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ALMADA - Voto de Pesar pelo Falecimento de Joaquim BeniteA face mais visível de um projeto cultural de características singulares no panorama nacional

Joaquim Benite foi em vida, e assim permanecerá pelo seu exemplo de vida e de trabalho, uma das mais destacadas personalidades, um dos mais ilustres representantes do imenso património humano que dá corpo e alma ao nosso devir enquanto comunidade.

Joaquim Benite foi ao longo de quase três décadas e meia a face mais visível de um projeto cultural de características singulares no panorama nacional.

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ALMADA - Voto de Pesar pelo Falecimento de Joaquim Benite A face mais visível de um projeto cultural de características singulares no panorama nacional

Por Jornal Rostos

Reunião de Câmara
5 de dezembro de 2012

Voto de Pesar pelo Falecimento de Joaquim Benite

A notícia caiu brutalmente sobre nós: Joaquim Benite, o Cidadão de Almada e do Mundo, o Homem de Cultura e de Saber, o Encenador e Diretor da Companhia de Teatro de Almada, deixava definitivamente de pautar com a sua presença física o nosso convívio e o nosso quotidiano.

A morte de Joaquim Benite representa, mais do que a profunda tristeza pelo desaparecimento físico de um Cidadão Ilustre, uma perda irreparável para a Cultura e para as Artes portuguesas, para a Cultura e para as Artes de todo o mundo, ocorrendo num momento particularmente difícil da vida colectiva nacional, quando Homens da estirpe e da dimensão do Joaquim Benite a todos nós fazem ainda mais falta.

Dotado de uma extraordinária capacidade de expressão artística, através dessa arte milenar de representar o Mundo, a Vida e os Homens expressa pelo Teatro em todas as suas dimensões e esplendor, enquanto Diretor da Companhia de Teatro de Almada e do Festival Internacional de Teatro de Almada, Joaquim Benite representou – e permanecerá representando no futuro – o que de melhor temos e sabemos fazer em Almada: um imenso património humano de qualidade, que tem permitido cimentar com solidez a edificação de um Concelho moderno, cada vez mais humano e desenvolvido.

Joaquim Benite foi em vida, e assim permanecerá pelo seu exemplo de vida e de trabalho, uma das mais destacadas personalidades, um dos mais ilustres representantes do imenso património humano que dá corpo e alma ao nosso devir enquanto comunidade.

Joaquim Benite foi ao longo de quase três décadas e meia a face mais visível de um projeto cultural de características singulares no panorama nacional.

O ano de 1978 assinala o início de um percurso e um processo de desenvolvimento cultural e artístico de extraordinário significado e enorme riqueza. A partir da fixação da atividade do então Grupo de Teatro de Campolide na nossa Terra ocorrida naquele ano, Almada transformou-se gradualmente num dos principais “palcos” do Teatro em Portugal, que hoje se expressa não apenas através daquele que é considerado, com inteira justiça, o mais importante Festival de Teatro que se realiza em Portugal e um dos mais importantes em toda a Europa, mas também pela criação e consolidação de um público fiel, conhecedor, exigente e sempre crescente, que acompanha com regularidade as produções da Companhia de Teatro de Almada.

Ao longo da sua carreira no Teatro, Joaquim Benite criou mais de uma centena de espetáculos, destacando-se do seu vastíssimo curriculum a encenação de textos de José Saramago – “A Noite” (1979) que marcou a estreia do Prémio Nobel da Literatura português em teatro e “Que farei com este livro?” (1980 e 2007) –, Shakespeare, Molière, Brecht, Lorca, Bulgakov, Camus, Adamov, Gogol, Beckett, Albee, Neruda, Thomas Bernhard, Sanchis Sinisterra, Antonio Skármeta, Pushkin, Peter Schaffer, Marguerite Duras, Dias Gomes, Nick Dear, O’Neill, Marivaux, Feydeau, Almeida Garrett, Gil Vicente, Raul Brandão, entre tantos outros autores de teatro.

Fazendo absoluta questão de fundar todo o seu trabalho no rigor, na exigência e na qualidade, Joaquim Benite contribuiu numa dimensão raramente igualável para a promoção e divulgação da Cultura e, principalmente, do gosto pela cultura e pelo seu usufruto pleno por todos os Cidadãos e Cidadãs, por todas as gentes do nosso Concelho, ao mesmo tempo que se afirmou como verdadeiro embaixador na promoção e no conhecimento do nosso Concelho nas quatro partidas do mundo.

Joaquim Benite soube construir um percurso pessoal e profissional que o coloca entre aqueles que, sem ambiguidades, sem cedências, com a plena consciência das opções feitas e afirmando sem hesitações as suas preocupações de natureza social, assumem um profundo compromisso com a permanente construção de uma sociedade mais justa e progressista, mais solidária e mais humana, que corresponda cada vez mais à satisfação das aspirações e ambições de qualidade e bem-estar para todos os seres humanos.

Na construção deste seu percurso pessoal e profissional, Joaquim Benite jamais ignorou o projeto humanista, colectivo, que temos vindo a construir em Almada desde o 25 de Abril de 1974, fundado numa ampla participação e envolvendo todos os cidadãos, contribuindo ativamente para a afirmação desse projeto de construção de uma vida melhor para todos.

Este extraordinário contributo de Joaquim Benite foi publicamente reconhecido em Portugal e além-fronteiras. Um reconhecimento que se traduz em prémios institucionais tão significativos como a Medalha de Ouro da Cidade de Almada que por unanimidade a Câmara Municipal de Almada decidiu atribuir ao Cidadão Joaquim Benite em Julho de 2009, a Medalha de Ouro do Município da Amadora, a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura, a Medalha de Ouro e Mérito Distrital do Governo Civil de Setúbal, o Grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, o Grau de Cavaleiro e o Grau de Oficial da Ordem das Artes e das Letras de França, e o grau de Comendador da Ordem do Mérito Civil de Espanha.

Um reconhecimento público que se traduz, igualmente, no enorme respeito e consideração pela sua capacidade e pelo seu trabalho expresso pela crítica e pelo público nacional e internacional, que invariavelmente consideram Joaquim Benite, o trabalho, a sua postura cívica e profissional, o Ser Humano, como uma das mais destacadas personalidades do Teatro Mundial contemporâneo.
O Teatro Português, o Teatro Universal, acaba de perder um dos seus mais lídimos e genuínos representantes. Almada perde um dos seus cidadãos mais ilustres. A sua memória, para uns e para outros, perdurará, pelo seu contributo de sabedoria e de trabalho genuíno, pela sua ativa e permanente intervenção na construção de uma sociedade cada vez mais conhecedora, cada vez mais culta, e por isso, também cada vez mais humana e desenvolvida,

Nesta hora de luto e tristeza, a Câmara Municipal de Almada rende a mais solene homenagem ao Homem de Cultura e da Cultura que acaba de nos deixar, reiterando a expressão das mais sentidas condolências e da mais profunda solidariedade a Teresa Gafeira, viúva de Joaquim Benite, aos seus filhos, aos seus netos, e a toda a sua restante família, à Companhia de Teatro de Almada e a todos os seus profissionais, a todos os homens e mulheres de cultura e da Cultura, e ao extraordinário Público do Teatro que a todos nós convoca, e que Joaquim Benite, com mestria e sabedoria, tão bem soube cativar.

Almada, 5 de dezembro de 2012

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