Cidadão do BarreiroJosé Caro Proença comemora hoje 90º aniversário
Um grupo de amigos para assinalar a efeméride promove uma almoço de convivio que vai realizar-se no Restaurante Casa Transmontana.

Por Jornal Rostos
Recordamos a reportagem da Conferência que assinalou o 84º aniversário de José Caro Proença
A Conferência “Génese e Futuro do Barreiro”, proferida por José Caro Proença e moderada por Manuela Fonseca, realizou-se, no dia 3 de Março, no dia em que José Caro Proença, comemorou os seus 84 anos de vida na sede da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, sendo, igualmente, o momento para que as dezenas de amigos presentes, no final, cantassem os “Parabéns a você”, num coro bem afinado que contou, especialmente, com as vozes de Sara Chaves, esposa de José Caro Proença e Manuel Alpalhão, do Grupo Coral da UTIB.
Nuno Soares, Vice Presidente da Direcção da Cooperativa Popular Barreirense, na abertura da conferência, referiu que estas iniciativas se enquadram no projecto cultural da cooperativa de estar “aberta à comunidade” e aos barreirenses, sublinhando que “barreirenses são todos aqueles que vivem e amam o Barreiro”.
Manuela Fonseca, moderadora da Conferência, recordou que José Caro Proença é uma personalidade com reconhecimento a nível nacional, filho de “gente boa do Pátio do Morgado, um Mestre de cultura”.
Potencialidades marítimas do Barreiro
José Caro Proença salientou que o porto de mar do Barreiro foi, nos tempos da CUF, o “segundo porto do país em movimento de cargas” e que a frota marítima ligada àquela empresa foi um elemento de grande importância na economia marítima do país e do Barreiro.
Na sua opinião o “futuro do Barreiro está no mar”, sendo para tal essencial potenciar as capacidades naturais do território ribeirinho.
José caro Proença considera que o Barreiro é pela sua localização geográfica “uma plataforma estratégica dos Portos de Lisboa e Setúbal” defendendo o desenvolvimento de uma plataforma interface, de actividades portuárias, na margem sul do Rio Tejo.
Salientou que no Barreiro existem criadas condições para o funcionamento de um projecto “intermodal portuário” servido por “transporte ferroviário”.
Por outro lado, considera que a zona ribeirinha do Rio Coina, tem todas as condições para ser potenciada como uma área estratégica colocada ao serviço de “embarcações desportivas”, dadas as condições naturais existentes, para a prática de actividades náuticas.
Da pré- história aos Árabes
José Caro Proença sublinhou que o actual território do concelho do Barreiro na sua génese se situava em pleno mar, recordou as ocupações pré-históricas, na Ponta da Passadeira, onde ocorreram as “ primeiras ocupações na Península do Barreiro”.
Sublinhou, a presença romana que foram os “primeiros a utilizar a península do Barreiro”, em Equabona – actual Coina – como ponto de ligação entre Lisboa e Mérida.
Referiu, José Caro Proença, a presença Árabe no território do concelho do Barreiro, nomeadamente, ao utilizarem a margem do Rio Coina, quer para a construção Naval, quer para a instalação de Moinhos de Maré – “na margem do Rio Coina terá existido a maior concentração de Moinhos de Maré de Portugal” – salientou.
Ribeira das Naus em Coina
José Caro Proença salientou o período que classificou de “pré- revolução industrial” que ocorreu no território do concelho do Barreiro, no período dos descobrimentos, nomeadamente nas margens do Coina onde, sublinhou – “pela primeira vez se construíram naus em Portugal” – rotulando aquelas margens como “berço das naus e náutica”, a verdadeira “Ribeira das Naus”.
Neste contexto evocou Álvaro Velho, barreirense que escreveu o “Roteiro para a Índia” que serviu de inspiração à obra “Os Lusíadas”, de Luís Camões.
A importância dos ferroviários
Segundo, José Caro Proença, a Revolução Industrial, no território do Barreiro, que fez do Barreiro um “centro industrial fabril de vanguarda” iniciou-se com os ferroviários, tendo sido no concelho que foi instalada a “primeira Estação Ferroviária de Portugal, de construção definitiva”, cujas instalações ainda existentes, na Rua Miguel Pais, deveriam ser classificadas como “Monumento nacional”.
Recordou, igualmente, a implementação da indústria corticeira, os cais de carga de minérios e a instalação da indústria Química, a partir de 1907, com a instalação da CUF.
Na sua opinião são os caminhos de ferro que estão na génese da instalação das indústrias e nas transformações e alterações do tecido urbano do Barreiro.
José Caro Proença defendeu a criação, em Vale de Zebro do Instituto de Estudos Gâmicos e recordou que o Barreiro foi a cidade escolhida para a Armada Portuguesa assinalar, no dia 8 de Julho de 1997, os 500 anos da partida para a descoberta do caminho marítimo para a Índia.
O saber dos idosos
Após a intervenção de José Caro Proença seguiu-se um período de debate, no decorrer do qual Caboz Gonçalves referiu que a obra de José Caro Proença, foi escolhida para uma colectânea da UNESCO, mas, no Barreiro não tem sido divulgada, nem se encontra nas escolas.
José Caro Proença salientou o que classificou de “esbanjamento do saber dos mais idosos, que têm memória” evocando os nomes de António Freire, Sérgio Ferreira, Monteiro Leite e Belmiro Ferreira, barreirenses recentemente falecidos e que muito saber poderiam ter transmitido a novas gerações, na sua opinião, “nunca é tarde para aprender” mas, igualmente “nunca é tarde para ensinar”.










