Medalhas de Mérito Distrital de SetúbalDistinguem trabalho e dedicação de personalidades do Distrito

Por Jornal Rostos
Visivelmente emocionado, o Governador Civil dirigiu-se a cada um dos homenageados, destacando o importante trabalho que têm vindo a realizar, nas mais diversas áreas da nossa sociedade, e o contributo que deram e dão para o desenvolvimento do Distrito de Setúbal.
“As personalidades que hoje homenageamos têm características que – aparentemente diferentes – as unem. O Sr. Presidente da Cáritas é bem conhecido pelo seu trabalho em termos sociais e pela sua dedicação às causas nobres de protecção aos desfavorecidos deste Distrito. Também os Bombeiros, cuja Federação aqui homenageamos, representada pelo comandante Aníbal Luís, seu presidente, se dedicam à protecção das pessoas neste Distrito. O Professor Viriato Soromenho-Marques tem uma obra em prol das questões do ambiente do nosso Distrito e Joaquim Benite tem muitos anos de trabalho pela cultura no nosso Distrito em Almada. É a estas personalidades que temos a honra de entregar esta distinção modesta, no quadro das distinções a que elas têm direito e que merecem. De qualquer modo, o Distrito de Setúbal não queria e não podia deixar de as homenagear”, disse, asseverando: “Estas distinções serão, com certeza, reconhecidas por todos como merecidas e serão uma maneira de provar às pessoas que aqui estão e aos homenageados que não os esquecemos e que temos pelo seu trabalho uma grande admiração”.
Eugénio da Fonseca, orgulhoso setubalense, conforme fez questão de referir, agradeceu a distinção recebida, afirmando ter um significado especial por ser atribuída pelo Governador Civil, que representa toda a região de Setúbal.
“Foram aqui enunciadas algumas das distinções que já tive a graça de ter sido beneficiado, mas estas sabem melhor, porque o Sr. Governador representa aqui, não só a expressão do Governo, mas também toda a região de Setúbal, que eu amo muito”, disse.
O Presidente da Cáritas referiu, ainda, que o trabalho que faz é um imperativo da consciência de cidadão que é e que quer continuar a ser.
“Só fazemos aquilo que devemos e quem faz aquilo que deve – como alguém dizia – devia aquilo que fez. No fim é termos tido a possibilidade que o berço nos deu, que a comunidade nos proporcionou, e no meu caso com relevo particular para a igreja, de tomar consciência mais assertiva da nossa condição de cidadãos, e não apenas de alguém que apareceu, viveu dos rendimentos que lhe foram disponibilizados, e há-de partir. Portanto, tenho a consciência que o que faço é um imperativo da consciência de cidadão que sou e que quero continuar a ser. Que seja sempre digno da distinção que o Sr. Governador me concede. Esta medalha é uma responsabilização. Ficamos perante todos mais responsabilizados”, concluiu.
Referindo tratar-se do prémio que mais emoção lhe deu receber, Joaquim Benite afirmou que a Medalha de Mérito Distrital “não é apenas uma distinção é mais um motivo de responsabilidade e amor a Setúbal”.
“Muito obrigado Sr. Governador Civil por este prémio que tanto me honra. É talvez aquele – dos vários que tenho recebido ao longo da minha carreira – que recebo com mais emoção, porque é o reconhecimento das próprias pessoas que constituem a comunidade na qual trabalhamos, que é sempre a melhor compensação”, afirmou, referindo que muitas vezes as pessoas têm projecção internacional e não são reconhecidas nas suas comunidades. Joaquim Benite referiu, ainda, constituir-se uma honra receber a Medalha das mãos de Manuel Malheiros.
Viriato Soromenho-Marques considerou a distinção que recebeu como uma homenagem à região de Setúbal e a todos os que contribuíram para o seu crescimento e para aquilo que é hoje.
“Na verdade aquilo que nós somos, cada um de nós, é de facto algo muito frágil. A identidade humana é profundamente frágil e um dos principais erros da história foi, penso eu, de termos construído a identidade humana sob o signo da força e não da fragilidade e isso implica o reconhecimento de que estamos em permanente dívida para com aqueles que nos geraram, os nossos pais, os nossos amigos, mas também todos aqueles que tiveram atrás na história e estão ao nosso lado na história. E estas palavras, que têm o valor que têm, penso que ganham mais sentido nesta altura em que, realmente, tudo parece estar em causa inclusivamente, até, a nossa identidade, já não como indivíduos, mas a nossa identidade nacional, no sentido de pertença a uma união maior, mas na qual o nosso País se prolongaria e, nesse sentido, penso que esta homenagem é uma coisa que não serve apenas para nós, os homenageados, mas penso que é devolvido a todos os membros da região de Setúbal, do Distrito de Setúbal, no sentido de procurarmos dentro de nós próprios as forças, as energias, equacionarmos o passado para podermos viver o presente futuro numa altura em que ele é particularmente difícil”, disse.
Agradecendo, com comoção a distinção que o Governador Civil teve para com os Bombeiros do Distrito de Setúbal, o Presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Setúbal, Aníbal Luís, referiu que a surpresa da homenagem residiu exactamente na forma. “Não contava de maneira nenhuma que os bombeiros fossem objecto de homenagem, talvez única no país, a nível de Governos Civis e logo no Distrito na qual sou oriundo”, afirmou, acrescentando que “esta honra fará parte da história”.
Recordando que os estudos indicam que 90 porcento da população portuguesa confia nos bombeiros, o dirigente deixou, ainda, a promessa de que os voluntários do Distrito não desiludirão a população que neles confia.
A cerimónia, que deixou repleto o Salão Nobre do Governo Civil, contou com a brilhante actuação da violinista setubalense de 16 anos, Josefina Fernandes.










