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Cidade com Rostos

GALARDÃO BARREIRO RECONHECIDO 2011ÁREA DA RESISTÊNCIA ANTIFASCISTA, DEMOCRACIA, CIDADANIA E LUTA PELA LIBERDADE
Joaquim da Palma Cadeireiro

Por uma vida de luta, de causas, e de entrega aos ideais revolucionários, Joaquim da Palma Caldeireiro recebeu da Câmara Municipal do Barreiro o Galardão “Barreiro Reconhecido” na área da Resistência Antifascista, Democracia, Cidadania e Luta Pela Liberdade.

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GALARDÃO BARREIRO RECONHECIDO 2011 ÁREA DA RESISTÊNCIA ANTIFASCISTA, DEMOCRACIA, CIDADANIA E LUTA PELA LIBERDADE Joaquim da Palma Cadeireiro

Por Jornal Rostos

Nasceu em Albernoa, distrito e concelho de Beja, no seio de uma família numerosa, a 22 de Junho de 1930. Durante a 2 Guerra a sua casa é local de encontros. A custo começa a entender.
O pai, que sabe ler e escrever, reúne com os homens da aldeia e conta-lhes as notícias que vêm no República.
Cedo conhece as dificuldades do trabalho no campo. Mas à escola é que não volta. A professora quer obrigá-lo a benzer-se à entrada. E isso ele não faz.
É nos campos de arroz que têm lugar os primeiros confrontos por melhores condições de vida e de trabalho. Aí, onde o emprego é sazonal e os trabalhadores analfabetos, sobra tempo para as explorações patronais. Começa a sua luta.
Passam os anos e aumenta a consciência política. O Alentejo torna-se pequeno. Parte para Lisboa na década de 50. Chega ao Barreiro e à CUF. Estavam a admitir homens para a campanha dos adubos. Foi aceite. Era o trabalhador provisório número 96 mil 224. Pouco depois convidam-no para integrar a equipa de Remo da empresa. A elevada pontuação na inspecção física da fábrica deu nas vistas. Na modalidade orgulha-se de conquistar todas as provas em que entrou. E, como aos atletas era exigida a 4 classe, também ele voltou a frequentar os estudos e desta vez com aproveitamento.
Pela mão de um companheiro do Remo chega o convite para ler o Avante. Em estrita confidencialidade, já se sabe. Mas Palma Cadeireiro já conhecia o Partido Comunista Português nos campos do seu Alentejo. Passa a ler o jornal com regularidade e aceita o convite para se encontrar com um funcionário do PCP. Partilha dos ideais. Assume responsabilidades.
Em 1965 é eleito representante da Comissão Interna da CUF. Sempre na defesa dos interesses colectivos, o número de problemas que apresenta nas reuniões mensais presididas por Manuel de Mello, depressa atrai desconfianças e cria inimizades. Não alinha em cumplicidades nem quer conquistar chefias.
Começam as retaliações. Não pode isto, não pode aquilo, e um dia é chamado ao engenheiro que se prepara para o despedir. Mais uma vez a frontalidade joga a seu favor. Não vai para a rua mas está debaixo de vigilância cerrada. “Anda a fazer política na secção”. Enganava-se o homem.
A esfera de acção do Palma não era só na secção, já era em toda a empresa.

As organizações à sua responsabilidade aumentavam.
Em 69 a PIDE vai busca-lo e interroga-o. De nada lhes valeu. Meses depois, camaradas torturados deixam escapar o nome Palma e é dele que a PIDE se lembra outra vez.
Muda de residência. Vem de Alhos Vedros para o Barreiro, mas não altera a morada na fábrica. Uma noite, o cerco à empresa é montado e ele vê chegada a hora de partir para a clandestinidade. Salta os muros e começa uma nova vida.
“A razão da luta era mais forte” mas “nada me custou mais na vida do que deixar a minha companheira e a minha filha de 12 anos. Nunca esquecerei esse dia”.
De Espanha segue para França e lá arranja casa e trabalho. Nunca deixou de ser controlado pela PIDE. Parte para Moscovo e frequenta um curso político. De todas as recordações salienta o facto de ter conhecido Álvaro Cunhal quando a convite do Instituto lá foi dar uma palestra. O espaço não chegou para tanta gente.
De regresso a Portugal trabalha na clandestinidade e integra a Organização de Lisboa do PCP. Reúne em habitações de que não conhece as moradas e ele próprio troca de casa com frequência por razões de segurança. A companheira junta-se-lhe.
O trabalho continua. Havia uma luta em curso, numa empresa ou numa escola. Diziam-lhe quais eram as reivindicações e ele redigia o documento. O barulho das teclas era abafado numa caixa de madeira que ele próprio idealizou.
Faziam-se cópias e o comunicado era distribuído pelos trabalhadores ainda reunidos. Este esquema ajudou a fortalecer a unidade dos trabalhadores e com isso muitas lutas foram ganhas. A situação agudiza-se, a contestação está imparável. O controlo da PIDE está ameaçado. Numa noite de trabalho igual às outras, em que já preparavam informação para o 1 de Maio, Joaquim Palma Cadeireiro ouve, na rádio, o locutor pedir à população para não sair de casa. As Forças Armadas controlam os movimentos. A revolução está na Rua.
A história escreve-se assim. Com homens assim. Amigos, cúmplices e lutadores.
Hoje, aos 81 anos, Joaquim da Palma Cadeireiro mantém-se activo e interessado pelas questões que o rodeiam.
E o Barreiro agradece-lhe!
Por uma vida de luta, de causas, e de entrega aos ideais revolucionários, Joaquim da Palma Caldeireiro recebe da Câmara Municipal do Barreiro o Galardão “Barreiro Reconhecido” na área da Resistência Antifascista, Democracia, Cidadania e Luta Pela Liberdade.

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