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Merceeiro de Setúbal - Américo BarateiroRecebe a Medalha de Honra da Cidade na classe Comércio

O Município de Setúbal atribuiu durante as cerimónias oficiais das Comemorações Bocagianas, a Medalha de Honra da Cidade na classe Comércio, a Américo Barateiro, merceeiro da Avenida Luísa Todi, há mais de 70 anos.

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Merceeiro de Setúbal - Américo Barateiro Recebe a Medalha de Honra da Cidade na classe Comércio

Por Jornal Rostos

Medalha de Honra da Cidade na classe Comércio
Américo Barateiro

Biografia

Nascido a 15 de Abril de 1939, Américo Monteiro Pereira, filho de Ricardo Pereira e Maria Rodrigues Monteiro, foi o último rebento das sete crianças que o casal procriou. Os trancosos, eram assim conhecidos. Natural de Monção, no Minho, fazendo parte da freguesia de Podame, nasceu em casa pois naquela altura não haviam parteiras e as vizinhas é que tomavam esse papel.
Aos dois anos, o seu pai faleceu ficando a sua mãe sozinha com os 7 filhos para sustentar.
Aos sete anos foi para a escola, mas antes, tinha de levar o gado aos montes para pastar. Quando saía da escola ia buscar o gado e de seguida ele e os seus irmãos iam trabalhar para o campo para ajudar a mãe, porque naquele tempo só se comia o que o campo dava, já que não haviam outros rendimentos. Nos poucos tempos livres ia para o rio tomar banho.

Apenas completou o ensino primário no seu percurso escolar, recordando-se deste pelo facto dos professores darem reguadas. Caracteriza assim a sua infância como escravidão . Mas, apesar de tudo, não desistiu. Prosseguiu com o seu trabalho e com o seu sonho de algum dia casar e ter filhos.
Aos quinze anos, partiu da sua Terra e veio para Setúbal de comboio para trabalhar na mercearia do “Aires”, localizada em Aranguês. Naquele tempo ganhava 30 escudos por mês (15 cêntimos) mais a comida. Vivia num pequeno quarto na própria mercearia ,sendo os seus relaxantes banhos de água fria, durante todo o ano . O sonho de melhorar de vida era grande. Caracteriza a sua adolescência como boa.

Aos vinte anos foi para a tropa para o Regimento de Infantaria Número 11, em Setúbal. Depois foi tirar a especialidade de maqueiro no Quartel da Graça em Lisboa. Mais tarde foi destacado para o Hospital da Estrela e só saiu aos 30 meses de serviço militar completo. Quando terminou o seu serviço militar regressou ao mesmo trabalho.
Mais tarde com 25 anos, estabeleceu-se por sua conta na Avenida Luísa Todi onde é conhecido pelo Américo, “O Barateiro” .Trabalha todos os dias, durante todo o ano, ao serviço dos clientes.

Com vinte e oito anos casou-se com Violante Sobral Costa com quem teve dois filhos, Maria do Rosário Pereira e Ricardo Pereira, realizando-se assim o seu sonho de criança. Da filha tem três netos que descreve como sendo a sua alegria.

Hoje tem setenta e um anos com a vida estabilizada. Caracteriza-se por ser bom de mais. Relembra que a morte do pai e a escassez de comida foram dois momentos que marcaram a sua infância. Apesar de
tudo, da vida de escravidão, como relata, eram tempos mais alegres do que os actuais.
Actualmente sente-se realizado. Se pudesse mudar alguma coisa na vida diz que trabalharia menos e dedicar-se-ía mais à família.

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