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Cidade com Rostos

Um encontro com as memórias de uma vivência no BarreiroEspaço Malangatana nas Festas do Barreiro

. Visite o Espaço Malangatana até 21 de Agosto

Ontem, no âmbito da programação das Festas do Barreiro, foi realizada a abertura à população do «Espaço Malangatana», situado no Largo Bento de Jesus Caraça, junto à Escola Secundária Alfredo da Silva.

Este espaço, onde a Câmara Municipal do Barreiro presta um tributo a Malanganta, foi, de facto, o local utilizado pelo pintor moçambicano, durante a sua estada no Barreiro, para trabalhar e realizar uma das suas últimas obras, o monumento escultórico que está localizado junto ao Fórum Barreiro.

4 min de leitura
Um encontro com as memórias de uma vivência no Barreiro Espaço Malangatana nas Festas do Barreiro

Por Jornal Rostos

O Mestre Malangatana Valente Ngwenya faleceu, no dia 5 de Janeiro de 2011, aos 74 anos, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, vítima de doença prolongada.
Na reunião ordinária privada da Câmara Municipal do Barreiro, realizada no dia 5 de Janeiro de 2011, foi aprovado, por unanimidade, o Voto de Pesar ao Mestre.

Hoje, divulgamos na íntegra, o texto do documento, então, aprovado pela Câmara Municipal do Barreiro:

Voto de Pesar

Morreu o Mestre Malangatana Valente Ngwenya.
Morreu um Barreirense, como ele próprio se assumia.
Nascido há 74 anos, no dia 6 de Junho, em Matalana, às portas de Maputo, Moçambique.
Desde os 11 anos foi pastor, aprendiz de curandeiro, cuidador de meninos, apanha-bolas em clubes de ténis e mainato.
Mas ao longo da sua vida, foi muito mais que tudo isso.
Um homem que se superou e nos superou.
Um artista enorme. Um pintor de referência. Um autor de tapeçarias, cerâmicas, gravuras e esculturas de primeira linha.
Mas também poeta, actor, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais, filantropo, politicamente empenhado, tendo sido preso pela PIDE durante 18 meses, depois da independência, foi deputado pela FRELIMO e era, hoje, Conselheiro de Estado da República Popular de Moçambique.
Vivemos, há pouco tempo, a presença de Malangatana.
Partilhámo-la no carácter aberto, disponível, simples, próximo que dava à forma como se relacionava com cada um que o conhecesse, lhe falasse, o ouvisse, o visse ou o visitasse.
Dessa derradeira presença nasceu uma marca indelével.
No centro do Barreiro está Malangatana (na sua última e, eventualmente, maior obra pública): nas suas imagens, na sua vida, no seu, e no nosso, quotidiano.
Partilhámo-la no carácter aberto, disponível, simples, próximo que dava à forma como se relacionava com cada um que o conhecesse, lhe falasse, o ouvisse, o visse ou o visitasse.
Dessa derradeira presença nasceu uma marca indelével.
No centro do Barreiro está Malangatana (na sua última e, eventualmente, maior obra pública): nas suas imagens, na sua vida, no seu, e no nosso, quotidiano.
Estão, no seu próprio dizer, “os acontecimentos do mundo, às vezes tristes, outras alegres, e eu não fico indiferente. Seja em Moçambique, ou noutra parte do mundo, a dor humana é a mesma".
Nós, hoje, partilhamos ainda mais essa dor.
Sentimos a tragédia que é a morte deste Africano cidadão do mundo, do homem que criou o Museu Nacional de Arte de Moçambique, que dinamizou o Núcleo de Arte, que colaborou com a Unicef, que criou um Centro Cultural na “sua” Matalana ou que foi nomeado Artista pela Paz pela UNESCO.

Uma parte deste Homem morreu hoje.
A perda – a nossa perda – é enorme e irreparável.

A Câmara Municipal do Barreiro, interpretando o profundo sentir do povo do Barreiro, reunida em 5 de Janeiro de 2011, saúda, uma vez mais, Malangatana, e solidariza-se, nesta hora, com a família, com o povo e com o Estado de Moçambique.

ESPECTÁCULO TRIBUTO A MALANGATANA DIA 20 DE AGOSTO

Ontem, como ponto alto das Festas do Barreiro de 2011, a autarquia abriu o «ESPAÇO MALANGATANA», recordando o pintor Moçambicano e prestando-lhe uma sentida homenagem.
Entretanto, recorde-se que no próximo dia 20 de Agosto, sábado, pelas 22 horas, no Palco das Marés, será realizado um espectáculo «Tributo ao Mestre Malangatana», com a actuação do Grupo «Cacique´97".

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