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Cidade com Rostos

Os cinco sobreviventes do 1º Executivo eleito após o 25 de Abril no BarreiroVão juntar-se num jantar para recordar a efeméride da tomada de posse

No dia 3 de Janeiro de 1997, há 35 anos, no Governo Civil de Setúbal, tomaram posse os primeiros eleitos pós 25 de Abril para a Câmara Municipal do Barreiro.

Os cinco sobreviventes, do primeiro executivo autárquico, Helder Madeira, Carlos Maurício, Joaquim Matias, Joaquim Serralheiro, todos do PCP/CDU, e, Jorge Fagundes, PS, hoje, para recordar este dia histórico, vão juntar-se num jantar de confraternização.

11 min de leitura
Os cinco sobreviventes do 1º Executivo eleito após o 25 de Abril no Barreiro Vão juntar-se num jantar para recordar a efeméride da tomada de posse

Por Jornal Rostos

Recordamos a intervenção do Tributo ao Poder Local
de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro

Boa noite!

A todos saúdo, neste dia em que comemoramos 35 anos sobre as 1ªs eleições autárquicas no nosso país.
O tributo que, hoje, aqui prestamos é de grande significado emocional e político.
Ao analisarmos estes anos pós 25 de Abril, os 35 anos desde as primeiras eleições para o Poder Local é necessário saudar, todos os que intervieram em defesa do Poder Local, que construíram melhores condições de vida para o Concelho e para cada uma das
freguesias.
Foram centenas, milhares, que com o seu esforço intervieram para que as condições de vida dos que vivem e viveram, trabalham e trabalharam, estudam e estudaram no Barreiro melhorassem.
A todos, independentemente das suas opções, em nome do Barreiro, em nome da Câmara Municipal, em meu nome pessoal, MUITO OBRIGADO.

Em nome do Município agradeço a vossa presença para connosco assinalarem esta importante data.
Agradeço, também, ao Coral TAB por terem aceite o nosso convite e nos presentearem com a sua actuação. (Aproveito por referir
que no passado dia 1 de Dezembro comemoraram o seu 18º aniversário atingiram a maioridade e que também eles são parte da construção de relações entre o Poder local no Barreiro e a comunidade.)

Aproveito ainda para realçar a importância do edifício que nos encontramos hoje – a Biblioteca Municipal. Espaço que faz parte
da história do nosso Poder Local. No passado dia 8 fez 26 anos de existência.
Quero simbolizar este tributo ao Poder Local. Agradeço fazendo referência aos Presidentes de Câmara no Pós 25 de Abril:
. Hélder Fráguas: 1975/1976
. Hélder Madeira: 1976/1990
. Pedro Canário: 1990/2001
. Emídio Xavier: 2001/2005

Em Abril de 1974, em Dezembro de 1976, éramos como continuamos a ser, uma Câmara pobre, um Concelho com imensas
carências, um Concelho com uma intensiva actividade industrial, alguma, mas já residual, actividade piscatória e agrícola.
Um diversificado e intenso Movimento Associativo, com importante actividade Desportiva, Recreativa e Cultural.
Sempre fomos, antes e depois, do 25 de Abril, e ainda hoje, um Concelho que luta e vive a Democracia e a Liberdade, com
consciência social, cívica, com consciência dos seus direitos. Um Concelho de Resistência, de Combate, de Luta, de proposta, de construção, de participação.
Um Concelho com projectos, um Concelho com posicionamento e conceitos democráticos e de esquerda.
Foi assim, e é assim, que penso, que gostaremos de continuar a ser!
Ao olharmos para trás, para analisarmos o Nosso Passado e construirmos o Nosso Futuro (O Futuro é sempre a continuidade do Passado. O Novo trás sempre elementos do Velho), é necessário, não apenas olharmos, mas vermos, reflectirmos e analisarmos concluímos que:
Foram anos contraditórios, anos difíceis para o Concelho, mas também de imensas alegrias, de importantes realizações.
Não vale a pena negá-lo.
Foram anos de alegria inenarráveis de Festa da Democracia de destruição do fascismo, de acabar com a ditadura, de construir os contornos de um País que queríamos e foi Novo, de construir a
Democracia, de aprender que a Liberdade é um direito, um direito que todos temos que exercer em todo o lado.
Foi tentar construir uma Nova Economia.
Foi conquistar Novos Direitos.
Foi a Festa da construção, da Democracia, da Liberdade, das Eleições, foi o trabalho popular, foi a auto-organização dos
trabalhadores e do Povo.
Foi aprender a viver com menos dificuldades.
Foi a construção, a Participação em Festa, mas também em Combate.
Cada um com o seu Combate!
Foi andar para a Frente, avançar, ir Avante!
Foram as Conquistas!
O Barreiro, também foi obreiro dessas conquistas.
O Poder Local é uma dessas conquistas!

Depois… Bem depois, foi o encerramento das fábricas, das grandes empresas, foi a perda de importância estratégica no sistema ferroviário Nacional e a perda de importância no sistema de Mobilidade Metropolitana.
Como diz o poeta: “O Mundo é composto de mudanças!”
Sem dúvida!
Teria sido justo e necessário que os que tomaram e colaboraram nessas decisões pensassem nas alternativas para que o Barreiro não passasse por tempos tão difíceis.
Apesar do muito que quase todos temos feito, ainda estamos a sofrer.
Não vale a penas fingirmos que não vemos a realidade.
Ela é Dura… Muito Dura!

Passámos de um Concelho quase de Pleno Emprego, para um Concelho, nos últimos anos, com taxas de desemprego, quase
sempre superiores à média Nacional.
Éramos um Concelho em que a maioria da sua população trabalhava no próprio Concelho, e ainda dava emprego às populações dos concelhos mais próximos, passamos a ser um Concelho, em que a maior parte da população trabalha fora,
fundamentalmente em Lisboa.

Éramos um Concelho prioritariamente Industrial, (sector secundário) para passarmos a ser maioritariamente de Serviços (sector terciário).
O número de empresas continua a baixar.
Nos últimos 30 anos perdemos cerca de 18 mil habitantes, apesar de nos censos 2001/2011 termos estabilizado, deixamos de perder população.
Os sectores mais jovens da população têm saído do concelho à procura de emprego e melhores condições de vida.

O envelhecimento da população, continua a crescer, como no resto do país, mas com índices que nos devem fazer reflectir.
O Parque habitacional tem-se degradado, como é evidente em algumas zonas do concelho.
Estas, foram consequências de decisões, que nos causam imensas interrogações: Foi a destruição do aparelho produtivo Nacional e no caso concreto do Barreiro, não se construíram as alternativas
necessárias.

Foram, e são ainda, tempos difíceis que hoje vivemos e por isso temos ainda mais dificuldade em aceitar decisões que põe em
causa, ou adiam, a concretização da Estratégia de Desenvolvimento do Concelho, da Região e do País, como a
suspensão ou adiamento: da Alta Velocidade e da TTT, da intervenção no Parque Escolar do ensino secundário no
Concelho, da intervenção no IC21 ou da construção do Centro de Saúde de Santo António.

O País atravessa, como todos sabemos uma grave crise financeira, económica e social com consequências gravíssimas no sistema
financeiro, no tecido económico e empresarial e na situação social. Na vida dos trabalhadores, das famílias, do Povo Português.
Fruto de medidas que estão a ser tomadas pela Administração Central e da conjuntura económica a crise está a generalizar-se ao
Poder Local e a atingir a Câmara de forma muito significativa.

Não é hoje, o momento para aprofundar essa reflexão. Desejo, no entanto, reafirmar que considero essencial que se defenda a autonomia do Poder Local, a capacidade de intervenção das Autarquias em defesa das populações e do desenvolvimento dos concelhos e feguesias, a eleição directa e o pluralismo dos órgãos autárquicos, o respeito pelos direitos dos trabalhadores das autarquias.

São tempos em que é absolutamente necessário associarmos a firmeza nos princípios com a maleabilidade táctica, em que é necessário manter as características que a física classifica de ductilidade. Em que é necessário todos nos juntarmos em
defesa de uma Estratégia de Desenvolvimento sustentável que aposte, apesar das dificuldades e dos retrocessos, entre outros, nos seguintes eixos:
- Participação, Democracia e Cidadania;
- Barreiro como Centralidade na Área Metropolitana de Lisboa, uma terra para trabalhar, viver e usufruir;
- Barreiro, Espaço de Cultura, Associativismo, Desporto, Juventude e Intervenção Social;
- Aposta na qualidade de vida na prestação de um serviço público de qualidade.
E em projectos mais estruturantes:

. Desenvolvimento Económico, criação de emprego e de riqueza como aposta fundamental;
. Mobilidade, incluindo os meios de mobilidade suave e continuando a reivindicar a construção da TTT, com as valências rodo- ferroviárias, a estudar a nova ponte para o Montijo, conjuntamente com a ponte Barreiro-Seixal , a viabilizar os transportes Colectivos do Barreiro, como transportes Públicos Municipais;
. Ambiente e em particular na grande potencialidade que têm as nossas zonas ribeirinhas do Tejo e do Coina, incluindo os seus estuários, na Mata da Machada e no Sapal de Coina, assim como no sistema integrado de águas, saneamento e resíduos;

Coina como uma centralidade subregional, ao nível da actividade
económica, do emprego e de equipamentos;
. Na Educação como vector importante de sustentabilidade
associado à formação e emprego;
. Na Cultura, no Desporto, no Associativismo, na Juventude e na
Terceira Idade;
. Nos Serviços Públicos, que necessitamos que tenham cada vez
maior qualidade, procurando que o de águas e saneamento se
mantenham municipais;
. Valorização e respeito pelos Trabalhadores da Administração
Local, actualmente tão fustigados nos seus direitos.

Em períodos tão exigentes é necessário ponderar o que nos une e o que nos separa. Não tenho dúvidas que o que nos une em defesa do Barreiro é significativamente mais forte, do que o que nos separa.
Apelo a que secundarizemos o que nos separa e valorizemos o que nos une a bem do concelho.

Já quase todos me conhecem como Presidente da Câmara do Barreiro e podem continuar a contar com um Presidente da
Câmara que não abdica das suas convicções, mas que mais que provar que tem razão, deseja resolver problemas, abrir portas, desatar nós, fazer coisas, envolver –se com os agentes sociais, económicos, políticos, envolver-se com o movimento associativo, com as populações, com os trabalhadores, defendendo sempre, e
incondicionalmente, o Barreiro e as suas gentes.

CONSTRUIR O MAIOR DENOMINADOR COMUM! CONSTRUIR COM TODOS, COM TODOS CONSTRUIR, É O NOSSO
CAMINHO!

Foram anos potentes, de importantes e estruturantes intervenções, mas foram também, como o Poder Local sabe fazer, de pequenas realizações, tão importantes para as pessoas.
Foram acções extraordinariamente importantes do ponto de vista do todo do Concelho, mas também de cada uma das suas freguesias, de cada local, de cada um dos cidadãos.
É visível o que se fez nestas décadas após o 25 de Abril :
. Na requalificação dos serviços do Município e da Câmara;
. Na alteração radical, para melhorar, a intervenção das Juntas de
Freguesias que passaram de 4 para 8;
. Nas acessibilidades: A Av. do Bocage, A Fuzileiros Navais, os novos acessos ao Hospital, os acessos nas freguesias periurbanas, o Novo Terminal Rodo-Ferro-Fluvial, a Av. da Liberdade, o atravessamento da Quimiparque, os novos acessos à zona ribeirinha da Verderena e Santo André, entre muitos outros.
. No Ambiente a revalorização da Mata da Machada e do Sapal de
Coina, a construção da ETAR e as profundas alterações e importantes investimentos em todas as áreas do básico, as intervenções na zona ribeirinha.
. A renovação, quase completa, do sistema de abastecimento público, nos mercados: Abastecedor, Levante, St. André, Coina, Lavradio, 1º de Maio, 25 de Abril;
. A construção do AMAC e do Parque da Cidade, a criação do Espaço J, do Pavilhão Luis de Carvalho, a Piscina Municipal do Lavradio, o conjunto de Novos e pequenos espaços desportivos, os parques infantis que eram quase inexistentes;
Os equipamentos escolares do 1º ciclo do ensino básico e do préescolar;
. A construção do edifício dos TCB, que em 2012 passará também a ser do Departamento de Águas, Saneamento e Resíduos, o
funcionamento e manutenção dos TCB’s como um bom serviço de
transportes às populações;
. A construção do Polis das Freguesias de St. André e Verderena e a intervenção no Passeio Augusto Cabrita, que em breve continuará
direcção ao Clube Naval.
. A Participação, a Cidadania, a Democracia como forma de agir, de transformar, de construir…
. A diversificada e intensa actividade cultural, desportiva, recreativa e lúdica no concelho, que se realiza também com o apoio do Poder Local, e que aqui, hoje, tem alguns apontamentos;
Este tributo ao Poder Local que hoje aqui estamos a iniciar irá continuar com um ciclo de iniciativas que farão uma ponte
com as comemorações do 25 de Abril.
- Tentaremos envolver, incentivando à participação, a Comunidade Educativa.
- Realizaremos exposições temáticas itinerantes.
- Promoveremos tertúlias sobre esta temática e visitas a espaços da cidade.
Pretendemos encerrar este ciclo com uma iniciativa que envolva a comunidade e os eleitos.
Companheiros do Poder Local, Povo do Barreiro. Só conseguimos chegar até aqui, porque centenas de trabalhadores da Câmara, dos Transportes Colectivos e das Juntas conjuntamente com os eleitos,
dedicaram-se ao serviço público, ao poder Local, ao Barreiro. Com o seu empenho, dedicação, sensibilidade, saber, criatividade
e trabalho fizeram-nos ir mais longe.

A todos eles actuais e antigos trabalhadores, o nosso obrigado.
A todos os, actuais e antigos eleitos o nosso obrigado.
Quero para terminar fazer referência aos primeiros candidatos das listas apresentadas à Câmara Municipal do Barreiro Há 35 anos atrás, particularmente a Helder Madeira da FEPU, Jorge Fagundes
do PS e a Mendes Costa, primeiro candidato do PSD na primeira vez que o PSD concorreu à CMB em 1980.

Mais uma vez agradeço a vossa presença e realço que juntos, independentemente das nossas convicções, fazemos mais e melhor, em prol da nossa terra e da nossa gente.
Viva o Poder Local!
Viva o Barreiro!

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