitivo para a libertação feminina”.
O activismo desta figura feminina da génese do republicanismo nacional esteve ainda patente, por exemplo, na criação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.
O ideal republicano era, de resto, amplamente partilhado por Ana de Castro Osório e Paulino de Oliveira, que “procuraram promovê-lo e realizá-lo”.
Enquanto casal, destacou o conferencista, trabalharam na promoção das figuras setubalenses como Bocage, a quem dedicaram sonetos, contribuíram para “criar o culto de Luísa Todi” e para tornar conhecido o poeta popular António Eusébio, o “Calafate”.
Paulino de Oliveira, nascido em Setúbal a 22 de Junho de 1864, o conferencista destacou a acutilância crítica do poeta e redactor de várias publicações de cariz republicano, como “A Estreia”, “O Sadino”, “A Opinião”, “O Eco de Setúbal”, “O Mês” e “O Sul – Semanário Democrático”.
O trabalho jornalístico que escreveu demonstra, na perspectiva de António Osório, “que sabia agredir quando era preciso, no sentido nobre da palavra”.
O ensaísta enalteceu, igualmente, a qualidade literária do poeta, nomeadamente das fábulas, “uma coisa preciosa”, pois escrevia “com clareza e de um modo frontal e preciso, de quem sabe o que é um verso”.
No final da conferência, a vereadora da Câmara Municipal de Setúbal, Carla Guerreiro, presente na conferência realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, destacou este tipo de iniciativa como uma forma importante de “revisitar as grandes figuras da República”.










