Painel de Avaliação da InovaçãoUnião Europeia mais inovadora, mas agravam-se as disparidades entre os países
• Entre os inovadores moderados está Portugal

Por Jornal Rostos
Embora os países mais inovadores tenham conseguido melhorar ainda mais o seu desempenho, noutros países a falta de progressos é evidente. A classificação geral da UE continua relativamente estável, com a Suécia no topo, seguida da Alemanha, da Dinamarca e da Finlândia. A Estónia, a Lituânia e a Letónia são os países que mais têm melhorado desde o ano passado. Os progressos ao nível da inovação na UE têm sido realizados através das PME e da comercialização das inovações, bem como por sistemas de investigação de excelência. Contudo, a diminuição dos investimentos das empresas e do investimento de capital de risco entre 2008 e 2012 produziram efeitos negativos no desempenho em termos de inovação.
O Vice-Presidente da Comissão Europeia Antonio Tajani, Comissário responsável pela Indústria e pelo Empreendedorismo, declarou: «Os resultados deste ano mostram que a crise económica teve um impacto negativo nas atividades de inovação em determinadas regiões da Europa. O investimento na inovação é crucial se quisermos manter a nossa competitividade global e restabelecer o crescimento na Europa. Precisamos de incentivar o empreendedorismo, pois as PME têm sido um motor essencial da inovação».
Por outro lado, Máire Geoghegan-Quinn, Comissária responsável pela Investigação, pela Inovação e pela Ciência, afirmou: «A inovação deve passar a ocupar o lugar central de todas as agendas políticas dos Estados-Membros. O nosso último relatório sobre o estado da União da Inovação, publicado hoje também, destaca os progressos que alcançámos em 2012 no que respeita a alguns dos pontos fundamentais, como a patente unitária e as novas regras aplicáveis aos fundos de capital de risco, mas temos de ir mais longe para evitar uma inovação dividida na Europa».
A Comissão Europeia publicou hoje igualmente um relatório que complementa o painel de avaliação. Segundo se pode ler no relatório sobre o Estado da União da Inovação, foram amplamente respeitados os compromissos assumidos pela Comissão no âmbito da iniciativa emblemática «União da Inovação».
Para consultar os resumos individuais de desempenho no domínio da inovação dos 27 Estados-Membros e de outros países europeus.
Antecedentes
O Painel de Inovação da União de 2013 classifica os Estados-Membros em quatro grupos de países:
• Líderes em inovação: a Suécia, a Alemanha, a Dinamarca e a Finlândia registam resultados muito acima da média da UE.
• Seguidores em inovação: os Países Baixos, o Luxemburgo, a Bélgica, o Reino Unido, a Áustria, a Irlanda, a França, a Eslovénia, Chipre e a Estónia apresentam desempenhos acima da média da UE.
• Inovadores moderados: a Itália, a Espanha, Portugal, a República Checa, a Grécia, a Eslováquia, a Hungria, Malta e a Lituânia têm desempenhos abaixo da média da UE.
• Inovadores modestos: o desempenho da Polónia, da Letónia, da Roménia e da Bulgária é muito inferior ao da média da UE.
Qual a chave do sucesso dos líderes da inovação?
Os países mais inovadores na UE partilham alguns pontos fortes dos seus sistemas nacionais de inovação e de investigação, nomeadamente o papel fundamental dos esforços de inovação das empresas e do setor do ensino superior. Todos os líderes em inovação possuem um setor empresarial com um desempenho muito bom em termos de investimento ligadas à investigação & desenvolvimento (I&D) e aos pedidos de patentes. Também se caracterizam por um setor do ensino superior bastante desenvolvido e por ligações fortes entre a indústria e a ciência.
A UE na cena internacional
Uma comparação com outros países europeus confirma a posição de líder em inovação da Suíça, que ultrapassa sistematicamente todos os países da UE. Os resultados deste ano apontam igualmente para o facto de, mais uma vez, a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão ocuparem uma posição de liderança face à UE.
Apesar de a Coreia do Sul estar cada vez mais distante da UE, esta, desde 2008, conseguiu reduzir em quase metade o seu atraso em relação aos EUA e ao Japão. A UE está ainda muito aquém dos líderes mundiais, nomeadamente em termos de despesas das empresas em I&D, de copublicações público-privadas e de patentes, bem como no que se refere ao ensino superior. Em contrapartida, a UE continua a apresentar melhor desempenho do que a Austrália, o Canadá, o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul.
A distância que a separa da China tem vindo a diminuir, continuando estável no que respeita aos outros países BRICS e a aumentar em relação à Austrália e ao Canadá.
O Painel de Inovação da União de 2013 baseia-se atualmente em 24 indicadores, que estão agrupados em três categorias principais e oito áreas:
os «elementos determinantes» (enablers) são os fatores de base que propiciam a inovação (recursos humanos, sistemas de investigação de excelência, abertos e apelativos, e o financiamentos e os apoios);
as «atividades empresariais» (firm activities), em que se concentram os esforços de inovação das empresas europeias (investimento das empresas, ligações e empreendedorismo, e capital intelectual); e
os «resultados» (outputs), que mostram como os outros elementos se traduzem em benefícios para o conjunto da economia (inovadores e efeitos económicos, incluindo a nível do emprego).












