ESPÓLIO DE FERNANDO NAMORADOADO À BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL

Por Jornal Rostos
Escritor, médico e pintor, Fernando Gonçalves Namora (Condeixa-a-Nova, 15 de Abril de 1919 – Lisboa, 31 Janeiro 1989) licenciou-se em Medicina na Universidade de Coimbra em 1942, vindo a abrir o primeiro consultório na sua terra natal. A experiência profissional, exercida, primeiro, no Portugal rural dos anos 40 do século XX, em localidades da Beira Baixa e Alentejo, e, mais tarde, no Instituto Português de Oncologia (1950-1965) em Lisboa, está reflectida na sua obra literária, na qual, segundo alguns investigadores, são reconhecíveis quatro ciclos: o da fase de estudante, em que retrata nas suas obras a vida estudantil no Liceu e Universidade e durante o qual integra o grupo do “Novo Cancioneiro” - que assinala o advento do neo-realismo; o ciclo “rural”, em que se consagra como romancista e novelista; o “urbano”, marcado pelos romances O Homem Disfarçado e Domingo à Tarde; e o dos “Cadernos de um Escritor” influenciados pelas viagens, pelo contacto com outras culturas e outros intelectuais e escritores.
Autor incontornável no âmbito de História da Literatura Portuguesa, várias vezes premiado e o prosador português mais traduzido em todo o mundo em meados do século XX, Fernando Namora deu à estampa romances, contos, novelas, crónica e poesia. Ficcionista de reconhecido mérito viu várias das suas obras em sucessivas edições, algumas das quais refundiu e ampliou e viu adaptadas ao cinema e a televisão.
Estreia-se, no romance, em 1938, com As Sete Partidas do Mundo, de inspiração presencista e galardoado com o Prémio Almeida Garrett. Em 1943 publica Fogo na Noite Escura, romance neo-realista. Em 1945 edita Casa da Malta, novela escrita em oito dias, e, no ano seguinte, Minas de San Francisco. À reedição desta obra (1951), em nova versão, foi atribuído o Prémio Ricardo Malheiro. Retalhos da Vida de um Médico (1949) - Prémio Vértice e a primeira das suas obras traduzidas para outras línguas - viria a ser adaptada ao cinema.
Da vasta bibliografia de Fernando Namora refiram-se ainda Deuses e Demónios da Medicina (1952), biografias romanceadas, O Trigo e o Joio (1955), Domingo à Tarde (1960), galardoado com Prémio José Lins, e adaptado ao cinema, Os Clandestinos (1972), Rio Triste (1982) – prémio Fernando Chinaglia, ou Resposta a Matilde: divertimento, adaptado para televisão em 1986. O seu primeiro livro de poemas, Relevos, foi publicado em 1937. Viria a ser incluído, em 1959, na colectânea As Frias Madrugadas. Neste género literário, publicou ainda Marketing (1969) e Nome Para Uma Casa (1984).
Com esta aquisição, por generosa dádiva das filhas de Fernando Namora, a BNP incorpora no seu Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea (ACPC) o espólio literário de um autor de referência da Literatura Portuguesa do Século XX. Passa a poder disponibilizar à investigação novas fontes para melhor conhecimento de um autor, da sua obra e do seu tempo.










