Comemorações do 20.º aniversário da criação do 112 em Setúbal«Um número que pode salvar vidas»
“É fundamental explicar a missão do 112, para que serve e como deve ser utilizado”, apelou Maria das Dores Meira à secretária de Estado da Administração Interna, Dalila Araújo, também presente na cerimónia realizada na EB 2,3+S da Bela Vista.

Por Jornal Rostos
Na origem do apelo está o facto de que “cerca de 70 por cento das 20 mil chamadas que o 112 recebe diariamente são falsas”, constatou a autarca, acrescentando que muitas pessoas, “não estando em perigo iminente, como reconhece o INEM, exageram os sintomas para conseguirem uma ambulância gratuita que as transporte para os hospitais”.
Este fenómeno social, avançou Maria das Dores Meira, ganha maior protagonismo com as recentes alterações às regras de transporte de doentes, “que limitam drasticamente” o acesso ao serviço, desviando para as entidades prestadoras desta tarefa a responsabilidade de avaliar os utentes elegíveis para aceder gratuitamente a esse transporte.
“Obviamente, esta não pode ser a solução para moralizar o sistema”, concluiu a edil, para quem a minoração do problema passa por se “repor a justiça no transporte programado de doentes”.
A educação cívica dos jovens – “explicar-lhes os riscos das falsas chamadas” – é outra medida “de enorme importância para a saúde do sistema”, acrescentou a autarca.
Maria das Dores Meira salientou igualmente que a aposta na eficiência do 112, “em particular na sua divulgação, faz também parte do esforço municipal para garantir mais e melhor segurança aos munícipes de Setúbal”.
A ponderação constante de reforço dos meios de socorro no Concelho faz com que a Autarquia conte “investir, ainda mais, nos próximos tempos, na Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, destinatária de vultuosos investimentos previstos numa candidatura apresentada recentemente a fundos comunitários”, denominada “Resiliência +”.
A presidente da Câmara Municipal frisou, inclusivamente, que “em matéria de gestão do socorro, Setúbal está na vanguarda da gestão do despacho de meios graças à central conjunta que instalou há alguns anos e que permite uma optimização dos meios”.
A secretária de Estado da Administração Interna sublinhou a importância das comemorações do dia de hoje, “iniciativa conjunta na Europa de pedagogia sobre como usar o 112”, sendo este “um número que pode salvar vidas”.
Dalila Araújo realçou o facto de Portugal ter sido premiado a nível europeu pelas funcionalidades tecnológicas avançadas implementadas com o Centro Operacional 112.pt Sul, que, em vários distritos, permite que uma chamada obtenha resposta, em média, ao fim de quatro segundos.
A cerimónia contou ainda com uma acção de sensibilização, conduzida pelo coordenador do Centro Operacional de Emergência, Carlos Martins, para as dezenas de crianças que assistiram à iniciativa.
“O que é o 112?” ou “quando se deve ligar para o 112?” foram algumas das perguntas respondidas pela jovem plateia. De entre as várias questões colocadas, aquela que teve resposta mais consensual foi “Que coisas não se deve fazer com o 112?”. “Brincar!”, ouviu-se quase em uníssono.
O 112 deve ser utilizado para chamar qualquer serviço de emergência, ou seja, polícia, bombeiros ou ambulância. O número pode ser marcado a partir de qualquer telefone, fixo ou móvel, em qualquer dos 27 países da União Europeia, sendo sempre uma chamada gratuita.
Nas situações em que se marca o número por engano, deve-se avisar o operador do serviço de emergência desse facto e nunca desligar a chamada, pois esta é georreferenciada e, em caso de dúvida sobre o motivo da interrupção da comunicação, são destacados meios ao local do telefonema para um eventual pronto-socorro.
No final da cerimónia, cerca de 150 crianças da escola da Bela Vista fizeram um cordão humano, formando um “112” gigante.
A cerimónia contou com a presença, entre várias individualidades, de comandantes de diversas forças e serviços de segurança.












