A investigação da União Europeiatransforma resíduos alimentares em alimentos para animais

Por Jornal Rostos
A UE investe mais de 4 mil milhões de EUR em investigação e inovação a favor de uma bioeconomia europeia que tire o melhor partido dos nossos recursos biológicos renováveis. A agricultura é uma componente essencial, que garante a produção de alimentos, assegura a gestão sustentável dos recursos naturais e apoia o desenvolvimento das zonas rurais.
A UE é a fonte de 18 % das exportações mundiais de alimentos, correspondentes as 76 mil milhões de EUR. Mas na UE e noutras regiões, os resíduos agrícolas constituem um travão para os agricultores e custam caro aos contribuintes — entre 55 e 99 EUR por tonelada.
Transformar os resíduos agrícolas em alimentos para animais — a solução preconizada pelo projeto de investigação NOSHAN, financiado pela UE — proporcionaria novas oportunidades para os agricultores e, simultaneamente, reduziria a dependência da Europa em relação às importações de alimentos para animais. Com este projeto criar-se-iam, por sua vez, novos postos de trabalho verdes na recolha de resíduos, nas estações de tratamento e no fabrico de alimentos para animais. Este conceito será especialmente bem acolhido nas zonas rurais, onde o crescimento é menos intensivo do que nas zonas urbanas, e onde o setor dos alimentos para animais constitui um poderoso motor económico.
«Um terço dos alimentos produzidos para consumo humano perde-se ou desperdiça-se a nível mundial — um total de 1,3 mil milhões de toneladas por ano — e o processamento dos alimentos é responsável por uma grande parte desse desperdício», explicou Montse Jorba, coordenadora científica do NOSHAN do Centro Tecnológico LEITAT de Espanha. «As frutas e os produtos hortícolas apresentam os maiores índices de desperdício no setor dos alimentos. Este valor equivale a um grande desperdício de recursos, incluindo recursos hídricos, solos, energia, mão de obra e capital.»
O projeto NOSHAN permitirá transformar os resíduos alimentares — em especial fruta, produtos hortícolas e produtos lácteos — em alimentos para animais, com um baixo custo, mantendo, ao mesmo tempo, um baixo consumo de energia.
A equipa — centros de investigação, uma universidade e empresas de seis países da UE e da Turquia — começou a trabalhar em 2012, analisando o valor de diferentes tipos de resíduos e criando uma base de dados com os potenciais ingredientes dos alimentos para animais. No momento em que o projeto terminar em 2016, a equipa conhecerá igualmente as melhores tecnologias para extrair e melhorar cada tipo de resíduo.
O projeto NOSHAN proporciona igualmente ao setor agrícola da Europa uma oportunidade para conseguir uma maior sustentabilidade. A utilização de biorresíduos como recurso ajudará o setor a reduzir o seu impacto ambiental.
Os processos desenvolvidos pelo projeto ajudarão as empresas agrícolas a recuperar as calorias contidas nos alimentos deitados fora, a energia que se destinou à produção desses alimentos e terão também como consequência uma diminuição significativa do consumo de água (os resíduos alimentares representam mais de um quarto do consumo mundial de água doce). Ao reduzir a necessidade de produzir os alimentos para animais de forma separada, a abordagem do NOSHAN poderia reduzir a crescente concorrência entre a produção de alimentos e a produção de alimentos para animais — necessitadas ambas de terra e de água.
O projeto NOSHAN está também a trabalhar em ingredientes funcionais dos alimentos para animais derivados de resíduos alimentares que se destinam a necessidades específicas dos animais, como o fomento da saúde e a prevenção de doenças. Por exemplo, os investigadores estão atualmente a identificar fibras e péptidos (compostos químicos) funcionais dentro dos resíduos. Estes serão utilizados para elaborar alimentos para animais adaptados aos suínos e às aves de capoeira.
A segurança é garantida através de um processo de monitorização intensivo, abrangendo todos os setores, desde os resíduos em bruto até ao produto final. A segurança, juntamente com a viabilidade técnica e económica de cada um dos processos estudados, será decisiva, em última instância, para as estratégias e produtos que serão comercializados pela equipa NOSHAN.
«A bioeconomia representa na Europa 2 biliões de EUR e proporciona 22 milhões de postos de trabalho, pelo que é um elemento central do programa Horizonte 2020», declarou Máire Geoghegan-Quinn, Comissária europeia responsável pela Investigação e Ciência. «Os projetos como NOSHAN reúnem os investigadores e as empresas para desenvolver a nossa economia e a nossa qualidade de vida de uma forma sustentável.»
Contexto
O projeto NOSHAN beneficiou de quase 3 milhões de EUR de financiamento ao abrigo do Sétimo Programa-Quadro de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (2007-2013) da União Europeia. Reúne, institutos de investigação, uma universidade, grandes empresas e PME do setor alimentar de Espanha, Bélgica, Itália, Alemanha, França, Países Baixos e Turquia.
Em 1 de janeiro de 2014, a União Europeia lançou um novo programa europeu de financiamento da investigação e da inovação denominado Horizonte 2020. Nos próximos sete anos, quase 80 mil milhões de EUR serão investidos em projetos de investigação e inovação destinados a apoiar a competitividade económica da Europa e a alargar as fronteiras do conhecimento humano. O orçamento da UE para a investigação visa sobretudo melhorar as condições de vida dos cidadãos em domínios como a saúde, o ambiente, os transportes, a alimentação e a energia. As parcerias de investigação com os setores farmacêutico, aeroespacial, automóvel e da eletrónica também encorajam o investimento do setor privado em prol do crescimento e da criação de empregos altamente qualificados no futuro. O programa Horizonte 2020 terá um enfoque ainda maior na transformação de ideias excelentes em produtos, processos e serviços comercializáveis.












