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José Caro Proença – BarreiroPropõe que seja criado o conceito municipal de «escola»

José Caro Proença, cidadão «Barreiro Reconhecido» numa reunião da Assembleia Municipal do Barreiro lançou a proposta de ser “instituído o estatuto municipal referente ao cidadão “Barreiro Reconhecido”, baseado no entimema : Deveres versus Direitos – cívicos e culturais”.

Apresentou também a proposta que – “seja criado o conceito municipal de “escola”, afim à identidade artística e cultural do Barreiro e dos barreirenses (efectivos e afectivos)”.

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José Caro Proença – Barreiro Propõe que seja criado o conceito municipal de «escola»

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral da intervenção de José Caro Proença na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro:

Bondosa Assembleia Municipal do Barreiro
Permita o desabafo (risível ) de cidadão quase nonagenário.

Ei-lo:
Seria macabro, se não fosse caricato dizer-vos: “Daqui fala o morto!”
Morto em “solidão”, desde 28 de Junho de 2003.
Dia em que passei a “ter” medalhão de metal dito “Barreiro Reconhecido”, e deixei de “ser” quem era, até então, cidadão escutado e aproveitado pela autarquia local.
Salvo espúrias e gratificantes excepções é evidente.
Todavia inconsequentes.
Assim foram as minhas (quatro) intervenções-petições, anteriores, perante Vªs Excelências, neste auditório. Todas sem resposta até hoje. Muitissimo deselegante no mínimo.
Contumácia de longa duração comum a outros conterrâneos (efectivos e afectivos).
Também “mortos em solidão”, por silêncio atroz instituído. Não oficialmente. Nem deliberadamente. Reconheço.
Talvez por atavismo insondável, recente, de décadas.
Coisa deplorável. Não desfarçável. com falácias falacciososas-passe a redundância.
Por exemplo, por mero exemplo, tal é a “Escola - dita - Augusto Cabrita”. Aparência; não essência e aparência de materiais de construção civil feita, sem a menor essência, artística e cultural, do ex-celso cidadão Augusto Cabrita.
Coevo e companheiro intimo de outros vultos cultos do seu timbre – embora de áreas díspares, “do” e “para” o Barreiro das Mentalidades abnegadas.
Entre demais, relembro dois nomes da mesma geração e extirpe : Américo Marinho e Joaquim Cabeça Padrão.
Ambos, como Augusto Cabrita, Mestres insignes noutros lugares, de outras gentes. Onde deixaram e com quem fizeram “escola”.
Mas no Barreiro, de curta visão e escassa sensibilidade, não!
Desculpem a franqueza.
Faço-a pela quinta e última vez, neste areópago de “Homens Bons”.
Faço-a, …não por impertinência, mas por dever de consciência pessoal e divida de gratidão colectiva, por saldar.
Daí a proposta dual.

Primeira, seja instituído o estatuto municipal referente ao cidadão “Barreiro Reconhecido”, baseado no entímema : Deveres versus Direitos – cívicos e culturais.
Pois, mais importante do que “ter” um galardão municipal, ainda que de metal nobre, é “ser” cidadão “escutado”.
Isto é, ouvido com atenção e considerado pelo seu saber de experiência feito de “Mais Velho”.
Não, taxativamente, o mais idoso; mas o cidadão que ainda detém viva e activa, a Memória do povo que fomos e somos.
Assim é nas comunidades tradicionais, lhanas e humanas onde o significante “Mais Velho” é significado de deferência, de veneração.
Assim era o Barreiro de antanho, quando “terra de fraternidade”: antes de “Grândola, Vila Morena” se ufanar deste predicado poético de “Zé Afonso”.

Segunda (proposta) seja criado o conceito municipal de “escola”, afim à identidade artística e cultural do Barreiro e dos barreirenses ( efectivos e afectivos).
Por exemplo, mero exemplo, tais seriam:

a) Escola do Barreiro “Mestre Sebastião”: miniaturas, modelos e protótipos de locomoção ferroviária.

b) Escola do Barreiro “Mestre Lenine Rodrigues”: miniaturas, modelos e protótipos de construção naval.

c) Escola “Barreiro “Mestre Eugénio Silva”: aguarela e banda desenhada (BD), de motivos locais.

d) Escola do Barreiro “Mestre kira”: pintura concelhia natural e humana.

e) Escola do Barreiro “Mestre José Cândido”:design e estatuária, afins à difusão da identidade local, no tempo de longa duração e diversificação.

f) Escola do Barreiro “Mestra Isana”: cerâmica e azulejaria de inspiração barreirense; e, abreviando,

g) Escola do Barreiro “Mestre Luz Ferreira” e/ou Mestre “Guta” de Carvalho: fotografia, analógica/digital, sincrónica, grupos sociais/profissionais, etc, do Barreiro.

Tais espécies de “Oficinas”, de natureza artística-cultural, de preferência, situar-se-iam no “Barreiro Velho” – o primitivo centro da nossa comunidade.

Isso o ajudava a renascer de apagada e vil degradação social e cultural, a que foi votado há cerca de meio século.
Assim penso, …porque ainda existo. Creio!
Embora à beira da “morte em solidão”, plantado sob as altas luzes da cidade, eleitos para o quadriénio decorrente ( 2009-2013).
O meu derradeiro bem haja, a quem por bem agir: em prol do povo meu irmão.
Dignificação e humanização ( proposta) a que tem jus.
Bem hajam, …a todos.

José Caro Proença
(aos 88 anos de idade)
Barreiro, 22 de Novembro de 2010

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